Ailton Villanova

19 de Maio de 2016

Pecado mortal em plena missa!

Com Diego Villanova


     Ex-seminarista, o Edelvais sempre se houve como exemplo de disciplina e de respeito ao próximo. Religioso ao extremo, frequentava a igreja diariamente e comungava todos os domingos. Poderia ter se ordenado padre, mas a avassaladora paixão que sentiu pela jovem Clorilda, com quem contraiu núpcias há mais de 20 anos, determinou marcha-a-ré na sua vocação sacerdotal. Ah, o amor!

     Com o passar dos anos, Clorilda ficou mais bela e sensual, exigindo do Edelvais, dia após dia, um esforcinho a mais para manter a escrita em dia. Quando ele já estava pedindo o boné, eis que surgiu no cenário o milagroso “Levantil”, muito mais potente do que o famoso Viagra.

     Por causa desse comprimidozinho do tamanho de um grão de arroz, a reputação do amigão ficou mais suja do que macacão de mecânico. E… adeus igreja! Adeus Congregação Mariana!

     Tempos depois de haver cumprido exílio voluntário e ainda morto de vergonha pelo que aprontara, Edelvais procurou seu melhor amigo, o também ex-seminarista Luizinho Canuto, para desabafar:

     – Estou vivendo um trama terrível, em razão de um ato insano que cometí. Aliás, um pecado gravíssimo!

     – Já ví que a coisa é seria mesmo!

     – Se é? Bote sério nisso!

     – O que de tão grave aconteceu?

     – Eu achei de tomar um comprimido de Levantil…

     – Levantil?

     – … antes de sair de casa para ir à missa, com a Clorilda.

     – E aí?

     – E aí, meu amigo, estaria tudo bem se a Clorilda não me houvesse provocado.

     – Como assim?

     – Ela deu uma cruzada de perna que me deixou maluco! Quando reparei naqueles coxões, me deu um tesão irreprimível!  Aí, encostei a minha mão, de leve, naquelas coxas lindas. Pra quê, meu amigo! Acometeu-me uma ereção incontrolável e então me enrolei com a Clorilda. Tirei-lhe a roupa, desci minhas calças e fizemos amor ali mesmo!

      – Ora, rapaz, não vejo nenhum pecado nisso!

      – Qual que não é, meu irmão? Dentro da igreja, em plena missa!

 

 

Ôba! Viva a Mercedes!

 

     Farrista, mulherengo e apreciador de um bom prato, ceguinho Bertulino, o “Botinha”, adorou saber que haviam inaugurado um restaurante no Barro Duro, seu território predileto, desde que arribou de Delmiro Gouveia para a capital. No alto Sertão, ficou famoso pelo seu excepcional olfato e apuradíssimo intérprete de paladares.

     Bom, sabedor da instalação dessa nova cada de rangos, ele montou num taxi e se mandou pra lá. Entrou no recinto de venta acessa e já com água na boca. Sentou-se diante de uma mesa adornada com um jarrinho de flores, levantou o braço e chamou:

     – Garçom! Um garçom aqui, por favor!

     O solicitado chegou junto e Botinha pediu:

     – Me arrume, por gentileza, um cardápio em braile.

     – Infelizmente não temos, senhor. – respondeu o garçom.

     – Não faz mal. Vou fazer como fazia quando morada no interior… Me traga uma faca suja da cozinha para eu provar a comida.

     O garçom achou estranho o pedido, mas atendeu. Pegou uma faca usada da cozinha e deu pro ceguinho Botinha. Ele lambeu a dita cuja e disse:

      – Hmmmm! Excelente tempero! Filé ao molho madeira. Pode me tazer esse prato mesmo!

      O garçom ficou espantado com o cara, que voltou lá no dia seguinte e repetiu o ritual anterior:

      – Hmmmm! Medalhão de frango com batata palha. Traga!

      Ao longo de toda a semana a cena se reproduziu: o ceguinho pedindo a faca, dando uma lambidinha e advinhando o prato. Mas, aí, o garçom, muito do filho da puta, resolveu sacanear o Botinha. Assim que ele voltou lá no outro dia, o canalha pegou uma faca levou à cozinha e disse à cozinheira Mercedes, com a qual estava casado havia pouco tempo:

      – Amor, eu tô a fim de aprontar com um ceguinho que tá aí fora. Passa essa faca na perereca…

      Meio cabreira, a cozinheira passou a faca naquela parte íntima e a devolveu pro sacana do marido, que a levou pro ceguinho:

      Botinha passou a língua, cheirou, deu uma parada, arqueou as sobrancelhas e vibrou:

     – Ôba! Que lega, meul! A Mercedes está trabalhando aqui!

 

 

Sempre errando o buraco!

 

     Boêmio, solteirão, ingressando na faixa do 50, o empresário pernambucano Suplinandio Bicalho adorava gastar a grana que faturava no ramo imobiliário, com belas mulheres e viagens por esse mundo afora. Só não tinha visitado o Japão. Um dia, decidiu que pintaria por lá. E pintou!

     Bicalho pegou um avião no aeroporto dos Guararapes e tomou o rumo de Tóquio, a pretexto de conhecer as novidades do mercado imobiliário nipônico. Depois que se ajeitou no hotel, ele aproveitou o dia para ver o que pôde. À noite, deu garra de uma japinha de programa e a levou pro seu quarto, no hotel. Ele sem falar uma só palavra em japonês e ela sem saber pronunciar um “ai” em  português. Mas… pra quê diabo de idioma, se o sexo fala mais alto, não é verdade? E foi o que trataram de fazer, sem mais delongas.

     Orgulhoso de ser um bom garanhão, Bicalho mandou ver. Daí a pouco, a japinha começou a gemer e a gritar “Shagakai kuti! “Shagakai kuti!” Aí, ele se entusiasmou mais ainda. Quanto mais a garota repetia “Shagakai kuti!”, mais ele caprichava no barato. Horas mais tarde, crente que havia arrasado, ele largou a japonesa e correu pro banheiro, de pernas bambas, onde tomou um baita dum banho quente.

     Dia seguinte, logo cedo, deixou o hotel para cumprir um roteiro de visitas ao setor de marketing de certa firma imobiliária e foi aí que recebeu o convite de um empresário local para participar de um jogo de golfe, na parte da tarde. Ele foi.

     Começou a partida e o japa de uma só tacada acertou o buraco. Aí, nosso bom Bicalho resolveu fazer uma média com o cara, usando a expressão que aprendera na noite anterior:

     – Shagakai kuti! Shagakai kuti!

     Surpreso, o japonês perguntou em excelente português:

     – Hein? Buraco errado por quê?