Ailton Villanova

25 de Fevereiro de 2016

Apuros de um bêbado em Itu

      De tanto ouvir falar que em Itu – famoso município paulista -, tudo é exageradamente grande, o pontagrossense Crisanto Bonfim sentiu a necessidade de ir até o lugar, para conferir essa história. De modo que, belo dia, com a grana folgada do 13° salário no bolso, ele pegou um ônibus no terminal rodoviário do Feitosa e se mandou pra lá. A viagem foi cansativa.

      Assim que Crisanto se viu em terras ituanas, procurou um hotel e lhe indicaram aquele que tinha um barzinho logo na entrada. Sem mais delongas, ele aboletou-se numa cadeira do bar referido e, antes de rumar para o quarto, requisitou um chope, pra relaxar. Olha só o tamanho da caneca!

      – Putaquipariu! – assombrou-se o alagoano do bairro de Ponta Grossa. – Que maravilha! Dá até pro cara nadar aqui dentro!

      E  chamou na bebida sem dó e nem piedade.

      – Desce outro chope, garçom!

     E lá se foi o rapaz com outro caneco pro distinto freguês consumir, num piscar de olhos.

     – Que loucura, meu! Quando eu contar isso para a turma em Ponta Grossa, vão custar a acreditar! – disse pro garçom.

     Depois de uma rodada e uns dez arrotos, Crisanto chamou o garçom mais uma vez:

     – Repita a dose, meu jovem! Olha, aproveite e me traga também um sanduíche, tá falado?

     E logo chegou o sanduíche, meio metro de diâmetro, instalado numa bandeja do tamanho de uma bacia de banho. E outro chope imenso. Não demorou muito, Crisanto já estava embriagado. Mais uma vez, abriu o bocão:

      – Garzzzommm, onde fica o banheiro?

      Educadamente o rapaz ensinou:

      – O senhor vai em frente e vira à direita…

      Crisanto levantou-se meio trôpego e seguiu trocando as pernas na direção indicada. Mas, bêbado do jeito que estava, virou à esquerda. Aí, deu de cara com uma piscina quase olímpica:

      – Não é possível!!! Tudo isso é uma privada, meu Deus?!

      Crisanto chegou mais pra perto da borda da piscina, puxou a chavasca pra fora e mandou ver aquela mijada, na maior felicidade. Terminou, deu a tradicional balançada e iniciou o movimento de meia-volta. Ao iniciar o giro, atrapalhou-se com as canelas, perdeu o equilíbrio e caiu dentro da piscina, aos berros:

      – Pelamordedeus, não puxem a cordinha da descarga!

      O porteiro do hotel, um negão que vestia farda marrom, manjou na situação do hóspede recém-chegado e não contou conversa: mergulhou na piscina para ajuda-lo a sair de lá. Naquilo que avistou aquele troço marrom nadando em sua direção, Crisanto apavorou-se:

      – Valei-me meu Padrinho Ciço! Que tamanho de cagalhão! Alguém me acuuuda!

      Naquele dia mesmo, Crisanto iniciou viagem de volta à Maceió.

 

Adivinhar, pra quê?

      Redinaldo Luzídio ganhou um belo presente no Dia dos Pais. Justo naquele dia, sua mulher Marolínea contratara uma empregada doméstica incrível! Assim que ele botou o olhão na criatura, teve logo um ereção, que disfarçou andando encurvado.

      – O que é que está havendo com você, que está caminhando desse jeito, Redinho? – perguntou a mulher, assustada.

      E ele, todo atrapalhado, sem tirar o olho da empregada:

      – É a coluna, meu amor! De repente me deu uma dor danada na coluna!

      Durante três dias, Redinaldo não teve sossego. Seu pensamento só girava em torno da empregada gostosona. Na sexta-feira seguinte, lá pelo meio da tarde, não segurando mais a tara pela doméstica, ele pegou o carro e se mandou pra casa, porque sabia que dona Marolínea encontrava-se ainda trabalhando na repartição…

      Mal chegou a porta de casa, Redinaldo pulou do carro, correu pra dentro, foi até a cozinha e abufelou-se com aquele monumento de mulher. Em seguida, cobriu-lhe os olhos com as mãos e disse, resfolegando:

      – Se em dez segundos você não adivinhar quem sou eu, lhe jogo na cama e lhe estupro!

      E a gostosura, esfregando o bundão na braguilha do patrão:

      – É o Ronaldo Fenômeno? É o Roberto Carlos? É o Fernando Henrique Cardoso? É o Pedro Álvares Cabral? É o Sílvio Santos? É…?

 

O amante injustiçado

      Bem que o Jurabanildo estava quietinho no cantinho dele, num barzinho pajuçarino, tomando sua cervejinha com tira-gosto de agulha frita. Tinha que a Cleonice ligar pro celular dele? Pois ela ligou:

      – Jurinha, meu tesão, o Diomedes acabou de viajar!

      – Viajou, foi?

      – Foi. Vem pra cá, vem! Eu te faço uma pizza…

      – E ele vai voltar quando?

      – Acho que amanhã de tarde. Você vem? Estou mooorta de saudade, amor. Você vem?

      – Vou!

      – Vê se não demora, viu?

      Dali a meia hora Jurabanildo encontrava-se confortavelmente instalado na alcova do Diomedes, desfrutando da gostosura da mulher do indigitado. Depois de sucessivas e reiteradas trepadas, os adúlteros estavam tão cansados que logo caíram no sono. De repente, Cleonice acordou assustada:

       – Ai, meu Cristo, é o Dió! O Dió voltou! Por que esse fidapeste achou de chegar logo agora?!

       Imediatamente, Cleonice tratou de acordar o amante, que roncava mais que barrão chafurdando no lixo:

       – Levanta, Jurinha! Levanta, rápido!

       – Quê? A casa tá caindo?

       – Ainda não, mas pode cair! O Dió voltou e está guardando o carro na garagem. Depressa, pegue as suas roupas. Ai, meu Deus! Não vai dar tempo! Ele está subindo!

       – E onde bubônica eu me escondo?

       – No guardarroupa!

       Mal Jurabanildo acabou de fechar a porta do guardarroupa, o marido corneado entrou no quarto. A mulher fingiu acordar-se:

       – Hummmmpf… Já chegou, meu bem? E já é amanhã, é?

       E o Diomedes:

       – A porra da reunião com o chefão no Recife foi adiada para a próxima segunda-feira A filha da puta da sogra dele achou de morrer, só para atrapalhar o nosso serviço!

       Nesse momento, ouviu-se o tilintar de um telefone. Era o celular do Jurabanildo, dentro do guardarroupa. O imbecil esquecera de desliga-lo.

       – Que telefone é esse que tá tocando? – indagou o marido, algo cismado.

       – Deve ser o do vizinho. – tentou disfarçar a mulher, maldizendo, intimamente, o amante pela mancada.

       – É não! É aqui dentro do quarto! – insistiu Diomedes. – O som parece vir do guardarroupa!

       Lá dentro, todo atrapalhado, Jurabanildo achou de atender:

       – Alô?

       – Eu não disse? – exaltou-se o marido. – É dentro do armário mesmo!

       Não tendo outra alternativa – era ela ou o amante -, Cleonice safou-se, teatralmente:

       – É um ladrão! É um ladrão, Dió! Chame a polícia!

       Dia seguinte, a cara do Jurabanildo aparecia em todos os jornais, inclusive os da televisão. Resumia a matéria respectiva:

       “Capturado em Maceió, um dos mais audaciosos e perigosos gatunos dos últimos tempos…”