Ailton Villanova

16 de Fevereiro de 2016

Um biláu pequeno demais!

      A curvilínea Margarete Estefânia ficou viúva bastante jovem. Seu marido Arqueleu Batista, morreu prematuramente estuporado, depois de ter comido uma reforçada buchada de bode e, em seguida, promovido quilométrica sessão horizontal com a apetitosa esposa. O infeliz esticou as canelas quando atingia o finalzinho do “segundo tempo” da “prorrogação”.

      Margarete passou seis meses, contadinhos, chorando sem parar, porque não se conformava com a “irreparável perda”.

      O tempo foi passando e ela só vivendo de recordações.

      Havia cinco anos que o inditoso Arqueleu tinha embarcado pro beleléu e Margarete aí, firme, guardando um jejum injustificado. Um dia, porém, teve de procurar um médico porque andava tendo uns “arrepios” estranhos, que subiam das partes íntimas e estacionavam no coração.

      Naquilo que o doutor depositou os olhos na criatura, quase perdeu o controle. Mas conseguiu se segurar.

      – O seu caso, minha senhora, deve merecer um cuidado muito especial! – avisou o médico, movido por segundas intenções.

      – É tão sério assim, doutor?! – preocupou-se a gostosura, digo, a viúva.

      E ele, com olhar de peixe morto pra cima da mulher:

      – Bom… eu diria que é um caso que requer a presença masculina ao seu lado, entende? Em síntese, a senhora está precisando de um homem!

      – Eeeuu, doutor?! – assustou-se a viúva.

      – Sim, senhora. Tem todos os sintomas. Mas eu só posso tirar essa dúvida fazendo um teste. Concorda?

      – Ah, doutor… Sei não.

      – Eu lhe darei mil reais!

      – Mil reais? O senhor me dará mil reais para fazer um teste em mim?

      – É.

      – Aceito.

      – Então, esta noite estarei na sua casa, está certo assim?

      À noite, conforme o combinado, o médico compareceu à casa da viúva e mandou ver nela. Acabou, deu no pé, sorrateiro como um ladrão, enquanto Margarete se banhava. Ao se mandar sem se despedir, o doutor só deixou 500 reais em cima da penteadeira.

      Quando viu que havia sido enganada pelo médico pilantra, Margarete ficou muito puta. Recuperou-se rápido e ficou aguardando uma oportunidade para dar o troco.

      Passados dois meses, eis que a oportunidade apareceu: Margarete se deparou com o sujeito num restaurante, cercado de amigos e resolveu ser sutil na abordagem:

      – Doutor, eu aluguei uma casa ao senhor mas o senhor só me pagou a metade, lembra?

      E o médico, também irônico e igualmente sutil:

      – Olhe aqui, minha senhora… a casa tinha problemas. Já na entrada, a grama do jardim estava bastante alta e havia muita sujeira nos portais. Por dentro, a casa estava com um cheiro danado de mofo! Além do mais, sua casa é muito grande!

      Ao que a viúva retrucou:

      – Escute aqui, doutor… em primeiro lugar, se o senhor tivesse pedido, eu teria aparado a grama. Em segundo lugar, umas sujeirinhas sempre ficam mesmo. Em terceiro lugar, a casa estava cheirando a mofo porque não era usada há muitos anos… Para terminar, ela não é tão grande assim. Os móveis que o senhor botou lá é que são pequenininhos demais!

 

Eterno sofredor

      O médico Latércio Bezerra Villanova foi acordado no meio da madrugada parar atender um caso urgentíssimo. Montou no carro e disparou para o endereço indicado. Chegou lá em poucos minutos.

      Assim que botou os pés no aposento do paciente, constatou ligeirinho que o infeliz já era!

      – Meus pêsames, minha senhora. Não posso fazer mais nada! – disse o doutor à viúva do recentíssimo finado.

      E ela:

      – Snif… Brigadinha…

      – Ele vinha sofrendo há muito tempo?

      Madame respondeu:

      – Há um tempão, doutor. Desde que nos casamos…

 

Pra não rir

      Além de biriteiro contumaz, o Orquilédio, antigo funcionário da finada Great Western, era gozador ao extremo.

     Um dia, entendeu de contrair núpcias com uma veterana das bandas de Arapiraca, que havia conhecido numa viagem de trem entre Maceió e aquela cidade do Agreste alagoano. Nesse dia ele estava de pileque e confundira  a balzaca com a Branca de Neve.

      O enlace matrimonial do Orquilédio com Perolina (era esse o nome dela) ocorreu rapidinho. Mas eles viveram muito pouco sob o mesmo teto. Perolina morreu num acidente automobilístico seis meses depois do casório.

      Orquilédio saía para o cemitério com o queixo todo enfaixado de gaze. A sua frente desfilavam três esquifes enfileirados com destino ao cemitério. No meio do cortejo, Orquilédio foi abordado por um curioso:

      – Ei, amigo, quem é que vai aí nesse caixão da frente?

      E o Orquilédio, falando com dificuldade por causa da tipóia segurando o queixo:

      – É o meu sogro… que Deus o tenha… Podre de rico!

      – Aceite os meus pêsames. E nesse segundo?

      – Minha sogra. Dona de uma nota preta. Quando casou com o meu sogro, já tinha milhões, herdados dos pais, que eram plantadores de fumo!

       – Minhas condolências. E nesse terceiro caixão, você sabe quem vai dentro?

       – Minha mulher… que também descanse em paz. Única herdeira de tudo, coitadinha. Morreu junto com os pais… O carro capotou…

        – Ah, agora entendo!! Pelo visto você também estava nesse desastre e escapou ileso, não foi?

        – Negativo!

        – E por que está com o queixo amarrado desse jeito?!

        – É pra segurar o riso. Se eu tirar essa tipóia, não vou conseguir parar de rir…

 

Santa ingenuidade

      Filha de dona Genoveva, a mulher mais carola da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a garotona Normacilda – Norminha, para os mais íntimos -,  era a ingenuidade em pessoa. Um dia, ela despertou para a sexualidade, de tanto espiar novela na televisão. O leitor sabe como são as novelas de hoje em dia: sacanagem pura.

     Certa ocasião, Normacilda tomava banho com a mãe quando, em dado momento apontou para a genitália da coroa e perguntou, cheia de santa inocência:

     – Como é que se chama isso aí, mainha?

     A mãe, dona Genoveva, engasgou-se:

     – Chama-se… hã… huumm… igreja. É, igreja! E você não pode deixar ninguém entrar nela, porque é pecado, ouviu bem?

      – Ouvi, mainha!

      Passou-se o tempo. Escondido da mãe, um dia Norminha arrumou um namorado, que estudava no mesmo colégio que ela. Namorado, aliás, muito do sacana. Em pouco tempo, o cara já estava tomando certas liberdades com a garota, a ponto de sugerir-lhe conceder a permissão para penetrar no seu “templo”, argumentando:

       – Você tem a igreja e eu sou o padre. E padre pode entrar na igreja a hora que quiser…

        E a ingênua Norminha foi na onda do namorado, que não perdeu tempo: tirou-lhe a virgindade num final de tarde, por detrás de uma moita, que ficava nos fundos da escola. Terminado o ato de desvirginamento, a inocente, ainda meio zonza, reparou num detalhe interessante: o saco do vivaldino. Curiosa, ela indagou:

        – Interessante… esse aí não entrou! Por que ficou de fora?

        E o malandro:                 

        – É porque ele é o sacristão!