Ailton Villanova

5 de Fevereiro de 2016

O drama do Polaródio

     O Viagra continua fazendo a alegria da turma que andava fraquejando no barato horizontalino. Remédio democrático, o bendito Viagra tanto serve, com a mesma eficiência, a brancos e pretos, ricos e pobres, velhos e moços, embora estes últimos não precisem dele para mostrar a sua competência sexual. Onde quer que necessitem do seu concurso, da sua ajuda, para combater a brochança, ele pode ser utilizado numa boa, desde que seja precedido de recomendação médica.

     Em assim sendo, o ilustre Polaródio Contumázio, que andava falhando nos “arranques” de alcova, procurou o médico e amigo Lupércio Bezerra Villanova, a quem confidenciou:

     – Tô brochando, Lupe! O que é que eu faço?

     O esculápio respondeu:

     – Fique frio. Acaba de ser lançado na praça um remédio eficientíssimo para impotência peniana, chamado Viagra.

     – Oba! É mesmo?

     – Seu efeito é quase imediato. Vou lhe dar umas Amostras Grátis desse Viagra pra você experimentar. Mas, antes, preciso lhe fazer alguns exames, principalmente no coração.

     – Ah, o meu coração é que nem uma rocha: firme e forte pra cacete!

     – É, mas precisamos ver isso direitinho…

     Depois de hora e meia de exames, o Polaródio saiu do consultório médico feliz da vida, com a recomendação do doutor lhe soando nos ouvidos:

     – Olha, não vá exagerar, hein? Cuidado com o entusiasmo. Você pode matar a mulher de tanto amor!

     Polaródio parou numa lanchonete, pediu uma água mineral e tomou uma dose de comprimidos, além daquela recomendada pelo médico. Em seguida, disparou pra casa. Chegou lá com um tesão animal, mas não encontrou a esposa. Estava a ponto de explodir. Desesperado, ligou para o doutor Lupércio e expôs a situação.

     E o doutor:

     – Tenho a impressão que você andou exagerando na dose…

     – Palavra que não, Lupe! – mentiu Polaródio.

     – Pois então se contenha, o tempo que der. Segurar essa barra por um prazo prolongado pode causar sérios problemas.

     – O negócio é que não estou podendo me segurar!

     – Então, ataque a empregada. 

     – Nós não temos empregada!

     – E vizinha? Tem alguma vizinha disponível e que dê pro gasto? Se tem, ela poderá quebrar o seu galho.

     E o Polaródio:

     – Porra, doutor! Se era pra comer a vizinha, eu não precisava desse tal de Viagra!

 

 

Bom sujeito

 

     Doutor Fidelino era um querido chefe de repartição pública que andava cabreiro com um dos seus auxiliares, o Bertulino. Sempre na quinta-feira o cara faltava ao trabalho e no dia seguine não dava satisfação alguma. Até que, certa feita, não segurando mais a curiosidade, o chefão pediu ao contínuo Adonias que na quinta-feira, bem cedinho, fosse à casa do faltoso e ficasse de campana para ver o que ele fazia o dia inteiro.

     No final do expediente vespertino Adonias voltou à repartição e aí o doutor Fidelino perguntou ansioso:

     – E aí, Adonias?

     – Bem, doutor, ele saiu de casa lá pelas nove, pegou o seu carro e levou sua mulher para passar o dia no motel.

     – Mas que estranho! E precisa faltar ao trabalho para levar a própria mulher num motel?

     – Doutor, eu acho que não me expressei bem…

     – Não?

     – Não. Quando eu disse que “ele pegou o seu carro e sua mulher e foi pro motel”, eu estava me referindo ao carro do SENHOR e à mulher do SENHOR, entendeu agora?

 

 

Quer o telefone?

 

     A jornalista Fátima Vasconcellos só arruma empregada pirada mas, nesse barato, foi superada pela colega Sílvia Spencer, que requisitou uma congênere na cidade de Messias e instalou na sua residência, com mil recomendações. Silvinha é muito organizada, talqualmente a outra colega, Ana Márcia.

     Pois, então, Sílvia Spencer se achava tomando banho para ir ao trabalho quando escutou a campanhia tocar. Aí pediu pra empregada atender. Daí a pouco, a doméstica voltou e gritou para a patroa:

     – Dotôra “Silva” é um tal de Fernandis.

     – Ah, Nivalda, agora eu não posso atender. Dê meu telefone pra ele.

     – Sim sinhora!

     A empregada desplugou o aparelho telefônico da tomada e entregou pro cara.

 

 

Segura o nono!

 

     Almoço de domingo na casa da “famíglia” do nono (vovô) Giuseppe. Muito macarrão, muita brachola, queijo parmesão, vinho, pão napolitano, aquela fartura! A família toda reunida em volta da mesa, “mangia e parla”! “Parla e mangia”!…

     Sentado na cabeceira, o nono Giuseppe. De repente, ele fechou os olhos e começou a tombar para o lado, ameaçando cair da cadeira. O netinho Bruno foi o primeiro a notar:

     – Olha! O nono tá dormindo!

     E a família toda correu para acudir:

     – Segura o nono! Segura o nono!

     Fizeram aquele escarcéu e o velho abriu os olhos. Daí a pouco a cena se repetiu:

     – Segura o nono! Segura o nono!

     Na terceira vez, seu Giuseppe invocou-se:

     – Porca pipa! Má non se pode nem “bufá” sossegado nesta casa! 

 

 

Papo sério

 

     José Abrôncio não conseguiu mais se segurar e abriu com a esposa:

     – Assim não dá, Deolinda! De manhã, vou vestir a camisa pra trabalhar e descubro que ainda está faltando aquele mesmíssimo botão. Abro a gaveta do armário e não acho um par de meias limpas pra calçar! Aí, volto do serviço e o jantar não está pronto! Putaquipariu! Eu nunca vi tanto desleixo!

     E a mulher:

     – Ah, é? Pois eu me mato de trabalhar o dia inteiro. É de manhã até a noite só cuidando dos nossos filhos, da roupa, da casa, e ainda fazendo os meus bicos para ajudar nas despesas, porque com essa miséria de salário que você ganha… já viu, né? E você ainda reclama, Abrôncio! Eu não tenho tempo nem pra limpar a bunda!

     E o cara:

     – Aliás… essa é outra conversa que eu queria ter com você!

 

 

Apenas no começo!

 

     No meio do serviço o pedreiro Lucindo da Conceição parou o que estava fazendo, correu pro orelhão mais próximo e ligou pra casa. Sua mulher, dona Austrália, atendeu e ele mandou lá:

     – Você nem queira saber, Tatá. Aconteceu uma coisa incrível comigo, agora há pouco!

     – E o que foi, Lu?

     – Caí de uma escada de 15 metros!

     – Valei-me minha Nossa Senhora! E você tá muito machucado, meu nego?

     – Nem um pouquinho. Eu ainda tava no segundo degrau.

 

 

Queria muito mais

 

     O velho José Marques, conhecido usurário do bairro do Farol daqueles tempos da venda à prestação em domicílio, bateu na porta de um antigo freguês, o Valdeluz Américo, que aquelas alturas se achava fazendo uma precisão no mictório.

      – Valdeluz, o seu Zé da prestação tá aí, outra vez. – avisou a esposa.

      – Já vou, Maria José. Fala pra ele pegar uma cadeira e sentar um instante.

      – Ja falei pra ele pegar a cadeira. Mas ele quer levar a geladeira!