Ailton Villanova

5 de Março de 2016

Colheita difícil

     Doutor Teophergundes Boaventura, esculápio antigão dos tempos do saudoso bonde (era o seu transporte predileto) costumava contar a história que vai abaixo papeada e garantia que era absolutamente verdadeira. Doutor Téo nunca foi  homem de contar lorotas. Ele próprio é uma das personagens da supradita.

     Idos de 1940.

     Final de uma tarde de março, o ilustre e respeitável doutor Teophergundes havia concluído o expediente na sua clínica e se preparava para ir embora quando, de repente, entrou na sua sala o cliente chamado Aristóbulo Mamede, cujo apelido era “Vermelhinho”.

      – Estou de saída! – avisou.

      E o Vermelhinho:

      – Me escute só um segundinho, doutor.

      – Tá bom. Fale! Qual é o problema?

      – Não tô conseguindo urinar, doutor!

      – Por quê?

      – Entupiu tudo!

      Naquele momento, o médico não tinha muito o que fazer pelo paciente. Restava-lhe apenas agir como que agiu, para diagnosticar o mal que afligia o cara. Ele pegou um vidrinho, entregou pra ele e disse:

      – Olha, Vermelhinho, eu vou ter que requisitar um exame…

      – Que exame, doutor?

      – De esperma. Você mesmo é quem vai fazer a colheita.  Leve esse frasco, e encha ele até a boca. Quando estiver pronto, volte pra cá.

      Três dias depois, o paciente voltou ao consultório, acabrunhadíssimo:

      – Consegui não, doutor!

      – Não é possível! Você tentou com a mão?

      – Com as duas, doutor!

      – E a sua mulher?

      – Ela tentou ajudar, mas também não conseguiu! Pro senhor ter uma ideia, até meu sogro e minha sogra também tentaram…!

      – Não acredito!

      – Pois acredite, doutor! Meu sogro com a mão e minha sogra com a boca!

      – Ai, meu Deus! Com a boca?!

      –  Sim, senhor. Ninguém conseguiu abrir esse maldito frasquinho!

 

 

Olho por olho…

     Finalzinho de tarde, comércio encerrando o expediente, eis que adentra em determinada loja de eletromésticos um indivíduo de aspecto humilde, que fica reparando num moderno conjunto de lavadora e secadora automáticas. Nisso, encosta o vendedor chamado Valdéricles Gregório e pergunta:

     – Gostou das peças?

     E o cara:

     – Muito lindas! Se eu tivesse grana suficiente eu levaria as duas.

     – Dou elas pra você por 5 reais.

     – Você está brincando comigo, não é?                                           

     – Não senhor. Estou falando sério. Vai levar?

     – Por esse preço… lógico que vou!

     O freguês pagou os eletromésticos com os 5 reais e, enquanto aguardava a nota fiscal, continuou olhando em redor. Aí, viu uma câmara  digital com zoom, infravermelho, comando de voz, o escambáu.

      – Quanto custa? – perguntou, só por curiosidade.

      – Cinco reais o conjunto! – respondeu o vendedor.

      – É roubado? – estranhou o cara.

      – Não, não. É todo legal, com nota fiscal e garantia da fábrica. Quer levar?

      – Mas é claro!

      Feliz da vida, o camarada saiu caminhando pela loja, até que esbarrou num computador Intel Core i7 com memória de 16 GB , 1 TB de HD e gravador de Bluray, com impressora laser. 

       – Puxa vida! Isso deve custar uma nota preta!

       E o vendedor Valdéricles:

       – Cinco reais!

       – Não! O senhor deve ter enlouquecido!

       – Cinco reais tudinho, antes que eu me arrependa! Quer?

       – Quero! Quero!

       Enquanto Valdéricles tirava mais uma nota fiscal, o comprador, ainda sem querer acreditar no que estava acontecendo, perguntou ao vendedor:

       – O amigo poderia me matar uma curiosidade?

       – Pois não.

     – Por que os preços desta loja estão assim tão baixos?

     – Pelo seguinte… o patrão está agora na minha casa com minha mulher. O que ele está fazendo com ela, eu estou fazendo com a loja dele, deu pra entender?

 

Eles eram apenas tarados!  

     Hospital recém-inaugurado no interior do estado.

     Final de noite, o movimento era nenhum. Médicos, enfermeiros e auxiliares de plantão assistiam televisão, porque não tinha nada para fazer.

     Lá fora, o porteiro puxava o maior ronco, debruçado no birô. De repente, entrou uma mulher toda agoniada, que, avistando no corredor o primeiro sujeito de uniforme branco, correu pra ele:

      – Doutor! Doutor! Preciso que o senhor me ajude!

      O abordado assumiu ares de importância:

       – E no que poderei ajudá-la?

      Ela explicou:

      – Eu não consigo ter prazer em nenhum contato sexual!

      – Hummmm… Bom, vamos ver esse negócio aí.

      – Oh! Muito agradecida, doutor!

      – Olha, dona, eu vou ter que precisar de auxílio!

      – Pra mim, tudo bem!

      O cara virou-se para o fundo do corredor e gritou:

      – Ô Arnóbio! Ô Zezão! Me ajudem aqui com essa senhora!

      Os três pegaram  mulher, levaram à uma sala vazia e mandaram ver. Fizeram sexo com ela de todas as formas possíveis e imagináveis. Curra alopradíssima! Ao final, extenuado, o líder da patota desabafou:

       – Putaquipariu! Realmente, a senhora não consegue ter prazer de jeito nenhum! Acho bom a gente chamar um médico!

       A mulher reagiu espantada: 

       – Ué, vocês são o quê?

       – Nós? Nós somos o pessoal da limpeza!!