Ailton Villanova

20 de Maio de 2016

O crime do bode candidato

Com Diego Villanova

      Decorridos dez anos e meio da morte do bode Frederico, o Fred, a comunidade de Barro Branco continua aguardando uma solução para o caso, que permanece envolto no mais denso dos mistérios. Afinal, o Fred não era um bode qualquer. Era o bode candidato do povão à prefeitura da cidade, embora parecesse uma das mais duras irreverências. Fred era o candidato do protesto.

      Afastada definitivamente a hipótese de suicídio, a esmagadora maioria dos eleitores do finado Fred ainda hoje defende a tese no sentido de que sua eliminação decorreu de um complô de inimigos gratuitos encastelados nos redutos situacionistas. Sem essa de crime passional, conforme chegou a aventar um tal de Esmeraldino, apontado como simpatizante da galera opositora à candidatura do caprino:

      – Esse animal era muito fogoso e meio tarado! Outro dia, eu o vi paquerando a jumenta do seu Farias…!

      Esmeraldino quase foi linchado pela ousadia de falar mal do bode. Sua versão foi rebatida em cima da bucha por dona Maria do Carmo, integrante da equipe de cabos eleitorais do saudoso bode, cujo cadáver fora encontrado com um buraco de bala no ouvido, na beira da estrada:

      – Conheci o Fred desde novinho, tomando mamadeirinha. Eu mesma fui uma das que deu várias pra ele. O coitadinho sempre foi um bode educado… muito gentil… bastante respeitador!

      – E virgem! Ele era virgem! – emendou outra eleitora, que pediu para não ser identificada.

      Por outro lado, ainda hoje ecoam as palavras do sacristão José Nivaldo, o Niva:

      – O Fred começou a incomodar a situação desde quando ficou famoso no Brasil inteiro, através dos jornais, televisão e rádio. O ódio dos invejosos aumentou ainda mais quando ele recebeu o convite do Jô soares para apresentar-se no programa dele, na Rede Globo.

      O grande barato é que Fred entrará para a história universal como o único bode eleito prefeito de uma cidade, mesmo depois de morto.

      – Morro de orgulho disso! – manifestou a dona de casa Mauritânia Cristina, eleitora do bode.

      Depois desse tempo todo, e em razão das eleições que se aproximam, o fantasma do bode Frederico voltou a assombrar seus opositores, até porque está surgindo na parada o Fred Jr. ou Fredinho, herdeiro do bode famoso defuntado.

       Política é fogo! Estão falando até em exumar o cadáver do Fred, mesmo tendo, os seus fãs, a certeza de que ele foi assassinado e não se suicidado.

 

Morte divertida!

      O diarista Manuel Leobino encontrou-se com o amigo Freitas na Praça Dom Pedro Segundo, sentaram num banco e danaram-se a prosear. No meio do papo, Freitas lembrou-se de perguntar pelo irmão do amigo:

      – E como tá o teu mano Juca? Ele ainda tá trabalhando na prefeitura?

      – Tá não. Infelizmente, ele tá debaixo de sete palmos de terra… Morreu! – respondeu Manuel.

      – Ôxi, meu Deus! Mas o Juca um cara tão moço e tão cheio de vida! Que coisa mais triste! Morreu do quê, o infeliz?

       E o Manuel:

       – Até que ele não morreu triste. Morreu sorrindo!

       – Ah, então morreu feliz!

       – Não foi bem assim. Meu mano Juca morreu sorrindo por causa da cócega!

      – Cócega?! Não entendi!

      – É que deram um tiro no sovaco dele!

 

Salvando do inferno!

      Inocentezinho, Juninho, filhinho adorado de dona Eleusa Pompeu, voltou da escolhinha e foi direto para os braços da mãe.

      – Maínha, é verdade que o Papai do Céu não gosta de ver bichinhos presos?- perguntou, aconchegando-se nos braços maternos.

      Dona Eleusa confirmou orgulhosa:

      – Isso, meu anjo. Papai do Céu fez os bichinhos para viverem livres, na mais completa liberdade!

      – E por que o tio Aderbal tem um monte de passarinhos dentro das  gaiolas?

      A mãe, que jamais simpatizou com o cunhado, explicou:

      – É porque o tio Aderbal não tem coração!

      – Então, ele não vai pro céu, não é maínha?

      – Isso, meu amor. Vai não!

      – Ele vai pro inferno, não é?

      – Vai, meu coração!

      O garotinho fez meia-volta e correu para a sala. Daí a pouco, voltou contentíssimo. Desconfiada, a mãe perguntou:

       – O que foi que você foi fazer na sala, meu querido?

       Muito contente, o fedelho respondeu:

       – Fui salvar o painho do inferno! Joguei pela janela do apartamento todos os peixinhos que tinha dentro do aquário dele!  

 

Saco cheio

       Com toda a sua arrogância e boçalidade, o professor Vanderlei Luxemburgo não estava conseguindo acertar o Flamengo e foi demitido pela presidente do time. Na véspera de receber o “bilhete azul”, ele falava com seus jogadores em sua última preleção:

     – Eu xoube que voxêis vão fazer um churrasco de dexpedida!

     Dando uma de capitão, Ronaldinho Gaúcho, que também estava pendurado, respondeu:

      – Vamos, professor!

      – Quando é que vai xer?

      E o elenco, numa sintonia só:

      – Assim que o senhor for embora!

 

Entendeu?

      Pergunta o repórter àquele jogador convocado para a Seleção Brasileira:

      – O que você achou da convocação?

      – Concordo em gênero e número ingual. O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente. Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros, e deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmo.