Ailton Villanova

14 de Janeiro de 2016

Morto e bem morto!

     Quando ele estava biritado, aprontava horrores. Estou falando do saudoso Jason Firmino, boêmio incorrigível. Certa madrugada , ele saiu, trocando as pernas, de uma  farra no Jaraguá, e decidiu chegar ao Pontal da Barra, onde morava, na base do solado dos pés. A caminhada apresentou-se como um grande desafio, mas ele entendeu de enfrentá-la considerando-a como “mais um desafio na vida”.  Ademais, o “amor febril” faria muito bem à saúde.

      Ao passar pelo Cemitério de São José, no Trapiche, chamou-lhe a atenção um velório bastante concorrido, e logo pensou: “Aí deve ter birita!” De modo que entrou lá, sem pedir licença, e imiscuiu-se no meio da parentada e dos amigos do inditoso João Servílio. Não demorou muito, ele viu que “daquele mato” não sairia coelho, porque a turma era uma tristeza só. Todo mundo capiongo, assoando a venta. Maior sinfonia narigal.

       –  Esse velório tá devagar demais! – reclamou.

       E decidiu animar o ambiente. Então, aproximou-se do finado, demorou-se cerca de trinta segundos espiando pra ele e, finalmente, levantou a cabeça fingindo espanto:

       – Eita! Ele respirou!

       Todo mundo se ligou nele e a viúva protestou:

       – Deixe de invenção, meu senhor! Num tá vendo que o Servílio já tá duro e gelado?

       Novo silêncio. Dalí a pouco, Jason novamente:

       – Estão ouvindo? Ele agora soluçou!

       Princípio de tumulto no velório. A turma assanhou-se para tirar o “de cujus” do esquife e leva-lo ao HPS. Mas, a voz da viúva falou mais alto:

       – Deixem o meu Servílio em paz! Ele fica e vai ser enterrado, porque está morto, pronto!

       Lá pelo meio da manhã seguinte, quando o corpo do finado acabou de ser sepultado, Jason voltou à carga:

       – Silêncio, minha gente! Escutem! Ele gemeu! Ele gemeu!

       Dessa vez a viúva não pôde impedir que a turma reescavasse a sepultura e exumasse, na marra, o cadáver do Servílio. Para inumá-lo novamente deu um trabalho danado! Precisaram chamar a polícia.

 

Pra que viver mais?

      Doutor Neodímio recebeu em seu consultório o preocupadíssimo Hidelígafo Rosalino:

      – Doutor, o senhor acha que eu chego aos 100 anos?

      – O amigo fuma ou bebe? – perguntou o médico.

      – Nunca fumei e nunca bebi. – respondeu o cara.

      – O senhor joga, dirige em alta velocidade, sai com mulheres? – prosseguiu doutor Hidelígafo.

      – Quêisso, doutor?! Não faço nada disso!

      Aí, o esculápio invocou-se:

      – Mas por que o senhor quer viver até 100 anos?

 

Ôpa! Errou!

      O tipógrafo Niglefilpo Guimarães passou a manhã inteira tomando cachaça num boteco da Levada. Aí, chegou o momento de suspender a farra, porque estava na hora de pegar o rango. Levantou-se da cadeira que ocupava em volta de uma mesa cheia de garrafas vazias, foi até o balcão, pagou a conta, caiu na rua e começou a procurar um lugar pra comer. Na Rua do Livramento, centro da cidade, encontrou um local que lhe agradou. Entrou lá e bateu no balcão:

       – Ô meu, me dê aí uma feijoada e uma cerveja!

       Ao que o balconista perguntou:

       – O senhor está bêbado ou é cego?

       – Por que está perguntando? É por causa do meu bafo ou do meu óculos escuro? 

       – Por nenhum dos dois. É que aqui é um banco!

 

Um cão muito esperto!

     O telefone tocou no gabinete do delegado Eduardo Maia, ele tirou o aparelho do gancho e ouviu o berro de uma mulher histérica:

      – Doutor! É o doutor?

      – É, sim, madame. Venha com calma!

      – Aconteceu uma coisa terrível, doutor! Uma desgraça! Me ajude, por favor!

      – Qual é a tragédia, madame?

      – Na verdade, uma catástrofe! Uma desgraça! O senhor nem imagina!

      – Diga logo o que aconteceu, minha senhora! – rebateu o delegado, impaciente.

      – Meu cãozinho sumiu!

      – Só isso? Esse escândalo todo  por causa de um cachorrinho que sumiu?

      – Mas é um cachorrinho especial, doutor. Olha, ele tão inteligente que, às vezes, dá a impressão de que tá conversando com a gente. Ele entende tudo o que a gente diz!

      – Nesse caso, é melhor desligar rápido porque, a esta hora, ele deve estar tentando telefonar para a senhora.

     E bateu o telefone. 

 

A bela ideia do Fedúlcio

      Na quarta-feira passada o Fedúlcio estava impossível! Força de lua, naturalmente. Era perto da meia-noite quando ele me ligou:

      – Grande e insigne mestre! Como vai sua magnânima pessoa?

      Respondi com a educação e gentileza que me são peculiares:

      – Eu ia bem até você resolver me ligar. O que é que você quer, seu filho da puta?

      – Eu só queria saber se o senhor está por dentro da última…

      – Que última, porra?

      – É que eu tive uma brilhante ideia para acabar com o racismo!

      – Muito bom, rapaz.   Mas que ideia é essa?

      – Pintar São Benedito de Branco!