Ailton Villanova

31 de dezembro de 2015

Com dobradiça, é covardia!

     Ao contrário do seu amigão Jorjão “Gereba”, o baixinho e donzelo Vandericleudes Parísio, o Cleclêu, tinha o maior medo de sexo. Tanto medo, que ficou deprimido e teve de ser internado numa clínica psiquiátrica moderna, cheia de bossas e babados incríveis no tratamento de pirados. Como o seu caso era de orígem sexual, Cleclêu foi encaminhado ao pavilhão misto, cheio de malucos e malucas. Segundo opinião do doutor que recomendara a internação, Cleclêu só podia ficar curado convivendo com o sexo oposto.

     – Garanto que você vai se livrar, ligeirinho, desse medo incompreensível de sexo! – prometera o esculápio.

     E Vandericleudes ficou lá no seu cantinho, todo tímido, roendo as unhas. Quinze dias depois, ele já estava meio familiarizado com a turma. Já batia papo com a rapaziada e cumprimentava – friamente e de longe -, o mulherio. No décimo sexto dia de internação, a mais descolada das mulheres tomou a iniciativa de se aproximar do donzelo:

     – Ôôôiii, bonitinho… Tudo bem com você?

     – Tudo… – respondeu ele, todo encolhido.

     Mas a mulher não se conformou apenas com aquele contato frio, tímido. Dona de belas pernas, peitos e bunda volumosos, ela chegou mais pra perto do Cleclêu:

     – Qualé a sua, bonitinho? Por que está fugindo de mim?

     Cleclêu não teve como resistir ao assédio da mulher, cujo pudor ela mandara pra baixa da égua. Dois dias depois de assédio persistente, Cleclêu já admitia a possibilidade de conhecer “mais de perto” a diferença existente entre o homem e a mulher. De modo que, num final de tarde, resolveu conferir o barato. Chamou a assediadora, olhou bem nos olhos dela, pensou um pouco no que iria falar e, na ausência de coisa melhor, disparou um papo sem pé e nem cabeça:

     – Aposto que eu levanto a minha perna mais alto que você!

     A paciente topou a aposta. Cleclêu levantou o camisolão até o pescoço e botou a perna quase à altura do ombro. De sua parte, a mulher tirou toda a camisola, fez um pequeno esforço e levantou muito mais alto.

     – Viu? Ganhei de você! – vibrou a garota.

     – Levanta de novo, que eu quero ver uma coisa. – pediu o Cleclêu.

     A interna levantou, Cleclêu deu a examinada que pretendia e protestou:

     – Não é vantagem. Com dobradiça, até eu!

 

 

O menino viu demais!

 

     Conservadora, e meio alvoroçada, a balzaquiana Artemísia Limoeiro entrou na sala de aula onde lecionava Geografia, sem reparar onde estava pisando. Aí, tropeçou na perna de uma carteira escolar e – cataplaft! – esborrachou-se no chão, com as pernas pro ar. A gurizada caiu na gargalhada, fato que deixou a ilustre mestra tremendamente invocada. Depois de recompor-se e ajeitar os óculos no pau da venta, ela apontou para o primeiro dos alunos que enxergou:

     – Jorginho, até onde você viu?…

     – Até os joelhos, professora.

     – Uma semana de suspensão, seu moleque! E você, Pedrinho?

     – Até as coxas!

     – Um mês de suspensão por pouca vergonha, seu taradinho! E você, Cacá?

     – Ah, professora, acho melhor a senhora me expulsar da escola!

 

 

Entrada proibida

 

     Muito cioso dos seus deveres e obrigações perante seus doentes, o médico Algafeu Abreu chamou a reboculosa enfermeira Alaíde ao seu gabinete, no hospital que dirige:

     – Você está proibida de atender aquele paciente do quarto 107.

     – Mas por que, doutor? – perguntou a gostosa auxiliar.

     – Porque toda vez que você entra lá, arrebenta os pontos do coitado…

    – Ah, doutor, perdão! – lamentou a enfermeira. – Eu não sabia que ele tinha sido operado de fimose.

 

 

Pensamentos contraditórios

 

     Ausclipésio Madeira e a mulher Perclísia assistiam a um desfile de misses, num badalado clube citadino, quando, subitamente, ele começou a gargalhar. Espantada, a mulher perguntou o que estava acontecendo. Ele respondeu:

     – Estou pensando que reação teria o público se de repente eu saltasse lá no palco e transasse com uma das candidatas.

     Dalí a pouco, quem começou a rir foi dona Perclísia e o marido quis saber o que estava se passando.

     – Tá rindo por quê?

     E a madame:

     – Pensei no que você faria se o público gostasse e pedisse bis!

 

 

Senta, que o leão é manso!

 

     O escrivão Oitívio Magnólio nunca foi de usar cueca. Em assim sendo, tudo lá por baixo vive muito à vontade. Certa tarde, ele preferiu trocar o expediente na delegacia de polícia onde atuava, pela aventura de ver o espetáculo promovido por um circo famoso que havia se instalado no Baixo São Francisco. Chegou lá um pouco atrasado e acabou se sentando, incomodamente, num vão de arquibancada, entre uma tábua e outra. Todo mundo sentado, sabe como é, as tábuas arqueiam para baixo e deixam uma brecha entre elas. Pois foi nesse vão que o escrivão Oitívio se ajeitou.

     A função circense estava quase no final e aí entrou no picadeiro o domador para apresentar o seu número com um leão brabíssimo. Naquilo que o cara abriu a porta da jaula para enfrentar o bichão lá dentro, este foi mais rápido e – zipt! -, fugiu! Maior alvoroço no circo. Todo mundo se levantou, as tábuas da arquibancada voltaram à posição original e prenderam os testículos do Oítívio. Desesperado, ele gritava para a galera:

     – Senta, minha gente! Senta que o leão é mansinho!

 

 

O pintinho do marido

 

     Metido a bonitão, cheio de “nove-horas”, e muito do boçal, o tal de Lauriolânio Algaroba finalmente contraiu núpcias. A esposa, Mauritônia, ele foi arrumar no interior do estado. Carinha lindinha, corpinho sensual e arzinho ingênuo, ele fora submetida a um teste pelo marido, logo na primeira noite de núpcias: ele tirou a roupa, ficou nuzão e, apontando para o símbolo da sua masculinidade, perguntou:

     – Você sabe o que é isto, meu amor?

     – Claro. É um pintinho. – respondeu a moça.

     Deliciando-se com a ingenuidade da esposinha, Lauriolânio disse, complacente;

     – Pois de hoje em diante, você poderá chamá-lo de pênis.

     Ela deu uma risada e contra-atacou:

     – Deixe de ser bobo. Pênis eu estou cansada de ver. Isso aí não passa de um inocente pintinho.