Ailton Villanova

17 de Fevereiro de 2016

Todo cuidado com a vida é pouco!

     Aquele baixinho chamado Correínha, bastante conhecido do leitor amigo, está careca de saber que é corno, mas sempre tentando enganar a si e aos outros. Sua mulher, a gostosíssima Margarida, não para quieta. Está sempre tirando o coitado de tempo.

     Mas o Correínha adora a mulher!

     Cansado de ser apontado na rua como o dono dos chifres mais adubados da paróquia, ele pegou a cara consorte e partiu com ela para passar “uns tempos” no interior do estado.

     Em local de difícil acesso, Correínha alugou um sítio e lá ficou instalado com a digníssima consorte. Mas, todas as vezes que ele tinha de sair para resolver assuntos de seu particular interesse, ficava indócil, aperreado, preocupado:

      – Meu Deus! Eu vou deixar a Magauzinha sozinha nesse fim de mundo! Será que ela aguenta?

      E ficava remoendo a duvida cruel:

      – Será que vai pintar algum amante dela por aqui?

      Correínha resolveu, então, acabar de uma vez por todas com aquela agonia. Aí, armou um agá: avisou à mulher que viajaria até a capital e que voltaria um pouco mais tarde que de costume. Feliz da vida, Margarida deu chauzinho pra ele e disse que passaria o dia todo trancada em casa.

      Não falei que era um agá? Pois é. O Correínha não viajou. Mal a mulher fechou a porta, ele correu e trepou-se no alto de uma mangueira frondosa que havia no sítio e decidiu passar o dia alí, observando o movimento na casa. Não demorou muito, parou um  carro na porta e dele desceu um atleta bonitão. Ao invés de entrar no imovel, o bonitão deu meia volta e ficou parado embaixo da mangueira, dando a entender que esperava alguém. Minutos depois, pegou uma manga no chão, limpou-a na calça e começou chupá-la.

      Nesse momento, eis que surgiu a porta a bela e curvilínea Magal, que gritou para o bonitão:

     – Vem, amor! Vem que ele já foi embora!

     O bacana jogou a manga meio chupada no chão e correu para os braços da mulher do Correínha, que se mordia todo, trepado na

mangueira.

     – Hoje eu dou o maior flagra nesses dois traidores! – prometeu para ele próprio.

     Correínha desceu da mangueira e entrou em casa pelos fundos. Deu garra de um facão na cozinha e dirigiu-se ao quarto. Entrou lá de supetão e se deparou com o grandalhão com a boca nos peitos da mulher. Aí, deu o brado:

     – Se prepare pra morrer, seu desgraçado!

     – Morrer por quê, porra?  – rebateu o fortão, tirando a boca dos peitos da mulher. – Deixe de frescura, ou eu te dou uma porrada!

     Diante da reação do amante da mulher, Correínha deu marcha à ré na sua brabeza e falou delicado:

    – Ora, você estava, nestante, chupando manga, alí na frente. Agora, tá tomando leite! Tá querendo morrer intoxicado, rapaz?

 

 

E eles não estavam nem aí!

 

     Reordulpho voltou de viagem um dia antes do anunciado. Mal entrou em casa, surpreendeu a mulher com o seu vizinho, em pleno

ato sexual, na sua própria cama. Aí discursou:

      – Eu não posso acreditar, Odaléia! Minha mulher me traindo com o meu melhor amigo! Ô Vercilo, rapaz, como você pode fazer um negócio desse comigo? Putaquipariu! Durante todos esses anos eu sempre fui um marido e um amigo fiel… Dediquei minha vida a você, Odaléia! Ah, meu Deus! Minha mulher e meu vizinho e amigo! Vocês eram as pessoas que eu mais admirava… Ei! Vocês querem parar com essa sacanagem e prestar atenção no que eu estou falando?

 

 

Ah, amante ingrato!

 

     Depois de um bocado de tempo sem se verem, as amigas Nistanilda e Tricolina se toparam no ponto de ônibus. Aí, o papo foi inevitável. Cada uma delas perdeu pelo menos oito ônibus.

     – Ô mulher, a gente falou, falou, e não disse nada dos nossos casamentos…! – lembrou Nistanilda.

     – E não é que foi mesmo! – concordou Tricolina.

     – Me conta: você tá feliz? 

     – Olha, pra falar a verdade, ando meio triste, sabe? Desde que me casei, o Adalardo não me beijou mais!

     – Ôxi! Mas aue estranho, mulher! E por que você não pede o divórcio?

     – Posso não. O Adalardo não é o meu marido, não!

 

 

Todo mundo comeu a noiva!

 

     Seu Eucríbio Perílio disparou da capital para assistir ao casamento do filho Oxítono, numa cidade distante do interior. Chegou lá, parou o carro na praça principal e desceu para tomar informações. Aproximou-se de um grupelho de matutos que proseavam a sombra de uma frondosa árvore.

      – Boa tarde! – cumprimentou.

      – B´as tarde! responderam todos, em coro.

      – Gostaria que os senhores me informassem onde fica a pensão que tem um rapaz que vai casar amanhã…

      Os matutos se entreolharam, botaram aquela cara de “góga” e um deles disse:

      – Se é o moço qui vai casá com a Maria Marsupina, 'tamos sabendo.

      – Eu sou o pai dele. Não me admira se ele já faturou a garota… – retrucou o pai, estufando o peito de orgulho.

      – Apôis vosmicê tá certo. Num só ele faturô a safadinha, cuma nóis tudinho, tomém. Dizem que inté o seu vigaro cumeu!

 

 

O marido descartado

 

     No salão de beleza de certo clube social, a perua desabafava com uma amiga:

     – Tá sabendo que abandonei o Agajoel?

     – O qûêêê? Não me diga, mulher!

     – Abandonei, sim. Flagrei ele num jogo de pôquer!

     – Não me diga que ele estava blefando, com um ás na manga.

     – Não. O cretino tinha uma dama no colo!

 

 

Castigado pela desconfiança

 

     Amancebado com uma mulher pra lá de gostosa, o Lisóstomo Urupemba morria de ciúmes dela. E tinha sobejas razões, porque ela era assanhadíssima. Um dia, não se segurando mais, ele desabafou com ela:

     – Desconfio que você anda me chifrando, Mariolinda! Por que essa saia tão curta?

     E ela, balançando a bunda:

     – Ora, é pra lhe agradar, meu amor.

     – É? E por que essa pintura toda?

     – Está claro que é pra ficar bonita pra você!

     – E por que você tem chegado tão tarde em casa?

     – É que justamente eu fico no salão me embelezando pra você…

     – Então, me responda: por que o nosso filho é a cara do nosso vizinho?

    Então, Mariolinda deu o tiro final no papo babado do marido:

     – É porque Deus quer castigar você por duvidar tanto de mim!

 

 

Os benditos amendoíns da vovó

 

     O Louribaldo e o amigo Adenoide desceram o Farol, a pé, para assistirem a uma partida de futebol no Trapichão. Como a casa da avó do primeiro ficava no caminho, ele resolveu dar uma paradinha lá. Aproveitando a presença do neto, a velhinha pediu pra ele consertar um vazamento na pia da cozinha.

     Enquanto Louribaldo consertava a torneira, o Adenoide ficou aguardando na sala. Então, a vovó surgiu diante dele com um pratinho de amendoíns:

     – Quer?

     E Adenoide:

     – Quero, quero!

     Doido por amendoins, Adenoide mandou a boca pra frente. Não deixou no prato nem um carocinho pra remédio. Na hora de ir embora com o neto da velhinha, Adenoide agradeceu:

     – Obrigado pelos amendoins. Espero não ter abusado, não deixei nenhum para a senhora!

     A vovó respondeu:

     – Não tem problema, meu filho. De qualquer jeito não posso comê-los. Depois que perdi os meus dentes, só lambo o chocolate que vem em volta… e deixo pra lá!