Ailton Villanova

1 de Maio de 2016

Incentivo à natalidade

             Para mostrar serviço, ou para enganar os tolos, Governos apreciam muito bolar idéías. No atual, então, elas têm surgido de lapada, porque o próximo ano é ano eleitoral. Agoramente – conforme diria o coronel Odorico Paraguassu -, estão lapidando uma tal de Medida Provisória instituidora do “Incentivo à Natalidade”, cujo cumprimento é tão obrigatório quanto a  fiel observância à lei de votar. Prevê a tolerância de cinco anos, a partir do casório, para que marido e mulher tenham pelo menos um filho.

             A MP do “Incentivo à Natalidade” chama bastante a atenção dos        casais para o seguinte: se no fim do prazo de cinco anos não conseguirem ter  ao menos um filho – aí é que está! – o governo destacará agentes auxiliares para gerarem crianças, mediante contatos íntimos com as respectivas mães.

             Nesse embalo, nessa onda, registrou-se o seguinte drama:

             Preocupadíssima, madame Aristárcia abordou o marido Abionésio mal ele entrou em casa, de volta do trabalho cansado pra cacete:

             – Amor, estamos compleando hoje 5 anos de casados e não tivemos nem um filhozinho prá remédio. Será que o governo vai mandar mesmo o tal agente que andam falando na imprensa, na TV e no rádio? 

             – É possível que sim…

             – Ai, meu Deus! E se ele vier mesmo?

             – Não posso fazer nada, não é meu amor? Lei é lei!

             A noite transcorreu tranquila. Dia seguinte quando o Abionésio saiu para o trabalho, bateram à porta. Madame Aristárcia abriu e deu de cara com um sujeito de boa aparência. Tratava-se do fotógrafo Películo Flexa, que havia se enganado de endereço:

              – Bom dia, madame! Eu sou…

              – Ah, já sei. Pode entrar.

              – Obrigado. Seu esposo está?

              – Não. Acabou de sair pro trabalho.

              –  Presumo que esteja a par…

              – Sim, ele está por dentro de tudo. Eu também concordo.

              – Ótimo. Então, vamos começar.

              – Mas, já? Tão rápido!

              – Preciso ser breve, porque ainda tenho quinze casas pra visitar.

              – Minha Nossa!!! O senhor aguenta?

              – O segredo é que eu gosto muito do meu trabalho. Me dá muito prazer!

              – Então, vamos começar… Como faremos?

              – Permita-me sugerir: uma no quarto, duas no tapete e duas no sofá.

              – Serão necessárias tantas assim?

              – Bem, talvez possamos acertar na mosca já na primeira tentativa.

              – O senhor já visitou algumas casas neste bairro?

              – Não, mas tenho algumas amostras do meu trabalho (mostrou algumas fotos de crianças). Não são lindas?

              – Lindíssimas! Foi o senhor mesmo quem fez?

              –  Todas. Veja esta aqui, por exemplo. Foi conseguida na porta de um supermercado.

              – Que horror! O senhor não acha muito público?

              – É que a mãe queria muita publicidade. Veja esta outra. Foi em cima de um ônibus. Foi um dos serviços mais difíceis que eu já fiz… imagine só.

              – Claro que eu imagino. Ainda bem que eu sou muito discreta e não quero ninguém me olhando.

               – Ótimo. Eu também prefiro assim. Agora, se me dá licença, preciso arrumar o tripé.

               – Tripé???!!!

               – Sim, madame. O negócio além de pesado, depois de armado mede quase meio metro…

                 Aristárcia caiu estatelada no chão. Infartada.

 

 

Baiano radical

 

                 Dando um de turista em Salvador, o Zezito Frazão encontrou um amigo baiano, residente naquela capital. Depois do abraço no cara, ele indagou:

                 – Ô Anselmo, fiquei sabendo que você tá praticando um esporte radical, é verdade?

                 – Verdade, meu rei. É adrenalina pura!

                 – Qual é o esporte?

                 – Jogo de ximbra!

 

 

Ditão, o mulherengo

 

                 Praia da Jatiúca. Encostado no balcão de uma barraca, o malandro Ditão, um tanto quanto biritado, expressava o seu ponto de vista a respeito da família, pro amigo Esmerivaldo “Boquita”:

                 – Eu te digo, mano velho, sou um cara muito ligado ao barato familiar. Sou a favor de famílias grandes, certo?

                 – Tá certo. É isso aí. Mas  por que você defende tanto essa idéia?

                 – Simples. Eu tenho seis mulheres!

 

 

Doadora nojenta

 

                  Campanha governamental em favor do Hemoal. Envolvidos médicos, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos e uma fila enorme de doadores voluntários. Aí, chega a vez de uma bicha, muito doida, ser atentida. A enfermeira perguntou:

                   – Você é doadora de sangue há muito tempo?

                   E a bicha:

                   – Doadora de sangue? Vôte! Eu sou é doadora de fiofó!