Ailton Villanova

7 de Abril de 2016

Sutileza Matuta

     José Juvelino – Zezinho de Juvêncio, conforme é sobejamente conhecido -, é um matutão do interiorzão das Alagoas. Trabalhador, mais ou menos analfabeto, ele conseguiu contrair núpcias com a morena bonitona e gostosona intitulada Durvaliana. Para todos os efeitos, e até prova em contrário, a madame em referência é considerada eloquente exemplo de mulher honesta, decente. E como o Zezinho de Juvêncio se orgulha dela!

      Durvaliana adora estimular a tara dos machos de Delmiro Gouveia. Todas as tardes ela, vai à padaria do português Manuel Pereira rebolando o bundão e trotando, conforme fazem essas modelos esqueléticas na passarela. Mas tem uma coisa com ela: não olha pros lados, só pra frente.

     Religiosa, Durvaliana só comparece à missa de braço dado com o marido Zezinho, que se acha o homem mais sortudo do mundo.

     Apesar da colher-de-chá que costuma dar pra galera masculina, caboco nenhum jamais ousou dizer tenha curtido uma horizontal com a Durvaliana. 

     Belo dia, Zezinho de Juvêncio, o felizardo marido, teve de fazer uma viagem à São Paulo e deixou a gostosura sozinha em casa. É quando resolveu visitá-la o compadre Timóteo, baixinho adiposo, portador de bigode e costeleta volumosos:

     – Bom dia, comadre! – disse o cara da soleira da porta. – Vim ver se a senhora está precisando de alguma coisa, já que o compadre viajou, né?

     – É verdade, compadre. Chegue mais pra dentro, venha!,

     Compadre entrou, os dois ficaram cara a cara, um olhando pro outro meio sem jeito, já que não estavam acostumados a ficarem a sós. Sem outro assunto para aquele momento, compadre Timóteo saiu com esta conversa furada:  

      – Será que vai chover, comadre?

      – Pois é… – disse ela, toda cheia de acanhamento.

      Fez-se um grande silêncio na sala. Até que o compadre se encheu de coragem e resolveu quebrar aquele gelo:

      – Comadre, o que você acha? A gente transa ou toma chá?

      Timidamente, ela respondeu:

      – Ah, compadre… você me pegou sem pó!

 

 

 

 

 

 

 

Marido Fujão

 

      Amigonas, duas madames se encontram na fila da padaria:

      – Teobalda, que bom te ver, mulher! Como tu estás? Eu soube que o teu marido fugiu com a tua empregada, é verdade?

      – É, sim. Foi na semana passada.

      – Mas que horror! Logo com a empregada! Como está se sentindo?

      – Ah, eu estou me virando. Na verdade, não me encomodei nem um pouco. Eu já estava querendo mandá-lo embora mesmo.

 

 

Comparando bem…

 

       Malandrinho, o garoto Asnobrinho foi tomar satisfações com o dono da quitanda para a qual trabalhava, ao ser cientificado que estava demitido:

       – Puxa, seu Aristarco, só porque peguei duas maçãs, o senhor me mandou embora!

       O quitandeiro respondeu:

       – Ué!  E Adão e Eva que perderam aquela moleza toda no Paraíso por causa de apenas UMA maçã?

 

 

Pra quê o pai?

 

       Vez ou outra, o pentelho Cacá deixa seus pais Carlão e Margô embasbacados. Dia desses, pegou a mãe desprevenida:

       – Manhê, foi a cegonha que me trouxe aqui pra casa?

       – Foi, meu filho. – respondeu a mãe.

       – E é Jesus que dá pra gente o pão de cada dia?

       – Sim, meu amor.

       – Mais uma coisa. É o Papai Noel que dá os brinquedos no Natal?

       – É isso mesmo!

       – Então, pra que serve o papai?

 

 

Explicação infantil

 

      Hildinha, garotinha esperta, perguntava à amiguinha Neidinha:

      – Por que os bebês sempre nascem à noite, você sabe?

      E a amiguinha:

      – É porque toda noite as mães estão em casa! 

 

 

Enxergando Melhor

 

      O Alcebíades andava aperreado com a visão. Aí, procurou o oftalmologista Léo Montenegro:

       – Qual é o seu problema, meu amigo? – perguntou o doutor

       – Meu problema é o seguinte… eu ando vendo um monte de manchas borradas na minha frente…

       – Calma! Vamos experimentar aqui uns graus, certo?

       Dito isto, doutor Léo sentou o cara naquela poltrona toda cheia de luzinhas coloridas. Em seguida, ajustou nas vistas dele aquele instrumento que possui graus rotativos.

        – Que tal?

        E o Alcebíades, entusiasmadíssimo:

        – Aaahhh, doutor! Melhorou bastante! Agora as manchas estão muito mais nítidas!