Ailton Villanova

15 de Março de 2016

Ligação atrapalhada

     O gordinho Guadalniberto Alcoforado (belo nome, hein?), metro e meio de tamanho e 120 quilos de peso, é que nem uma bola gigante. Rendondo, ele não anda, rola. Gente fina, Guadalniberto foi o grande amor da Tercilinha Cabral, quando esta também era redondinha, entretanto formosa, apesar das gordurinhas sobrando pra tudo quanto era lado. Um dia, ele foi escanteado pela amada e passou a sofrer de um mal terrível: “disenteria ansio-nervosa”, conforme diagnosticou o doutor Cloretânio Asterbaldo. Quando mais saudade ele sentia da baixinha, mas ele se borrava, não importava onde estivesse.

     Numa certa ocasião, lá ía o nosso amigo dirigindo o seu carango pela orla marítima da Pajuçara, à procura de um lugar onde o vento soprasse mais frescamente, quando avistou dando a maior sopa no passeio público, a figura esbelta da amada (que já não possuía mais as gordurinhas de antes), vestindo um biquini sumaríssimo. A plástica que ela àquelas alturas Tercilinha exibia, era negócio para humilhar qualquer miss universo.

     Guadalniberto não conseguiu segurar a emoção. Quase bateu o carro num poste. Sobreveio-lhe uma terrível dor-de-barriga, prenúncio de uma diarréia sem precedentes. O gordinho parou o carro em frente a um frestaurante e disparou pro toalete, segurando a barriga. Bateu na primeira porta do WC Masculino, o infeliz estava ocupado. Partiu pro segundo, sentou-se no vaso sanitário e  quando principiava a derrubada daquele barro esperto, escutou o cara do sanitário ao lado dizer:

     – E aí, cara, tudo bem?

     Embora aperreado e não ser de muita conversa, o gordinho Guadalniberto respondeu:

     – Aaaarrrgh… Tu… tudo bem…

     Novamente o cara do lado perguntou:

     – E então, o que você anda fazendo?

     Conquanto começasse a achar o assunto estranho, o gorducho retrucou:

     – Bem, estou aqui no banheiro… Depois vou pra casa. Por quê?

     Chateado, o sujeito resolveu encerrar o papo:

     – Olha, Gilvan, eu te ligo depois. Tem um sujeito, muito chato, cagando aqui ao lado, que me responde cada vez que lhe faço uma pergunta…

 

 

Economista precoce

 

     Bastante ocupada com as tarefas domésticas, mamãe Bleine Oliveira chamou o filhinho Marquinhos e pediu que ele levasse uma carta à agência do Correio, que ficava bem perto de casa:

     – Olhe, meu querido, muito cuidado, hein? Esse dinheiro aí é pra você comprar os selos, ouviu bem?

     – Claro, mãe.

     O menino girou nos calcanhares e se mandou pro Correio. Meia hora depois voltou chupando picolé.

      E a mãe:

     – Ô meu filho, onde você arrumou dinheiro pra comprar picolé?

     – Aconteceu o seguinte, mãe… o pessoal lá do Correio tava distraído e aí eu botei a carta na caixa. Nem precisei comprar o selo. Então com o dinheiro que eu economizei, comprei picolé!

 

 

Antropofagou!

 

     Toda lampeira, a bicha intitulada Arethuza entrou no restaurante do Duda, na Barão de Penedo, e dirigiu-se ao Javan, filho e sócio do dono. Deu aquela desmunhecada e pediu:

     – Ô meu lindo, me veja aí um bife com fritas, por favorrr. E… olha, no capricho, hein?

     O Javan é um rapaz espirituoso. Vez ou outra está tirando uma onda com a freguesia. Ele foi até a cozinha, demorou lá um pouco e levou, ele próprio, o prato pedido pela bicha:

     – Aí está! No capricho, como você pediu!

     Arethuza pegou o garfo e a faca, cortou o bife, provou e…

     – Afe! Que delícia! É carne de que, hein, meu lindo?

     O Javan, então, resolveu curtir um sarro com a cara da bicha:

     – É carne de veado!

     A boneca botou a mão na boca e rebateu:

     – Cruzes! Virei antropófaga!

 

 

Sábio conselho

 

     O velho Abrúcio Botelho foi visitar o amigo e antigo parceiro de boemia Antenor Santiago, que se achava acamado com uma bruta pneumonia. Seu peito chiava mais do que disco musical velho. O visitante observou que o doente só tomava chá de eucalípto. Aí,  resolveu chamar-lhe a atenção:

     – Ô Antenor, não fica tomando só esse chazinho que não resolve

nada!

     – Ué, e o que é que eu faço?

     – Faça como eu. Quando eu tô doente, vou ao médico. Afinal de contas, médico precisa viver. Aí, com a receita, eu vou à farmácia e compro todos os remédios, porque o farmacêutico também precisa viver. Quando chego em casa, pego toda aquela merda de remédio e jogo fora. Afinal, eu também preciso viver!

 

 

Cavalo mecânico

 

      Viajando pelo interior ao volante do seu carro, o prestamista Vitalébio sentiu que o veículo começou a falhar, até que pifou de vez. Sem entender bulhufas de mecânica de veículos,  mesmo assim ele abriu o capô e começou a mexer no motor, sem chegar a conclusão alguma. Foi, então, que escutou uma voz misteriosa:

      – Veja aí o cabo da vela! Tudo indica que ele se soltou!

     Vitalébio olhou para todos os lados, mas não viu ninguém. A voz insistiu:

      – Veja o cabo da vela, rapaz! Deve estar solto ou isolado!

      Novamente o Vitalébio não viu uma viva alma, além de um cavalo que pastava próximo à cerca e que, naquele momento, espiava pra ele.

     Então, Vitalébio examinou o cabo da vela e confirmou que realmente ele estava solto. Aliviado, ligou o carro e seguiu o seu caminho. Logo adiante parou num boteco e  resolveu contar o ocorrido, enquanto tomava uma cerveja. O cara que atendia ao balcão perguntou, então:

     – De que cor era o cavalo que estava perto da cerca?

     – Castanho!

     – Você deu sorte. O cavalo branco não entende nada de mecânica!

 

 

Pacientes sortudos

 

     Pela manhã logo cedo, doutor Eutanásio Frank Stein chegou ao hospital e dirigiu-se à enfermeira plantonista:

     – Como vão os doentes, dona Mediastina?

     A enfermeira contou:

     – Morreram apenas cinco pacientes, doutor.  

     O médico arregalou os olhos:

     – E o que aconteceu com os outros seis?

     Ela explicou:

     – Não quiseram tomar o remédio que o senhor prescreveu.