Ailton Villanova

26 de Abril de 2016

Enfim, mataram a cobra

            A casa estava mergulhada no mais profundo dos silêncios. Nem um zumbido de mosquito se escutava. De repente, surgiram gemidos e chiados, detalhes que colocaram em alerta o garoto  Cacá, que dormia no andar de cima, no quarto pegado ao dos pais Carlão e Margô.

            – Hmmmmm… Ui, ui… Oooohhh… Aaahhh… eram os gemidos. 

            Curioso, e ao mesmo tempo preocupado, o pentelho pulou da cama e desceu pé ante pé, desmonstrando destemor. O que estaria acontecendo? Juntando cautela à coragem, o menino entrou na sala escura e ficou observando. A cena que viu, o impressionou bastante: Cidinha, 19 anos, sua irmã mais velha, no maior abufelamento com o namorado, em cima do sofá. Rapidinho, ele meteu o dedo no interruptor e… iluminou o ambiente.

              – Eita!  maninha! O que é isso?- gritou o garoto.

              Barato cortado, todos foram dormir, mas no dia seguinte, de manhã logo cedinho, Cacá contava pra mãe tudo o que vira:

               – Mãinha, a Cidinha e o namorado dela apagaram as luzes, ele ficou agarrado com ela, apertando com tanta força, que a pobrezinha adoeceu! Você precisava ver, mainha. A cara da Cidinha ficou tão vermelha! Ela começou a gemer e o Felipe colocou a mão dentro da blusa pra sentir o coração. Acho que ele também ficou doente, porque os dos ficaram sem respiração. Só  gemiam. Depois de algum tempo, consegui ver o que estava provocando aquela doença: uma cobra enorme tinha saltado das calças dele. Assim que a Cidinha viu a cobra, agarrou a bicha pra que ela não fugisse. Não foi muita coragem da maninha, mãe?

                – É… foi.

                – De repente, mãinha, não sei porquê, a Cidinha ficou braba e tentou enforcar a cobra. Nisso, o Felipe tirou do bolso um saquinho plástico meio comprido, que tava todo enroladinho, e enfiou a cobra dentro!

                 E a mãe sufocada, escandalizada:

                  – Ai, meu Deus! Não acredito!

                  – Pois acredite, mãinha. Ainda tem mais.

                  – Tem?

                  – Tem. Ao ver a cobra no saquinho, Cidinha se deitou no sofá e prendeu ela entre as pernas, mas os dois tentavam esmagá-la entre eles, barriga com barriga…

                   – Oooohhh!

                   – A Cidinha e o Felipe quase viraram o sofá de tanto esforço e até soltaram gritos de alívio, quando a cobra morreu.

                   – A cobra morreu???!!!

                   – Morreu. Morreu porque eu vi o Felipe esfolá-la e jogar a pele dela pela janela!

 

 

 

Sujeito chato

 

                      No  salão da cabeleireira Maria Creusa, no Farol, duas madames conversavam enquanto aguardavam a vez de serem atendidas.

                      Dizia a primeira:

                    – Não estou suportando ir ao cinema, logo eu que era viciada nisso…

                    – Mas por que Lucinda? – indagou a segunda.

                    – É por causa daquele gordo chato pra cacete que fica o tempo todo ao meu lado!

                    – Ué, por que você não muda de lugar?

                    – E eu posso? Ele é o meu marido!

 

 

Cliente diferenciada

 

                    Consultório do doutor Dragnésio Lopes, sujeito muito estranho.

                     Encontrava-se o referido bem à vontade no aguardo de pacientes, coisa rara, quando emboca na sala de consultas a atendente Astigmatilde, de olhos arregalados:

                     – Doutor, tem uma barata enorme na sala de espera!

                     E ele:

                     – É convênio ou particular, minha filha?

 

 

 

Até que enfim!

 

                    Na proverbial Praça do Centenário, bairro do Farol,  hoje toda cheia de luzes e cores, um cão de rua dizia à um colega:

                     – Au, aurrr grof… au au!

                     Tradução:

                     – “Finalmente colocaram luz no nosso banheiro”

 

 

Já estava louca

 

                     Na fazenda experimental do governo, localizada na Zona da Mata, uma vaca perguntava a outra vaca:

                      – Muuuu…mon, muuu onn?

                      Tradução: “Você não tem medo de pegar essa doença chamada 'vaca louca', que anda por aí?”

                       E a outra, com a devida tradução: – “Tá maluca? Tá vendo não que eu sou um coelho?”