Ailton Villanova

11 de Março de 2016

Velhinho saliente

     Viúvo há pelo menos uns 30 anos, o ancião Valdélcquio Gameleira, “Seu Déco”, 87 janeiros, sempre foi chegado a uma safadeza, isso desde quando começou a se entender “de gente”. Pra ele, mulher só novinha, cheirando a leite. A que faleceu, por exemplo, quando se casou com ele tinha 40 anos a menos. Garotona de 25 anos pra ele já é balzaquiana.

     Está completando seis meses que seu Déco caiu de amores por uma  cocotinha de arrazar quarteirão, chamada Suely. Está gastando os tubos com ela, já que possui uma grana preta guardada em bancos e um patrimônio invejável, traduzido em imóveis e ações.

     Seu Déco pegou a guria e instalou num luxuoso apartamento na orla marítima da Ponta Verde.

     Semana passada, o velhusco foi visto saindo do referenciado apartamento. Todo contente, ele falava para a companheira, na despedida:

     – Se comporte, viu minha gostosinha?

     E ela, exibindo um sensualíssimo shortinho e uma meia blusa, que mal davam para vestir o seu sinuoso e gostoso corpo:

     – Pode deixar, Dequinho. Eu me comporto, não se preocupe!

     Mal se pondo de pé e escorado numa bengala, o velho completou:

     – Acho bom você ficar se preparando pra minha volta, daqui a três meses, viu amorzinho?

     – Ah velhinho tarado! Você só pensa  nisso, amor? Desse jeito você vai acabar me matando!…

     Seu Déco desmaiou de emoção.

 

 

Tudo bem, mas…

 

     Moaclides, plataformista da Petrobras, passa um tempo considerável em alto mar. Normalmente, esse seu período isolado do mundo não excede os 15 dias. Em compensação, ele tira outros 15 em casa, de papo pro ar, na maior.

     Certa feita aconteceu de um colega do Môa adoecer e ele teve de dobrar o serviço na plataforma. Um mês distante da namorada Lurdinha, foi dose pra leão, apesar de falar com ela todos os dias,via Internet, através do seu lap-top. A conversa dos dois era cheia de declarações de amor, entremeada de promessas eróticas. Quando estava chegando o dia de retornar à terra, Môa usou recurso mais eficiente e direto para falar com a amada: o celular.

     – Amor, estou matando cachorro a grito! Estou doidão, está me escutando? – apelou.

     – Ooohhh, amor! Também estou doidona! – respondeu Lurdinha.

     – Estou fervendo…

     – Eu também!

     – Olha, meu amor, estou tão aloprado que vou querer tirar o maior sarro com você, lá mesmo no aeroporto. Se possível, leve um colchonete. Não estou aguentando mais!

     E a Lurdinha, se derretendo toda:

     – Tudo bem, mozão. Mas, acho melhor que você seja o primeiro a descer do avião!

 

 

O carro do Romildo

 

     O radialista Romildo Freitas, o melhor apresentador de programas de forró do Nordeste, sempre foi chegado a um carrinho velhinho. Nenhum dos seus colegas jamais se aventurou pedir uma carona pra ele. É que seus carangos nunca ofereceram segurança alguma.

     Romildo Freitas, entretanto, sempre foi caído por um Dodginho. A última vez que ele foi visto guiando um desses exemplares, foi num pedágio realizado por estudantes universitários, na Pajuçara.

     Romildo parou o carro diante da “barreira” formada pelos jovens – que cumpriam missão altruística em favor dos mais carentes -, quando um deles falou:

     – Moço, por favor… Dois reais e cinquenta centavos!

     Romildo pulou fora do carro e respondeu:

     – Vendido!

 

 

Cada filho de um jeito

 

     O médico e jornalista Ageval Dória ainda era acadêmico, quando se deu o episódio abaixo papeado.

     Ageval era estagiário de medicina no antigo Hospital de Pronto Socorro, encontrava-se de plantão no setor de emergência, quando chegou a notícia dando conta que uma gestante, residente num grotão do Tabuleiro do Martins, estava para ter bebê. Era noite e, para se deslocar até lá, a tarefa não era das mais fáceis: não havia luz na região e a estrada tinha mais buraco do que tábua de pirulito. Mas ele foi, pilotando o seu fusca.

      Depois de muito sacrifício, Ageval Dória chegou ao ponto indicado. Quando bateu na casa da parturiente, teve uma surprêsa. Ela já tinha dado a luz à um garotinho, passava bem e dava de mamar ao recém-nascido, numa boa.

      – Quantos filhos a senhora já teve? – quis saber o então pelanco de médico.

      – Sete. – respondeu a madame.

      – Todos do mesmo jeito?

      E a parturiente:

      – Que nada, doutor! Três foram na cama, um naquele sofá velho alí da sala, outro na pia da cozinha e dois no matinho detrás de casa…

 

 

Pergunta imbecil, resposta na medida

 

      Flatulênio Resedá é um gordo imbecil que nunca deu um dia de serviço na vida. Sua única ocupação é a de viver soprando numa gaita irritante, pra cima e pra baixo. Por sua semelhança com um certo apresentador de televisão, ganhou o apelido de “Faustão”. É tão chato quanto aquele que inspirou o cognome.

      Sem ter o que fazer, Faustão vive enchendo o saco dos outros com piadas sem graça nenhuma, quando não está soprando a tal da gaita. Outro dia, ele se achava na barraca do Ary, localizada em Cruz das Almas, quando entrou no ambiente um grupo de garotas com carcterísticas orientais, tudo indicando que elas eram turistas. Aí, o imbecil quís aparecer:

       – Vocês são japonesas, meninas?

       Uma delas respondeu:

       – Somos nisseis…

       – Ôxi! Que raça é essa? Qual é o país de vocês?

       Diante da ignorância do Faustão as garotas cairam na gargalhada. E os fregueses do barzinho acompanharam nas risadas.

       Sem se mancar, o gorducho continuou:

       – É verdade que o sexo das suas colegas japonesas fica na posição horizontal?

       A moça indagada corou de vergonha, mas outra das japinhas não deixou por menos. Encarou o engraçadinho, depois de reparar que ele carregava uma gaita no bolso da camisa. Franzindo os olhinhos, a garota sapecou:

       – Ora, que importância tem isso? Estou notando que é tocador de gaita. Com sua experiência nesse assunto, acho que pra você o órgão genital feminino na horizontal fica melhor, não é?

       Faustão deixou o local debaixo de vaia.