Ailton Villanova

15 de Janeiro de 2016

De “devogado” a ministro

       O 17 de junho vai ficar marcado para sempre na memória da esmagadora maioria de jornalistas e acadêmicos de jornalismo do Brasil inteiro. O Supremo Tribunal Federal entendeu que, pro caboco ser jornalista, hoje em dia, não precisa ter diploma. Prá que esse estrago? Para o STF basta só ele saber garatujar num papel, enfileirar um monte de letras numa tela de computador, ou falar besteira diante de um microfone de rádio ou de uma câmara de Tv, pronto! É jornalista!

      A decisão do STF frustrou um sem-número de jovens e frustrou outro tanto de profissionais de imprensa. As argumentações dos senhores ministros para justificar os seus respectivos votos contra o diploma de jornalista, foram as mais engraçadas. A decepção, entre os que fazem comunicação social no Brasil, que provocou lágrimas e até xingamentos, certamente ensejará reações.

      Mas por que desmerecer o jornalismo? Por que apenas o jornalismo? Justo esse, que trabalha para a sociedade informando-a sobre as mazelas que acometem o Poder e denunciam corrupção, suborno, conchavos, acordos espúrios e roubalheiras existentes nos organismos oficiais do país. Até dólar na cueca. O jornalismo independente incomoda, porque é orientado, respaldado pela ciência da coragem que é ensinada nas faculdades; que transforma a crítica num instrumento de advertência à nação do quanto e onde estamos sendo roubados.

      Admitir indivíduos sem o compromisso com a ética e com a razão, para ocupar espaços hoje exclusivos de jornalistas, se tornou prática comum nas redações de jornais, revistas e emissoras de Tv. Ligeirinho, o eclodiu o exercício das conveniências daqueles que pagam mais caro, ou mais barato – depende da ocasião, e/ou do caso -, a patrões, prepostos e empregados improvisados na nobilitante função de jornalista.

      Revoltado com o fato de a Justiça ter acabado com a exigência do diploma de nivel superior para o exercício da profissão de jornalista, o ilustre Fedúlcio Cunegundes Pimpo, recém diplomado jornalista, não se conteve:

      – Logo agora que me formei! Não admito! Essa jogada de querer desmoralizar a minha categoria, é inconcebível!

       O Fedúlcio em alusão é muito louco, a maioria dos meus leitores o conhece. De de tão fã que é do Reinaldo Cavalcante ( por sinal seu guru ), ele botou na cachola a ideia de lhe seguir os passos profissionais. Então, entre ser psicólogo, radialista ou jornalista, optou por esta última profissão, pelo fato de, segundo garante, ser a mais empolgante de todas elas.

       Fiquei amigo do Fedúlcio através do Reinaldo. Quando o conheci, ele já era doido e, de quebra, analfabeto. Estudou, ininterruptamente, durante 37 anos para ser jornalista. Graduou-se, mas adicionou o azar nas costas – mistério insondável do destino.

      Semana passada ele estacionou sua pessoa no forum de Maceió,  carregando uma pasta preta ensebada, e cheio de direito. Ao seu lado, o irmão Federaldo, que é apenas meio doido. Na portaria, ele empinou a venta e falou pro recepcionista:

      – Eu sou o doutor Fedúlcio Cunegundes Pimpo, advogado. Este aqui ao meu lado é o meu irmão doutor Federaldo Cunegundes Pimpo, economista…

       E o porteiro, muito educado:

       – Com quem os doutores estão querendo falar, por gentileza?

       E o Fedúlcio:

       – Na verdade, eu não quero falar especificamente com ninguém. Vim apenas comunicar que encetarei uma campanha para acabar com diploma de advogado. Qualquer um poderá ser advogado, sem precisar dessa besteira de ser bacharel em direito…

       – Mas não pode, senhor…  

       – Como não pode? Onde que advogado é melhor que jornalista?

       – Em canto nenhum, senhor…

       – Pois os ministros do STF acham que diploma de jornalista é uma bosta. Se a onda agora é essa, então vamos acabar com todos os diplomas, todas as faculdades… tudo! Minha próxima meta é ser ministro, sem diploma e sem merda de papel nenhum! Não é pra esculhambar? Então…

 

 

 

Os gritos da Eluza

 

 

       Juvenaldo tomava uma cervejinha com o amigo Sindulfo no bar do Ditão, na Jatiúca. Enquanto bebiam e chupavam canelas de siri, os dois conversavam sobre suas respectivas famílias. Foi quando o Sindulfo saiu com essa:

       – Ô Juvenal você sabia que a Eudóxia, minha mulher, grita muito quando está transando?

       – Ora, meu chapa, isso é normal… Muitas mulheres gritam durante o sexo, umas mais alto, outras mais baixo… Não tem problema!

       – Mas a Eudóxia grita alto demais, meu amigo!

       – Puxa, Sindulfo, é tão alto assim? 

       – Ora se é! A Eudóxia grita tão alto quando está transando que até lá na padaria eu consigo escutar!!!

 

 

Macho bom de morrer

 

       Era um sábado de manhã. A matutada bebia sua cachacinha com tiragosto de bode, no bar do Soró, situado lá bras bandas de Campo Alegre. Nisso, parou uma motocicleta possante na porta e dela apeou-se com cabra fortão, com um chapelão tipo caubói, enfiado na cabeça.

      Pisando firme, o fortão entrou lá e disparou:

      – Nesta merda não tem macho!

      Esperou uma resposta e, com mais ênfase ainda, completou:

      – Eu disse que aqui nesta merda de bar não tem macho!

      Todos continuaram em silêncio. Não satisfeito, o cara pegou um matuto baixinho no balcão e falou

       – Você não me ouviu? Eu acabei de dizer que aqui dentro não tem macho!!!

       Tranquilão, o baixinho respondeu:

       – Na verdade num tem mêrmo, purque os qui aparece, nóis mata tudo…

 

 

Melhor depois!

 

       Esta é antiga, meio manjada, mas vale a pena ser recontada.

       Num barzinho da periferia de Salvador, dois caras papeavam:

       – Meu rei, veja pra  mim… a braguilha de minha calça tá aberta?

       – Ólhe… tá não, viu?

       – Então, deixe… vô deixar pra mijar amanhã…

  

Uma questão de lembrança

 

      Noutro bar, mas não em Salvador, aqui mesmo em Maceió, dois colegas de copo já estávam pra lá de Bagdá. Um deles perguntou ao outro:

      – Ô Guimarães, tu quer saber de uma coisa? Não cheguei a transar com minha mulher antes do casamento E você? 

      – Não me lembro… Qual é mesmo o nome dela?