Ailton Villanova

29 de Abril de 2016

Remédio pra bêbado

                       Problemas na vida do Neuseálio Bertoldo são apenas três (probleminhas safados, diga-se de passagem). Primeiro deles é simplesmente ter nascido; segundo, haver se casado com a veteraníssima Rumbélia, cuja cara é capaz de provocar pavor em qualquer lubisomem metido a besta e, finalmente, terceiro, resumido-se no fato de pensar que um dia irá parar de beber. Não importa possa vir essa tragédia ocorrer, quando ele esticar as canelas. Fora isso, não se pode negar que o infeliz até pode ser considerado um sortudo.

                        Sortudo pelo seguinte: até o dia em que vier a falecer, ele não precisará trabalhar, porque a Rumbélia lhe garante casa, comida, ropa lavada e… muita birita. É que ela herdou do pai, dr. Eutórpio, uma nota preta.  Feia  pra cacete, comprou o “passe” do marido numa noite de festa junina em Chã Preta, quando ele se achava em pré-coma alcoólica.

                         Sempre ocupado com incontáveis compromissos alcoolíferos, o Neuseálio só pinta em casa – quando pinta – uma vez na vida. E foi numa ocasião dessas que ao adentrar ao lar deparou-se com uma cena terrível: a mesa toda desarrumada com os restos de comida do dia anterior. Da mulher, nem sinal.

                         Morrendo de fome ele resolveu fazer uma boquinha, ou melhor, devorar tudo o que viu pela frente. Como o seu estado não era dos melhores, ele acabou comendo um rato que estava de bobeira em cima da mesa.

                          Percebendo a burrada que fez, Neuseálio se mandou à procura de um hospital. Depois de rodar em ziquezague, e pra cima e pra baixo, por ruas e mais ruas do bairro do Farol, ele deu de cara com um muro branco. Estacionou o carro e disparou pra dentro, sem reparar que aqulo na verdade era um hospício.

                          – Me ajuda, doutor! – ele gritou para o primeiro cara de branco que encontrou. – Eu engoli um rato, doutor! O que eu faço?

                          Acontece que o cara de branco não era médico coisa nenhuma! Era um doido, que achou de tirar uma onda de doutor. Ele examinou o Neuseálio e lhe prescreveu uma receita.

                          Neuseálio saiu do hospital direto para a farmácia. Mal entrou lá, gritou pro rapaz que atendia ao balcão:

                          – Meu amigo, eu engoli um rato e o médico me deu essa receita. Traz esse remédio urgente!

                          O farmacista olhou pra receita e caiu na gaitada.

                           – Quê que foi? – perguntou Neuseálio, desconfiado. – Tá rindo do quê?,

                           O farmacista exibiu a receita:

                           – Olha só o que está escrito: “Tomar um gato de duas em duas horas e colocar uma ratoeira no fiofó”.

 

 

 

Brincando de exorcista     

 

 

                             Boteco do Bigode, Cruz das Almas. Noite descambando para a madrugada e a dupla Erquistácio e  Duprélio enchendo a cara. De repente, o primeiro anunciou:

                            – Vou parar, mano. Agora é só ir pra casa e começar

a brincar de exorcista com a minha mulher!

                            – Exorcista?! Como é que é brincar de exorcista?

                            – Simples! Ela se faz de padre, fala um sermão e eu vomito!

 

 

Hora sem o zero

 

                            Esta teve como protagonista o saudoso companheiro Jorge Vilar, e ainda hoje circula pelo Brasil em tom de anedota, graças a seu cunhado Emanoel Rodrigues ( ex-Tv Globo, ex-Tv Record),  redator de humor dos mais laureados Américas.

                            Boêmio, o Vilar chegou em casa biritado, alta hora da madrugada e entrou no quarto silenciosameente para não acordar a mulher. Porém, na hora em que ele estava se deitando ela acordou e bronqueou:

                            – Bonito! Isso são horas de um homem casado chegar em casa?

                            – Ué, são só 10 horas, meu amor!

                            – Como é que eu ouvi o relógio tocar só uma vez?

                            – Claro, né meu amor? Ou você queria que ele batesse o zero também?

 

 

Palavra monossilaba

 

                              O bêbado entra no ônibus e se senta ao lado de uma freira que estava se distraindo com um livro de palavras cruzadas.

                               A religiosa passou o rabo de olho no cara e viu que ele também estava ligado no livro. Aí, ela provocou o bebão, sem tirar os olhos das palavras cruzadas:

                               – É feio e, ainda por cima, tem um fedor insuportável:

                               O pinguço olhou para a freira, olhou para o livro e disse:

                               – Se for com duas letras é c…(*)!

 

 

 

Água suja

 

                               O Orégano pegou o dinheiro que ganhou na loteria e investiu na aquisição de um bar, na praia do Mirante da Sereia. Mas faliu depressinha. É que toda vez que despachava uma birita pro freguês, bebia duas, ” só para acompanhar”. Questão de solidariedade.

                               Um dia chegou um freguês e pediu um copo d'água. Aí, o Orégano, aquelas alturas já biritado, serviu pro cara uma água que estava parada na pia. Aí, o freguês reclamou:

                                – Moço, esta água está suja!

                                – E o que você quer? Que eu lave ela?