Ailton Villanova

3 de Janeiro de 2016

Tudo maravilhoso! Mas quem é o velho?!

     José Timóteo Carposo aposentou-se merecidamente, depois de ter atuado, anos a fio, como agente de viagem. Competentíssimo no seu mister, católico fervoroso e solidarista, nunca se negou oferecer ajuda à ninguém.

     Certa manhã de verão, encontrava-se confortavelmente acomodado na sua poltrona de executivo, instalada por detrás do seu birô de trabalho, quando reparou, através da vidraça, num velhinho e numa velhinha de olhos pidões, apreciando os cartazes contendo bonitas e atraentes fotografias de regiões europeias e outros encantadores destinos turísticos mundiais. Ao fixar o olhar na cena dos velhuscos, Carposo comoveu-se. Naquele momento, despertou-lhe o grande lance de solidariedade, que poria em prática, a seguir. Para um empresário bem sucedido como ele, exercitar o seu lado generoso, presenteando os anciãos com um grandioso roteiro turístico de férias, não representaria nada, financeiramente. Ou melhor, representaria, sim, a enorme satisfação de dar um pouco de felicidade a um simpático casal de velhinhos.

     Carposo levantou-se de sua poltrona, foi até a porta e chamou a dupla de velhinhos para dentro da agência. Eles entraram e então o Carposo falou:

     – Sentem-se, por favor…

     Os velhinhos sentaram e Carposo prosseguiu:

     – Eu sei que a aposentadoria de vocês nunca vai lhes permitir tirar umas férias dessas mostradas na propaganda. Então, tomei a iniciativa de presenteá-los com uma viagem fantástica ao Caribe. Fiquem tranquilos que tudo correrá por minha conta e não aceito um não, como resposta! 

     Os velhinhos suspiraram, mas se mantiveram calados.

     Entusiasmado com o seu próprio gesto, Carposo continuou:

     – Além das passagens, da hospedagem e das mordomias do “tour”, eu ainda vou presenteá-los com um enxoval para a viagem, tá bom?

     Emocionados, os anciãos só fizeram confirmar com um balanço de cabeça.

     – Esperem sentadinhos aí, por favor.

     E o Carposo pediu a uma das suas atendentes que emitisse as passagens e fizesse a reserva para os velhinhos no hotel mais luxuoso do Caribe. Eles, claro, estavam mudos de surpresa, além de profundamente agradecidos.

     E, finalmente, viajaram.

     Quase um mês depois, a velhinha voltou à agência de turismo do Carposo, que a recebeu efusivamente.

     – E então, dona Margarida, como foram as férias?

     E ela, ainda emocionada:

     – Ah, meu filho! O vôo foi excelente e o hotel maravilhoso! Eu só posso lhe dizer “muito obrigada”. Mas, uma coisa me azucrina o juízo, até hoje…

     – E o que é, dona Margarida?

     – Aquele velho. Quem é aquele velho com quem tive de dividir o quarto?

 

 

É um coito ou um estupro?

 

     Mulher muito simples, mas mãe extremosíssima, dona Bertulina Conspúcia levou sua filha Geraldina ao velho médico da família, sem deixar de exibir aquele ar de preocupação:

     – Doutor Osmário, a pobrezinha sente dores terríveis quando fica menstruada. Sofre tanto que nem consegue dormir!

     Depois de examinar com muito cuidado a mocinha, o esculápio foi objetivo, direto e claro:

     – O problema de sua filha só vai ser resolvido com um coito!

     – É mesmo, doutor? E o senhor pode cuidar disso? – indagou a ingênua mãe, sem saber o que diabo era esse tal de coito.

     – Eu? Não tenho condições de fazer isso. Estou muito velho…

     – E o senhor conhece outro médico que possa resolver esse problema?

     – Sim, o Orgalpho, meu assistente, pode dar um jeito.

     Dito isto, doutor Osmário chamou o assistente, que pegou a garota e levou para a sala contígua. De repente, começaram a escutar:

     – Aaaaiii… uuuhhhnnn…  ooohhh…

     E dona Bertulina, quase desesperada:

     – Minha Nossa Senhora! Se eu não soubesse o que é um coito, imaginaria que o outro doutor está deflorando a minha filha!

 

 

Um pai com boa memória

 

     Atrasado para ir ao trabalho, o Euternúbio corria pela casa, pra cima e pra baixo, cheio de impaciência. Chegava na porta do banheiro, que se achava trancada por dentro, e perguntava:

     – Já acabou de fazer cocô, Juninho? Anda logo, meu filho! O paínho está precisando entrar nesse banheiro, para tomar banho e fazer a barba!

     E do lado de dentro, a resposta:

     – Calma aí, paínho! Termino já!

     Euternúbio já estava desistindo da idéia de usar o banheiro, quando o fedelho apareceu, todo escabreado:

     – Pronto, pai!

     – Finalmente, hein?

     – Pai…

     – O que é?

     – O senhor é bom fisionomista?

     – Acho que sim, meu filho. Por quê?

     – Ainda bem. Eu acabei de quebrar o espelho do banheiro!

 

 

Ôba! Vamos viajar!

 

     Com todo o cuidado do mundo, dona Aflaudízia chamou sua filha caçula para comunicar o falecimento da avó, dona Gustarda.

      – Neidinha, meu amor, a mamãe tem um notícia importante pra lhe dar. Mas me prometa que não vai ficar muito emocionada…

      – Prometo, mainha. O que é que você tem pra me dizer?

      – Bom… é o seguinte: a vovó está fazendo a sua última viagem.

      – Pra onde ela foi?

      – Para onde todos nós iremos…

      – Ôbaaa! Vamos pra Disneylândia!

 

 

“…Porque hoje é sárrrbado!”

 

     Eles estavam casados havia menos de dois meses. Dirceu e Marluce não paravam de transar. Era o dia todo. De tanta sacanagem, ficaram com a saúde abalada e resolveram procurar o doutor Lupércio Villanova, que foi enfático:

     – Vocês não podem continuar fazendo sexo nesse rítmo! Sexo em demais prejudica a saúde. Vocês têm que dar uma maneirada nesse negócio, senão vão ficar muito doentes.

     E o Dirceu:

     – Mas doutor, a gente gosta tanto de fazer amor…

     – É, eu imagino. Mas fiquem vocês sabendo que o ideal é duas vezes por semana. Inclusive, eu adotei um método que é muito eficiente. Eu só tenho relações sexuais com minha mulher nos dias de semana que tenham a letra “R”. Por que vocês não fazem isso também?

      O casal aceitou a sugestão do médico e foi embora.

      Passadas algumas horas, Dirceu e Marluce estavam mais loucos ainda de desejo, um pelo outro. Não resistindo, ele apelou para a esposinha:

     – Meu amor, que dia é hoje da semana?

     E ela, com aquele olhar de peixe morto:

     – Hoje é sárrrbado!

 

 

Capim para o mestre burro

 

     Em prova oral do curso de medicina, o professor pergunta a um aluno calouro:

     – Quantos rins nós temos?

     – Quarto! – respondeu o aluno, na batata.

     Arrogante, o professor que é do tipo que gosta de tripudiar sobre o erro dos outros, replicou:

     – Quatro? Rá, rá! Tragam um feixe de capim, porque temos um burro na sala de aula!

      Aí, o aluno emendou, com ironia:

      – E para mim um cafezinho!

      O professor boçal invocou-se com a tirada ousada do aluno e o expulsou da sala de aula. Na saída, o rapaz lembrou ao o arrogante e prepotente professor:

     – O senhor me perguntou quantos rins nós temos. Eu respondí que temos quatro: dois meus e dois do senhor. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim!