Ailton Villanova

27 de dezembro de 2015

Defunto mentiroso

     Nascido no Rio Largo das Alagoas, o baixinho José de Arimatéia Pereira, popularmente conhecido como Zezinho Aruba, ou Arubinha, evoluiu na profissão de motorista: deixou de guiar um taxi fusquinha pelas ruas de Maceió para pilotar um caminhão “trucado” por esse Brasilzão afora. Bom de volante, andou encarando tudo quanto foi de estrada pepinosa – até a complicada Transamazônica -, sempre se dando bem. Um dia, pegou uma carga para deixar do outro lado da fronteira brasileira, passando pelo Rio Grande do Sul, até chegar em território argentino. Na volta, cometeu um delito de trânsito, o primeiro em toda a sua vida profissional.

     O acidente aconteceu em Santana do Livramento.

     Muito honesto, Zezinho Aruba procurou a delegacia de polícia e apresentou-se à respectiva autoridade:

     – Vim me entregar, doutor. Cometi um crime e devo pagar por ele.

     E o delegado:

     – Meu amigo, devo advertir-lhe que com a lei não se brinca! Se o senhor cometeu um crime, vou ter que enquadrá-lo nos artigos e parágrafos da lei. Vamos, me diga: que tipo de crime exatamente o senhor cometeu?

     – Atropelei um argentino na estrada!

     O delegado relaxou:

     – Ora, meu amigo, como o senhor pode se culpar se esses argentinos atravessam as ruas e estradas, a todo instante e a toda hora, sem prestar atenção?

     – Mas ele estava parado no acostamento, doutor!

     – Se estava no acostamento é porque não queria atravessar, pense direitinho. Se não fosse o senhor seria outra pessoa a atropelá-lo…

     – Mas eu não tive a ombridade de avisar à família daquele infeliz. Sou um canalha!

     – Meu amigo, se o senhor tivesse avisado, teria havido manifestação, repúdio popular, passeata, repressão, pancadaria e morreria muita gente. Argentino gosta disso. São que nem esse povo do MST. Quer saber? Acho o senhor um pacifista. Merece uma estátua.

     – Enterrei o coitado ali mesmo, na beira da estrada.

     – O senhor é um grande humanista! Enterrar um argentino… É um benfeitor! Outro qualquer teria abandonado o cadáver do cara ali mesmo, na beira da estrada, para ser comido pelos urubus. O senhor merecia o Prêmio Nobel!

     – Mas, doutor, enquanto eu o enterrava, ele gritava; “Estoy vivo! Estoy vivo!”

     – Tudo mentira! Esses argentinos são muito mentirosos! Pode ir tranquilo!

 

 

Tanque vazio

 

     A pequena Fátima Vasconcellos gosta de se gabar que é verdadeira “expert” em automóveis. Um ano depois que comprou o seu primeiro carrinho, ela resolveu trocá-lo por um mais novo.  Saiu da agência e rumou para o posto de combustíveis mais proximo, a fim  de abastecê-lo. Apeou-se do veículo e, toda cheia de autoridade, dirigiu-se ao frentista: 

     – Encha o tanque, meu rapaz!

     Enquanto o frentista providenciava o abastecimento, ela abriu o capô, para verificar o nível do óleo. Alguns minutos depois, com a vareta na mão, perguntou ao funcionário do posto:

     – Por acaso aqui não tem uma vareta mais comprida do que esta?

     – Não, madame. Por quê?

     – Porque esta não alcança o óleo!

 

 

Eva era loura!

 

     Depois de exaustivos estudos, cientistas baianos, liderados pelo ilustre Amaro da Conceição, descobriram que Eva, a primeira mulher, era loura. A base da tese, segundo Amaro da Conceição, baseava-se numa passagem altamente reveladora, que não está escrita na Bíblia.

     Seguinte:

     Eva estava lavando a sua folha de parreira na beira do rio, no Paraíso, quando Adão chegou por trás, bem devagarinho, colocou as mãos sobre seus olhos e perguntou:

     – Advinha quem é?

     E ela:

     – Quantas chances você me dá?

 

 

Corno esperto

 

     Na delegacia de polícia, o elemento conhecido como Pregonaldo, estava sendo preparado para prestar depoimento perante a autoridade competente e seu respectivo escrivão.

     Concluída a qualificação, o delegado iniciou a oitiva:

     – Por que você matou a sua esposa?

     – Porque ela estava me chifrando, doutor. – respondeu o cara, cheio de convicção.

     – E por que você preferiu matou a mulher, e não o amante dela?

     – Ora, doutor, é melhor matar uma mulher só, do que matar um sujeito diferente toda semana.

 

 

Até os índios

 

     Campanha eleitoral para presidente, em tempos idos, ainda no primeiro turno. O candidato José Serra encontrava-se na selva amazônica fazendo um comício para os índios da tribo Oiaeuaqui:

     – Caríssimos nativos, se eu for eleito vou fazer com que sejam preservadas todas as reservas indígenas!

     – Mataraca!

     – Se eu for eleito, os índios vão ser muito mais respeitados!

     – Mataraca!

     Assim que encerrou o discurso, Zé Serra pediu para ter uma audiência em particular com o cacique e foi conduzido até ele por uma índia, por sinal muito gostosa:

     – Por aqui, senhor Serra . – orientou a índia, educadamente. – Esse caminho é menos acidentado. Tenha cuidado para não pisar na mataraca das vacas.

 

 

Mais inteligente de todas

 

     Concorrentes num programa de televisão, três louras se achavam numa ilha deserta. Ganharia o prêmio aquela que menos tempo gastasse para encontrar o caminho de saída. Estavam lá, naquela luta toda, quando, de repente, acharam uma lâmpada mágica. Esfregaram dita cuja, a pretexto de tirar-lhe a poeira. Aí… pluft! de dentro dela saltou um saiu um gênio velhusco, em meio a um fumaceiro:

     – Vou logo avisando… só posso atender a três pedidos. Como não sei qual das três esfregou a lâmpada, e eu não quero que vocês fiquem histéricas, cada uma terá direito a um pedido.

     – Eu quero ser inteligente! – pediu a primeira.

     O gênio mudou a cor do cabelo dela para ruivo e ela nadou até o continente.

      – Eu quero ser ainda mais inteligente que ela! – reinvindicou a segunda.

      O gênio pintou de castanho o cabelo dela, que, rapidinho  construiu uma canoa e atravessou o canal até o continente.

     – Eu quero ser ainda mais inteligente que as duas! – apelou a terceira.

     O gênio a transformou num homem e ele atravessou a ponte… caminhando.