Ailton Villanova

2 de Fevereiro de 2016

Ligação errada!

      Fatalidade é como podemos classificar um ato apressado praticado pela empregada doméstica de origem portuguesa chamada Maria Amália. Não é de todo culpa sua. Seu patrão, o também lusitano Francisco José Alenquér, foi quem a induziu cometer terrível engano, que culminou com duas mortes.

     O Alenquér veio trabalhar no Brasil por determinação da empresa que o admitira como supervisor de vendas. Então, na sua bagagem, incluiu o  papagaio Camões, a cadelinha Juju, gato Napoleão e a Maria Amália, além da caríssima consorte Maria de Fátima.

      Num determinado final de tarde, ele ligou do aeroporto para casa e a empregada atendeu:

      – Estou cá!

      E o patrão: 

      – Quem está lá?   

      – A Maria…

      – Qual Maria? A criada ou a minha mulher?

      – A criada, senhoire, doutoire…

      – Maria, diga-me cá: estou no aeroporto a aguardaire  embarque no próximo voo e esqueci-me de levaire aos correios uma carta urgente. A carta está subscrita e selada. Creio que a deixei em cima daquela cômoda do dormitório. Tu vais lá, apanhas a carta e entregas à estação dos correios ainda hoje, percebeste? Caso lá não esteja, tu voltas cá ao aparelho e me avisas. Fico a esperar, cá na linha. Vai!

       A criada foi. Uns cinco minutos depois ela  voltou a falar:

       – Senhoire doutoire… perdoe-me, mas eu cá já não entro lá, não!

       – Como não entras, Maria?

       – Entro, mas agora não! Acabo de ver dona patroa acompanhada…!

       – O quê? acompanhada de quem? 

       – De um cavalheiro que eu não conheço senhoire doutoire…

       – Raios! Um cavalheiro?

       – É, senhoire doutoire. Ele e a patroa estão despidos. Eu estive a ver pelo buraco da fechadura…

      – Pelos chifres do diabo! Maria, conjuro-te a fazeire o que vou mandaire. Sabes onde guardo o revólver?

      – Sei, senhoire doutoire.

      – Pois bem, volte ao quarto com a arma e mate os dois. Os dois, ouviste? Aguardo cá na linha e só quero ouvir-te de novo para que me  digas que estão mortos, pois!

       – Está bem, senhoire doutoire.

       Passam-se uns dez minutos e a empregada volta:

       – Pronto, senhoire doutoire. Fiz o que o senhoire mandou.

       – Matou os dois?

       – Matei. Entrei no quarto e consegui atingir dona Maria ao primeiro disparo, mas o cavalheiro escapou pelo corredor e tive de ir no encalço dele. Mesmo despido, ele saltou a janela e correu para o jardim. Quando estava galgando o muro, consegui mirar o último disparo. Ele cambaleou e caiu morto dentro da piscina.

       – Como? Piscina?! Disseste piscina?

      –  Sim, senhoire.

      – Nesse caso estás a falaire de outra casa que não é a minha!  Desculpe! Ligação errada!

 

Cirurgia ou farra?

      Boêmio pra mais da conta, o médico Isaac Calixto chegou ao hospital ressacado para comandar mais uma cirurgia. À enfermeira Diva Magda, uma gostosura de criatura, ele foi logo avisando:

      – Daqui a pouco vou começar a operar. Por favor, minha nega, traga todos os meus instrumentos…

      – Só o violão e o cavaquinho, ou o atabaque e o tamborim também?

 

Exame gostoso

      Dia seguinte ao exame a que havia se submetido, a balzaquiana Gertrudes da Conceição voltou ao ginecologista, com um apelo:

      – Doutor, dava pro senhor repetir o exame que me fez ontem?

      – Por quê? – indagou o médico intrigado.

      – É que foi tão bom!  

 

Elas por elas

      Num barzinho de beira de praia, dois amigos papeavam entre um gole e outro de cerveja. Um deles dizia:

       – Sabe, Afrânio, ando muito puto com a porra da minha sogra!

       – O que é que essa filha da puta anda aprontando pra cima de você?

       – Ela vem me tratando como um cachorro!

       – E você não tem reagido?

       – Claro! Eu a trato como um poste!        

 

Mas que alegria é essa?

      A professora Cecy Díllia é uma mulher bacana. Para os seus alunos, ela  faz tudo o que imagina ser bom pra eles. Certo dia, ela os levou para passear no parque municipal, porque achou que eles andava tristonhos, sem querer brincar.

       No parque, a garotada continuou parecendo tristonha. Até que a professora reparou num sujeito que não tinha os dois braços e pulava sem parar. O sujeito pulava em cima das árvores, de galho em galho, subia nas pedras, pulava novamente no chão… enfim, um verdadeiro malabarista! A professora chamou o cara para perto da meninada e disse:

       – Vejam só a alegria deste homem, que mesmo sem os braços, vive feliz a brincar no parque! Mirem-se neste bom exemplo!

       Perguntando ao homem por que ele estava tão feliz, professora Cecy Díllia escutou dele a seguinte resposta:

       – Olha, dona, eu não estou feliz como a senhora pensa! Estou pulando assim porque estou com uma coceira danada no olho do cu e não tenho como coçar…  Tô aqui que não aguento mais!