Ailton Villanova

27 de Janeiro de 2016

Um japonês por demais invocado

     O coletivo estava prestes a deixar o terminal rodoviário de São Miguel dos Campos quando subiu um sujeito baixinho com cara de japonês, que foi logo se dirigindo ao motorista José Binéu:

     – Olha, amigo, eu sou um propagandista-vendedor de máquinas agrícolas…

     – Sim, e daí? – interrompeu o Binéu.

     – E daí que preciso descer em Arapiraca e, como não dormi nadinha noite passada, acho que vou desmaiar assim que sentar na poltrona… Será qure o senhor poderia mandar me acordar quando chegarmos lá?

     E o Binéu, melhorando o humor:

     – Claro, claro. Sem problema. Pode contar.

     – Só mais uma coisinha: eu costumo acordar extremamente mal humorado. Se eu lhe xingar, ou xingar alguém, por favor me desculpe.

     – Tudo bem, mano. Fique frio.

     – Olha, tome este dinheiro aqui, porque eu sei que vou dar trabalho.

     – Obrigado! – agradeceu o motorista, embolsando a grana.

     E o japinha, ainda com a palavra:

     – Ah, tem mais!

     – Tem? Pode dizer.

     – Se eu não quizer descer, pode me colocar pra fora do ônibus na marra!

     – Tá falado.

     Dito isto, o baixinho o procurou uma poltrona, aboletou-se nela, fechou os olhos e agarrou no sono. Quando acordou, já havia passado de Arapiraca. Estava em Penedo. Puto da vida, reclamou do motorista, na base do xingamento.

     Um dos passsageiros cutucou o vizinho de assento e comentou:

     – Que japonês mais malcriado!

     E o outro:

     – Esse até que está calmo. Você precisava ver o outro que botaram pra descer em Arapiraca!

 

 

Uma massagem anal diferenciada

 

     Aquele inteligentíssimo sujeito intitulado Jotajó, foi abordado por um conhecido quando transitava pela Rua do Comércio:

     – E aí, cara, tá melhor das hemorróidas?

     E ele, feliz da vida:

     – Bastantemente melhor!

     – Qual o remédio que você tá usando?

     – Remédio nenhum. Eu apenas estou me tratando com um enfermeiro, o Gomes, que é sensacional!

     – Enfermeiro?!

     – Claro! É ele que fazendo o meu tratamento…

     – Ah, é? E como é esse tratamento?

     – Bom, ele me coloca de quatro, segura o meu ombro direito com a mão direita e o meu ombro esquerdo com a mão esquerda… e, aí, faz a massagem no meu cu com o dedo. Simples!

     – Simples, hein? Mas com o dedo de qual mão?

     – Eita! Eu nem tinha pensado nisso!

 

 

Profundidade em cima e embaixo!

 

     Docilene Maria, linda e deliciosa garota, tinha com ela um grave problema: sofria do coração. Mesmo assim, estava prestes a contrair núpcias com o guapo mancebo Aristóteles Romão. Seu Frenaldo, o extremoso pai, bastante preocupado com a saúde da filha e, ainda mais porque, o noivo desconhecia a sua doença, chamou o futuro genro num canto e disse:

     – Preciso ter uma conversa séria com você!

     O jovem franziu a testa e rapaz indagou:

     – Algum problema, seu Frenaldo?

     – Sim. – confirmou o velho. – Não sei se você sabe, meu filho, mas a Docilene tem uma angina profunda…

     Aliviado e com a cara mais feliz da vida, ele confirmou:

     – Eu sei. E o ânus também!

 

 

A boa idéia da madame

 

     A turma de sempre tomava a sua tradicional cervejinha na birosca do Jacaré, localizada na Levada, quando um dos farristas, o Avelonaldo, entendeu de anunciar para os colegas, “a grande novidade”:

     – Companheiros, tudo indica que, muito breve, vou começar a praticar um esporte! Aliás, devo acrescentar que a idéia quem me deu foi minha mulher!

     Um dos amigos, o Zeraldo, aparteou:

     – Que legal, malandro! Tá vendo como ela se importa com a sua saúde?

    Outro parceiro quis saber que tipo de esporte o Avelonado estava pretendendo abraçar, segundo a sugestão de sua esposa. Cheio de orgulho, ele respondeu:

     – Minha mulher acha que eu devo começar logo a praticar uma tal de “Roleta Russa”!

 

 

Presente para o Scaramussa

 

     Pense num gerente de banco íntegro, discreto, educado, amigão mesmo, e eu lhe indico o Jorge Luiz Scaramussa, do finado Banespa. Fez falta quando foi transferido para Florianópolis, por decisão do sucedâneo Santander.

     Certo dia, revendo a situação de clientes que andavam meio dispersos, ele encontrou um certo José Januário, produtor rural, e mandou-lhe uma atenciosa correspondência:

     “Gostaríamos de vê-lo com mais frequência. Em assim sendo, solicitamos, caso seja do seu interesse, o seu comparecimento à nossa agência, munido do presente aviso de recebimento”, etc e tal.

     Uma semana depois, o sobredito cliente apareceu no banco com um bacurinho barulhento debaixo do braço:

     – Bom dia, seu Caramujo…

     – Scaramussa! – consertou o gerente.

     – Ah, Caramuja! Bom, seu Caramuja, eu arrecibi o aviso de vosmicê e aqui tá o seu presente!

 

 

Abusou demais da hospitalidade

 

     Argelândio Oldoceu convidou o colega de trabalho Bartolomeu Caroba para jantar em sua nova residência, no Benedito Bentes. Chegaram lá, o anfitrião foi pra lá de gentil e hospiteleiro com o convidado:

     – Olha, Bartô, tu vai ficando aí à vontade, enquanto dou um pulinho no banheiro, tá legal? Faça de conta que está em casa!

     – Tá jóia, companheiro!

     Argelândio só saiu do banho uma hora depois (devia está cheio de grude) e qual não foi sua surpresa quando se deparou com o Bartolomeu deitado no sofá com sua esposa (dele, anfitrião), os dois peladões, curtindo o maior barato. Aí, deu a bronca:

     – Êpa! Peraí, meu irmão! Eu pedi pra você ficar à vontade, mas não era pra exagerar desse jeito!