Ailton Villanova

27 de dezembro de 2015

Seria, o doutor Dorí, um curador de hemorróidas?

     Caia chuva ou faça sol, não tem jeito: todas as sextas-feiras o economista Dorival Cavalcanti só se veste de branco. Da cueca às meias. Ele garante que não é por convicção religiosa ou por mera superstição; é mais por uma questão de tradição, do que por outra coisa. Gente muito fina, milhares de vezes o bom Dorí foi confundido com um médico por causa da sua vestimenta branca das sextas-feiras.

     Dorival Cavalcanti foi um dos destacados gerentes do finado Banespa, quando lá atuavam também, entre outras figuras impolutas o Claudélio Aldeman Oliveira e o Jorge Luiz Scaramussa, este último gerente geral. Numa das tais sextas-feiras, de manhã logo cedo, eis que adentra à agência bancária da Rua do Sol, o nosso Dori todo lampeiro, barba bem aparada e cheirando a perfume francês, deslizando sobre o chão lustroso de tão bem encerado.

     Aquele dia, era o dia de pagamento de aposentados e a fila diante dos guichês do banco era enorme. Entre os beneficiários encontrava-se o velhusco Arnô da Conceição, antigo trabalhador rural que, ao reparar na figura do Dorival, alegrou-se todo. Mas, em vez de dirigir-se à pessoa do referido, procurou a banca do gerente mais próximo, que era o Claudélio:

     – Moço, por sua gentileza, cuma é o nome daquele dotô alí?

     – O baixinho da barbinha? – quis certificar-se o Claudélio.

     – Esse mêrmo, sim sinhô.

     Aí, o Claudélio, tremendo gozador, resolveu tirar uma onda com o colega:

     – Ah, aquele é o doutor Dorí, que nas horas vagas também é babalorixá.

     – E cuma é quieu faço pra mode falá cum ele?

     Claudélio apontou pro gerente-geral Scaramussa e disse:

     – Tá vendo aquele galego ali?

     – Tô, inhô sim.

     – Ele é o chefe do doutor Dorí. Peça permissão pra ele.

     – Brigadinho.

     O velho se aproximou do Scaramussa e falou:

     – Será qui vosmicê me dará arturização pra mode eu falá cum aquele dotorzinho da barbinha, alí?

     E o Scaramussa:

     – Pois não, meu velho. Fique à vontade.

     De posse da autorização, o ancião foi até a mesa de trabalho do Dorival e, muito respeitosa e humildemente, inquiriu:

     – Posso falá cum o sinhô? O seu chefe alí, mandou.

     – Pode dizer o que deseja, meu velho! – respondeu Dori, com um sorriso simpático.

     Seu Arnô lascou lá:

     – O sinhô tomém cura morróida?

 

 

Sério mesmo era o olho de vidro!

 

     Grande colecionador de anedotas, Pastor Matias da Silva, residente na Jatiúca, é hoje um aposentado federal de grandes méritos. Quando passou para a inatividade, ele trabalhava nos correios tendo, antes, exercido a função de enfermeiro do finado Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência (Samdu), que funcionava numa dependência da Santa Casa de Misericórdia, com entrada pela rua Pedro Monteiro.

     Um dia, encontrava-se Pastor Matias de plantão no Samdu quando ingressou na emergência uma madame padecendo de dores terríveis. A família da mulher demonstrando grande preocupação enquanto o enfermeiro Pastor cumpria o seu papel, preparando-a para a chegada do médico: ele media a pressão arterial, conferia o pulso, aplicava injeções…

     Finalmente, apareceu o médico.

     – Como vai a paciente, Pastor? – perguntou o esculápio.

     – Ela está em choque, doutor. – respondeu Pastor.

     Dito isto, o enfermeiro suspendeu a pálpebra da paciente e comentou:

     – O caso é sério! Veja aqui: a esclerótica dela está amarelada.

     Aí, saltou o filho da mulher, que estava num canto acompanhando o tratamento da infeliz senhora, e cortou o barato do enfermeiro:

     – O olho dela é de vidro, doutor!

 

 

Comedor muito discreto

 

     Naquele tempo, Pero Vaz de Caminha fazia uma pesquisa entre a marujada de Cabral, para adicioná-la à famosa carta à D. Manuel, rei de Portugal:

     – Antão, ó marujo, o que foi que tu mais gostaste de cumeire nesta nova terra?

     – O cu das índias e as frutas! – respondeu o marinheiro.

     – Mas o que é isso, ó gajo! Não posso escreveire uma coisa dessas para o nosso rei! Seja mais discreto, ó pá!

     E o entrevistado:

     – E fui discreto, ó Caminha. Pois nem gosto de frutas!

 

 

Resultado só depois…

 

     Vilibaldo era um medíocre estudante de medicina, mas se comportava como se fosse doutor formado. Boçal e falante, ele se achava estagiando no plantão do Pronto Socorro quando, em dado momento, entrou no ambulatório um cidadão reclamando de dores estomacais e dores nas pernas.

      – O senhor está com uma intoxicação braba! – diagnosticou o boçal, cheio de moral.

      – Intoxicação de quê, doutor? – alarmou-se o paciente.

      – Não sei. Isso a gente só pode ficar sabendo depois da necropsia!

 

 

Ela não gostou do hipopótamo!

 

     Dona Aspirilda de Jesus, cidadã muito modesta, morava no interior do estado. Acusada de agressão, uma dia ele foi chamada à presença do delegado Robervaldo Davino, que estava iniciando na carreira de autoridade policial.

     – Por qure a senhora agrediu o seu vizinho Januário de Góis? – indagou Davino, com a educação que lhe é peculiar.

     – Foi porque, ano passado, ele me chamou de Hipopótamo!

     – Ano passado?! Depois desse tempo todo?

     – Pois é, doutor. Acontece que só hoje eu vi na televisão e fiquei sabendo como é um hipopótamo!

 

 

Difícil saber qual delas cagou!

 

     Aquela praçona… Aquela tranquilidade… Aquele ventinho fresquinho… Aqueles dois amigos – Aristarco e Epitálio – jogavam conversa fora, sentado num daqueles bancos da referida. De repente, passa uma pomba voando e – plaft! – dá uma cagada na cabeça do primeiro. Ele corre a mão pela careca, faz aquela cara de nojo e aí o amigo acode: tira um lenço do bolso e dá pra ele:

     – Toma! Usa isto!

     E o Aristarco, muito puto:

     – Deixa pra lá! Como é que eu vou saber qual delas cagou?

 

 

A lua é melhor!

 

     Papo lusitano.

     – Ó Manél, pra tu, o que é mais importante: o sol ou a lua?

     – Ora, pois! É a lua, evidentemente! Ela ilumina tudo quanto está escuro. É graças a ela que podemos enxergar de noite.

     – Mas, e o sol, ó pá?

     – O sol não presta pra nada. Ele só brilha de dia, quando está tudo claro!