Ailton Villanova

25 de Fevereiro de 2016

Abominável tortura chinesa

Pesquisador botânico, o professor Epatino Betazônio embrenhou-se na floresta amazônica e foi fundo na sua caminhada à procura da raríssima flor complicadamente intitulada Phylladmanys Phoradellys Allegriranys  Darapazhiadda, afrodisíaca pacas, conforme anotações do próprio. Segundo ainda Epatino, um chá dessa raridade levanta até pau de defunto. Mas aí é outra história.

     Enfronhado nessa desafiante aventura, Epatino ficou perdidão no meio da imensa floresta. Passou três meses fugindo de índios, dormindo em cavernas e alimentando-se de frutas, raízes e insetos. Belo dia, avistou no alto de um morro um casarão em estilo chinês. “Será que vim bater na China?”, conjecturou.

     Movido pela necessidade e até mesmo pela curiosidade, nosso herói decidiu subir até a casa chinesa. Com algum esforço conseguiu chegar lá. Bateu na porta e esta foi aberta por um velho chinês de longas barbas brancas.

     – Estou perdido, senhor! Será que vim parar na China? – indagou o pesquisador, cujas roupas estavam  em frangalhos.

     – Não. O senhor está no Brasil. Isto aqui é o meu refúgio, há anos! – respondeu o ancião. – Entre, entre!

     – Estou cansado e faminto. Gostaria de descansar um pouco, pode ser?

     O velho chinês pensou um pouco e respondeu:

     – Eu lhe ofereço um quarto asseado, um banheiro, roupas limpas e refeição. A única condição que imponho, em troca, é que não toque na minha netinha.

     – Claro, claro! Fique tranquilo, senhor.

     O velho não se deu por satisfeito e advertiu:

     – Se tocar na minha netinha, o senhor sofrerá as três piores torturas chinesas!

     – Tudo bem. Já disse pro senhor ficar tranquilo.

     Epatino tomou banho, trocou de roupa, descansou um pouco e depois desceu para o jantar. Naquilo que bateu o olho na neta do velho, teve logo uma ereção. Além de muito bonita, a garota era gostosa demais! Epatino gamou na hora! A chinesinha também parou na do cara, que, justiça seja feita, sempre foi bonitão.

     No meio da noite, quando o velho dormia o sono dos justos, professor Epatino não resistiu e correu pro quarto da chinesa, que já aguardava por uma iniciativa mais ousada do visitante. A noite foi demais para os dois, que transaram até cair desmaiados de prazer e de cansaço.  Epatino estava tão fatigado que alí mesmo agarrou no sono. Ao acordar, sentiu um grande peso sobre o tórax. Abriu os olhos e viu uma enorme pedra em cima dele. Nela, estava escrito: “Primeira grande tortura chinesa… grande pedra sobre o peito”.

     Epatino ergueu a pedra e conseguiu lançá-la pela janela que ficava próxima da cama. Foi quando ele viu uma corda fina e bem resistente amarrada à dita. Na outra fase desta, outra anotação: “Segunda grande tortura chinesa… pedra amarrada ao testículo esquerdo”.

     Desesperado com aquela situação, Epatino se atirou pela janela, atrás da pedra. Então, ele viu escrito na terceira face da pedra: “Terceira grande tortura chinesa… testículo direito amarrado ao pé da cama”.

Ele ganhou de todos!

     A finada e saudosa zona do meretrício do Jaraguá era frequentada pelos boêmios dos mais variados grupos sociais da capital alagoana – políticos, magistrados, professores, estudantes. Dividia-se, entretanto, e primordialmente, em dois naipes: o destinado à elite e o que era frequentado pelo proletariado. A movimentação nas boates e lupanares situados na artéria principal da área portuária – a rua Sá e Albuquerque -, iniciava assim que o comércio cerrava as suas portas, e se estendia até o apagar das luzes. Durante todo o dia, a partir das 7 horas da manhã, o comércio e as repartições públicas alí instalados, operavam normalmente. A parte onde funcionavam os bordéis proletários, o famigerado “Duque de Caxias”, paralela a Rua da Igreja, era a mais complicada, com histórico de repetidos assassinatos e tráfico de drogas. Dava um trabalho danado à Guarda Civil estadual, corporação eficiente e respeitadíssima.

     Na Sá e Albuquerque, as convulsões só se registravam quando a marinheirada baixava por lá. O pau comia entre a PE do Exército e os chamados “patos d’água”, que adoravam esculhambar na zona.

     Naquela época, depois do cáis de Santa Rita, no Recife, o píer do Jaraguá era o mais movimentado do Nordeste. A área sempre foi bem abastecida de lojas, bares, restaurantes e farmácias. Tudo pertinho, à mão e à hora. Até a delegacia de polícia, o 2° DP.

     Na esquina da Sá e Albuquerque com a final da avenida Comendador Leão, existia a farmácia do doutor Rodrigo Valente, genitor do doutor Guido, onde trabalhava o bebedourense Protomérides Tanderlick (o pai dele era chegado a um nomezinho extravagante), na condição de serviçal. Um dia, por iniciativa do doutor Guido, que era o gerente, Protomérides exsurgiu da condição de mero auxiliar ao posto de balconista provisório, porque o titular da função, no plantão noturno dos sábados, adoecera de disenteria.

      E lá estava o Protomérides todo ancho, atento à freguesia, quando entraram na farmácia três sorridentes marinheiros japoneses, que pretendiam subir ao bordel mais próximo mas que,antes, precisavam munirem-se de preservativos. Como não sabiam bulhufas de português, os nipônicos resolveram demonstrar o que queriam, na base da mímica. E o que fizeram, então?

      Cada um tirou o piruzinho pra fora, pôs em cima do balcão e ao lado dos respectivos, depositaram uma moeda de dólar, indicando que queriam adquirir camisinhas.

      Promérides olhou, olhou, coçou o queixo  concluiu pelo que achou o que era certo. Abriu também a sua braguilha e igualmente tirou o piru, que mais parecia com uma “alavanca” de jegue. Em seguida, ele bateu com ela no balcão e bradou:

      – Ganhei! 

     Finalmente, apanhou as três moedas e botou no bolso, despachando os fregueses.

O portuga chifrado

     O lusitano Ardêmio arribou de Portugal e veio morar no Brasil, mais precisamente no interior de Alagoas, onde instalou uma padaria. Solteirão, ao cabo de algum tempo caiu de amores por uma morena chamada Maria José, cujo corpo era uma tentação. Em pouco tempo, levou-a ao altar, num casamento cheio de pompa.

     Melhorado de vida, um mês depois do casório, Ardêmio comprou uma fazenda e pôs dentro dela um monte de bois e vacas. Enquanto ele cuidava da padaria, um sujeito chamado Tonhão administrava sua propriedade rural… e a gostosa da Maria José, também. O caso entre os dois já estava chamando a atenção dos moradores da fazenda. Aí, madame Zezé se mancou e cuidou de bolar uma idéia para  atenuar os falatórios da peãozada: não receberia mais o amante dentro de sua casa, conforme frequentamente acontecia, mas também não abriria mão dele.

     – E agora, como é que a gente vai fazer? – aperreou-se Tonhão.        

    Zezé pensou um pouco e respondeu:

     – A gente faz um buraco na parede do meu quarto. Você fica pelo lado de fora e eu pelo lado de dentro, já na posição…

     – Será que dá certo?- duvidou o amante.

     – Só a gente experimentando!

     Experimentaram. Madame ficou de quatro, encostou a buzanfa no buraco da parede e o cara,  pelo lado de fora, começou a movimentar a espada. Deu certo!

     A partir daí, todas as vezes que Tonhão queria traçar a Maria José era   só bater na janela. Um dia, quando a mulher rodopiava, gemia e se descabelava toda, com a bunda encostada na parede, o marido entrou no quarto:

     – Opá! Mas o que é isso, ó mulher?!

     Surpreendida, mas com boa presença de espírito, ela respondeu:

     – Ah, isso não é nada, Deminho. É só uma vaquinha que fica me lambendo. É tão bonzinho…

     Dois dias depois, Ardêmio pegou carrapato no ânus e andava com uma coceira danada. Sozinho em casa, lembrou-se da vaquinha e encostou a bunda no buraco, comentando com seus botões:

     – Quem sabe uma lambidinha do animal vai acabaire cum essa coceira!

    Minutinhos depois de o português ter encaixado direitinho o foreba no buraco… crau!

     – Putaquipariu! – gemeu ele. –  Em vez de me lamber, a condenada da vaca enfiou foi o chifre no meu rabo!