Olívia Cerqueira

25 de Fevereiro de 2016

Boa noite, Diário!

Olívia de Cássia – jornalista

Boa noite, Diário. Fazia tempo que a gente não interagia. Tempo que vai se distanciando rápido. O tempo passa, as coisas mudam e muitas situações ficam apenas na lembrança da gente. Eu tenho a estranha mania de ficar me lembrando das boas coisas boas que vivi.

Não lamento mais a passagem do tempo; já passei dessa fase. Hoje aproveito os momentos de reflexão para agradecer a Deus por tudo o que vivi, sem arrependimentos, e talvez se tivesse que fazer tudo de novo, quem sabe eu repetisse muito do que fiz e do que fui.

Não é porque eu esteja nessa fase de transição da vida, na maturidade, que eu vá renegar meu passado. Não faço esse tipo. Estou aqui, Diário, depois de muitas perdas, decepções, experiências vividas e algum aprendizado para falar que eu ainda acredito em coisas boas, positivas. Ainda acredito na humanidade, apesar de tudo.

Acredito que a gente possa encontrar no mundo pessoas delicadas, que acreditem na vida, acreditem em seu potencial e que não se aproximem de você apenas por algum interesse terceiro.

Talvez eu ainda alimente dentro de mim sonhos ingênuos de adolescente. Não consigo me desapegar dos sonhos,  dos amigos, que foram e são fundamentais em minha vida de ser errante.

Já levei muitas bordoadas na vida, mas hoje eu avalio que tudo o que passei me serve hoje de exemplo e de aprendizado. Não alimento ódios e nem raiva dentro de mim, isso eu não quero. Só fico triste, às vezes com alguma indelicadeza, ingratidão, mas isso também faz parte do aprendizado maior que a vida nos dá.

Estou começando a aprender, Diário; e como dizem no popular: ‘antes tarde do que jamais’. Eu ainda sonho e faço alguns planos, mesmo com minha condição de saúde frágil; sonho com o melhor de mim.

Busco sempre forças interiores para não perder a minha razão, minha vontade de viver. Às vezes invento umas coisas loucas para escrever poesias e isso coloca meu cérebro em atividade. Tenho medo de perder minha coordenação, minha capacidade de raciocínio e minha capacidade de amar.

Minha razão é o melhor que há em mim, é do que eu posso me valer para enfrentar os desafios interiores, que como eu já disse, eles não são de agora, vêm de muito longe, de outras lembranças.

Nesse começo de noite eu me coloco em pensamentos, final de expediente, ouvindo minhas músicas, vendo quem está conectado também, tentando não me lembrar das minhas limitações e desafios, que serão muitos daqui para frente.

Invento um amor imaginário para não tornar meus dias mais vazios e isso é poesia. Invento sentimentos inexistentes para diminuir meus pesadelos diários, para não pensar num futuro que virá não se sabe como e nem de que forma. Boa noite!