Ailton Villanova

18 de Maio de 2016

Se convencer a madame… tudo bem!

Com Diego Villanova

 

     Um sujeito adiposo, com um chapelão atolado na cabeça até as orelhas, entrou na loja de implementos agrícolas do cidadão Heperástio Lindoso, dirigiu-se a este e perguntou:

     – O senhor tem ordenhadeira mecânica?

     – Temos sim, senhor. Temos dois modelos : o Standard e o Super Star, os dois de fabricação nacional.

     – Qual é o mais barato?

     – Naturalmente que o Standard… é menor e mais simples.

     – Então, me dê esse aí – decidiu o freguês.

     – Pois não. Mas, me desculpe a curiosidade… quantas vacas o senhor possui?

     – Apenas uma!

     Lindoso sempre foi um sujeito justo e escrupuloso. De modo que achou conveniente ponderar com o freguês:

     – Mas, meu amigo, não acho que o senhor precise de uma ordenhadeira para uma só vaca. O senhor pode ordenhá-la manualmente mais rápido do que o tempo necessário para pôr a máquina em funcionamento.

     – Mas eu quero a ordenhadeira! O senhor vai me vender ou não vai? – teimou o cliente.

     – Pra mim, tudo bem. Eu vendo a ordenhadeira. Eu só queria alertá-lo.

     Efetuada a compra, o camarada pediu ao Heperástio Lindoso que mandasse colocar o equipamento na carroceria de sua caminhoneta, que se achava estacionda na porta da loja. Lindoso atendeu ao pedido, mas, movido, ainda, pela curiosidade, não se aguentou:

      – O senhor se importaria de me dizer por que essa insistência em comprar a ordenhadeira, mesmo depois do aviso que lhe dei?

      O comprador aquiesceu:

      – É o seguinte… eu comprei uma vaca há uns quinze dias, e botei no meu sítio. Na primeira vez que fui ordenhá-la, me coloquei no seu lado esquerdo e a danada meteu a pata esquerda no balde. Então, passei pro lado direito e ele deu outra patada no balde. Aí, o que fiz? Usei a inteligência e tentei ordenhá-la por trás. Não deu porque a infeliz enfiou o rabo no balde. Pensa que desistí? Desistí não. Peguei a pata direita e amarrei num tronco que tinha ao lado e a pata canhota também atei numa argola afixada na parede esquerda…

     – E o rabo?

     – Ah, o rabo? Esse eu prendi na viga do teto. Agora, se o amigo conseguir convencer a minha mulher que o que eu quero é somente tirar o leite, eu não preciso comprar a ordenhadeira.

 

 

Enfim, encontrou a paz!

 

     Dois antigos colegas de trabalho se encontraram na rua:

     – Há quanto tempo, hein, Josafá? Depois que a gente se aposentou nunca mais se viu!

     – Tempão, né, Ebenézer? E aí, tem visto o nosso antigo chefe?

     – O doutor Ramiro?

     – Ele mesmo.

     – Finalmente o doutor Ramiro encontrou a paz!

     – Não me diga que ele morreu!

     – Não, não. Ele tá vivinho. Quem morreu foi dona Estricásia, a sogra dele.

 

 

Transa eletrificada 30 anos depois

 

    Na véspera de completar 30 anos de casado com dona Ismênia, o distinto José Carneiro inventou de comemorar o aniversário das bodas retornando aos lugares onde ele e a mulher haviam estado durante a lúa-de-mel. Pegaram carro e saíram estrada afora.

     Dia escuredendo, ao passarem por uma fazenda, já em território pernambucano, avistaram uma cerca margeando a estrada, e aí a madame falou:

     – Nego, tá lembrado dessa fazenda?

     – Tô!

     – Então, pare aí e vamos fazer o que nós fizemos há trinta anos atrás.

     Carneiro adorou a idéia. Encostaram na cerca, a mulher se arrumou toda e ele mandou a chavasca pra frente. Os dois fizeram amor como nunca!

     De volta ao carro, o marido observou:

     –  Pelo amor de Deus, minha filha! Você nunca se mexeu  tanto daquele jeito, nesses anos todos!!!

     Madame explicou, de olhos piscando:

     – É que há trinta anos atrás a cerca não era eletrificada!

 

 

Um papo para terminar depois

 

     Nove anos e meio cumprindo prisão, Maria Aldrúzia finalmente recebeu da Justiça o alvará de soltura, “por bom comportamento”. Feliz da vida e toda lampeira, estava abrindo a porta da cela para ir embora e aí virou-se para a companheira com quem dividira aquele espaço, durante quase uma década:

     – Tchau, viu parceira? Depois eu te ligo pra gente continuar aquele papo que começamos quando cheguei aqui!

 

 

No prato do cachorro

 

     Gente fina, o auxiliar de pedreiro Simplício Calixto convidou o colega  Ananias Vicente, com o qual trabalhava numa construção no bairro da Jatiúca, para almoçar em sua casa. Ananias topou, mas com uma condição:

     – Antes, a gente passa no quiosque do Mandim e toma uns grogues de cachaça, pra abrir o apetite, combinado?

     – Combinadíssimo!

     O dia era um sábado. Simplício e Ananias chegaram a casa do anfitrião alí pelas duas da tarde, meio biritados. Meia hora depois, estavam iniciando a sessão de mastigação. Durante o almoço, o cachorro da casa não tirava os olhos do visitante. Cabreiro, ele perguntou ao colega:

      – Simplício, por que é que esse cachorro tá me encarando tanto?

      – Por nada não, Ananias. É que você tá comendo no prato dele!

 

 

Acordando fora de hora

 

     Quando clinicava em Lisboa, o médico alagoano Nilton Jorge Melo recebeu em seu consultório um certo Francisco Martins, cuja cara era de preocupação:

     – Doutoire, estou a sofreire com um problema terrível!

     E o Niltão, tranquilo como sempre:

     – Relaxe, e me conte direitinho o seu caso.

     – Tá bain, doutoire. O caso é que todos os dias, impreterivelmente, eu acordo às 6 horas e faço cocô às 7 em ponto. Eu não aguentou mais!

     – Mas isso é ótimo, meu amigo!

     – Ótimo? Como ótimo, doutoire? Acontece que só acordo às oito!

 

 

A letra era dela!

 

     Seu Coriolano entrou em casa fumaçando. Chamou a esposa e disse pra ela:

     – Ditinha, o namoro de nossa filha com esse tal de Júlio não dá certo!

     E a mulher:

     – Por quê?

     – Porque ele é um pervertido! Escreveu “eu te amo” no muro!

     – E daí?

     – Daí que ele escreveu com xixi!

     – Mas qual é o problema, meu velho?

     – É que a caligrafia é da nossa filha!