Rívison Batista

28 de Janeiro de 2016

OVNI

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“A ciência está em constante mudança, de modo que não dá para se saber se algo é um fato científico”. Assim que um cientista falou esta frase, a TV desligou. O homem assistia a um documentário científico na sua sala quando faltou energia. Advogado, com quase 40 anos de idade, era um sujeito racional. Morava um pouco afastado do centro da cidade, em uma área campestre num município vizinho da capital. Era 2h30 da madrugada e fazia um calor terrível. Tinha uma casa espaçosa, com duas janelas grandes que davam para rua. Abriu uma janela. Observou que com todas as luzes desligadas dava para ver mais estrelas do que o normal. Não era um amante de astronomia, era um homem com pés no chão, regido pelas leis. Racional que era, olhava para o céu e admirava duas grandes estrelas, sem saber que não eram estrelas, eram dois planetas alinhados: Vênus e Júpiter. Os poucos vizinhos que tinha pareciam que não se importavam com o calor, aparentemente dormiam. Não havia sinal de mais ninguém acordado naquela região. Voltou a admirar as “duas estrelas” e algo lhe chamou a atenção. Um pequeno ponto vermelho se destacava entre as duas agora. 'Devo não ter percebido aquela estrela vermelha por conta de alguma nuvem', pensou em voz alta o homem da lei.

Foi buscar a garrafa de água na geladeira desligada. Acendeu uma vela e a pôs em cima da mesa da sala. Acendeu um cigarro e voltou para a janela. Pensou sobre o documentário que assistia. 'O que se pode chamar de fato científico se disseram que a ciência não é exata?', se questionava entre uma tragada e outra. De repente, ao olhar para Vênus e Júpiter de novo, percebeu algo diferente. A estrela vermelha entre os dois astros tinha ficado estranhamente maior. Tinha aumentado de tamanho, pelo menos, cinco vezes. Fixou então os olhos naquilo. Pouco a pouco a estrela vermelha ficava maior, até que ele percebeu que a estrela não estava crescendo, estava descendo. Pasmo e boquiaberto, o advogado viu a 'estrela' fazer uma leve curva para a esquerda no céu sem nuvens. 'É só um balão', pensou o homem racional, que continuava boquiaberto. O objeto continuou sua manobra rumo ao chão e o homem assistia àquilo fumando mais rápido, nervoso. Não era um balão. Já dava para ver o formato triangular da coisa.

'Que porcaria é essa?'. À medida que o objeto descia, ele cogitava hipóteses e as eliminava quase que instantaneamente. 'Drone? Não, grande demais. Helicóptero? Não, silencioso e estável demais'. Chegou à conclusão óbvia: 'Ovni', pensou em voz alta. A sigla Ovni significa Objeto Voador Não Identificado, o que não quer dizer que seja algo de fora do mundo ou produzido por outra raça inteligente. Mas só o fato de lidar com o desconhecido já o assustava. O objeto já devia estar a uns 400 metros de altura. Então, lentamente, o homem fechou a janela e se afastou. Procurou o sofá na escuridão e ficou sentado olhando para o nada. Pela brecha da janela de madeira entrou uma luz vermelha muito forte, que iluminou em parte a casa sem energia e fez a vela acesa parecer uma faísca insignificante. O homem não teve nem tempo de sentir medo, pois antes disso sentiu um sono pesado. Adormeceu no sofá e ouviu vozes em sua cabeça. E uma das vozes, bem feminina, entrou em contato: “Não somos de fora, somos de dentro. Reinos subterrâneos. O passado deste planeta foi glorioso, mas, quando veio a destruição do lado de fora, fomos para dentro, onde há proteção. Evoluímos. Os que ficaram fora regrediram. Sua linhagem recomeçou do zero. Vocês nos chamaram de muitos nomes. Anunnaki, deuses, anjos. Hoje nos chamam de extraterrenos, mas somos deste mundo há tempos. Vocês não estão sozinhos. Preservem nosso lar. Lute pela vida. Seja honesto”.

A luz foi embora, a energia elétrica voltou e o homem acordou atordoado. Teria sido um sonho ou tinha tido contato com um ser superior? Lembrava de cada palavra que a voz feminina ecoou na sua cabeça. Ela falou em reinos subterrâneos, ele pesquisou e encontrou a teoria da Terra oca, com suas várias cidades há quilômetros de profundidade, onde Agartha seria a cidade principal. Pesquisou mais um pouco e descobriu que o termo 'Anunnaki' vem da Suméria, nos primórdios da civilização humana, e significa 'aqueles que vieram do céu'. Mergulhou no assunto e viu que a própria Bíblia fazia citações a Ovnis, como em uma passagem de Ezequiel, onde o profeta vê descendo dos céus 'a maravilha do senhor'. Leu também que o deus grego Apolo cruzava as nuvens em uma carruagem de fogo. 'Teriam sido essas visões mal interpretadas? As pessoas da superfície não sabiam o que era tecnologia avançada', questionava-se. Aprendeu sobre a catástrofe que atingiu Atlântida, citada nos textos de Platão, e ligou isso à antiga destruição relatada pelo ser superior.

Depois de ter mudado tanto seus conceitos, o homem da lei viu que sua racionalidade o limitava, e então abriu a mente para outras possibilidades que não estavam nos livros de história lidos nas escolas. Continuou advogando, mas não mais por dinheiro, e sim para defender quem merecia. Se o dinheiro viesse, ótimo, senão, abria a janela na madrugada esperando por mais respostas, que nunca mais desceram do céu. “Seja honesto”, pensava sempre antes de dormir.

 

*Rívison Batista é jornalista [e fã de assuntos que a ciência ainda não pode explicar. Para quem quiser ler mais sobre a 'teoria da Terra oca', pesquisem sobre Richard Byrd, um aviador da marinha norte-americana que sobrevoou o Polo Norte e, em seu diário, registrou uma visita ao 'mundo subterrâneo'. Para quem quiser conhecer mais sobre os Anunnaki, pesquisem os livros de Zecharia Sitchin, grande historiador do século XX. A foto que ilustra o conto, por incrível que pareça, não é montagem. É só pesquisar sobre 'a onda belga', uma das maiores aparições de Ovnis da era moderna que deixou a Bélgica em pânico no fim dos anos 1980].