Ailton Villanova

20 de dezembro de 2015

Final ocupado

      O sonho do Heliogábalo Pereira Filho, o Pereirinha, era “assentar praça” na Polícia Militar. Mas, para isso, ele precisava terminar o curso ginasial. Com muito esforço, aos trancos e barrancos, conseguiu concluir o ginásio. Recebeu o certificado depois de repetir a quarta série 21 vezes.

      De posse do papel, Pereirinha se mandou de Palmeira dos Indios para se inscrever, em Maceió, no concurso para milico.

      Pereirinha baixou no QG da PM, na Praça da Independência e deu de cara com uma fila enorme de pleiteantes à função de recruta. Desorientado, “queimou” a fila e foi esbarrar no birô do sargento PM Aílton Rosalvo, encarregado das incrições.

     – Ei, mocinho! Faça o favor de ficar lá no fim da fila! – berrou o militar.

     Heliogábalo foi lá e depois de alguns segundos estava de volta, com cara de bobo. O sargento arretou-se:

     – Eu não mandei você ficar no fim da fila, seu porra?

     – Mandou, sim senhor. Mas acontece que no fim da fila já tem outro cara!

 

 

Ela pediu demais!

 

     Viúvo havia mais de 10 anos, Aristarco Amadeu resolveu que deveria casar mais uma vez, pois se achava em plena forma e uma nova mulher ao seu lado, seria uma grande pedida.

     Boa pinta, excelente papo, o que lhe atrapalhava a vida era a sovinice de que era possuidor. Mas, tudo bem.

     Aristarco caiu em campo e, num lance de sorte, arrumou uma balzaca loura com tudo em cima. Maria Gelásia, a loura, era possuidora de mil curvas e pernas fenomenais. O bonitão logo caiu de amores por ela.

     Então, encontrava-se ele, muito feliz, nos braços da amada, sonhando acordado. Coisa de apaixonado. De sua parte, a balzaca, muito melíflua, alisava a careca do amado, emitindo juras e mais juras de amor. Em dado momento, ela saiu com o seguinte papo:

     – Mozão, se você fosse o dono do céu, me dava um pedaço dele?

     E ele:

     – Claro que dava, meu amor…

     – E se você fosse dono do Sol, me dava um pedacinho dele?

     – Sem dúvida, minha princesa…

     – E da Lula? Se você fosse dono dela, também me daria um pedaço?

     – Mas é claro…

     – Se por acaso você fosse dono de dois automóveis… me daria um?

     – Nunca!

     – Mas por que, meu amor?

     – Porque eu tenho justamente dois automóveis. Sabe de uma coisa? Você está querendo demais!

     O casamento acabou aí!

 

 

O problema era de visão!

 

     Pra lá de biritado, o popular Agapaulo Dias encontrava-se parado, havia horas, defronte da igreja do Rosário, no centro da cidade. Olhava pra cima como quem procura alguma coisa. De repente, aproximou-se dele um velho amigo, o Candelinauro, mais biritado ainda:

     – Ôxe! Quê que tu tá fazendo aí, meu irmão?

     – Tô tentando reparar nas horas do relógio, lá em cima, e não consigo…

     – Ah, isso é porque você tá muito bêbado, cara!  Deixa que eu reparo a hora pra você!

     Então, Candelinauro olhou pro alto e ficou alí paradão. Agapaulo perdeu a paciência:

     – Como é parêia? Tu já viu as horas?

     – Calminha aí, meu! Eu ainda nem consegui ver a igreja!

 

 

Preto e fedorento, só um!

 

     O negão Zezão Abrólio era louco por palavras cruzadas. Mas era viciadão mesmo. Um dia, viajando num coletivo com destino ao trabalho, ele viu uma mocinha sentada no banco ao lado, fazendo o quê? Palavras cruzadas.

     Não deu outra! Assim que o assento junto ao da garota ficou vazio, ele passou a ocupá-lo e ficou de olho pregado nas palavras cruzadas. E foi se aproximando dela. Mas a moça interpretou mal a aproximação exagerada do negão. Afastou-se um pouco, olhou feio pra ele e disse:

     – Além de preto, é fedorento!

     E o Zezão Abrólio, sem desgrudar o olho da revistinha:

     – Se for com duas letras, é CU!

 

 

Apenas para facilitar a leitura

 

     Cena típica de vida a dois:

     De manhã cedinho, o Algebrânio lia o seu exemplar da Tribuna Independente, muito à vontade, esparramado na cama. Ao seu lado, dormia sua esposa, vestindo um babydoll sumaríssimo, com as pernonas abertas.

     De vez em quando o Algebrânio dava uma apalpada na genitália dela. Até que uma hora a mulher acordou:

     – Porra, homem! Que tanto você enfia o dedo na minha xoxota?

     E ele, sem tirar os olhos do jornal:

     – Liga não, meu amor! É só pra umedecer, na hora de virar a página do jornal!

 

 

Para a vizinha, sem essa!

 

      O Nalgemúndio já não aguentava mais as reclamações e cobranças das mulher, dona Roletânia, uma gorducha de peso superior aos 200 quilos, porque ele andava “falhando”.

       Belo dia, resolveu procurar um médico famoso, especialista em problemas broxísticos, que lhe prescreveu uma droga novíssima na praça, um tal de “Pirôncil”, mais brabo do que o Viagra:

      – Olha, Nalgemúndio, esse remédio é muito forte e tem efeito imediato. Viagra perto dele e pinto. Vou lhe recomendar uma dose de “experiência”. Tome aqui mesmo um comprimido e corra pra casa. Você vai ver que apetite sexual lhe acometerá! Sua esposa nem irá acreditar.

       Nalgemúndio tomou o comprimido e correu pra casa. Chegou lá com uma tesão animal, mas não encontrou a mulher. Ele estava a ponto de subir pelas paredes. Desesperado, ligou para o medico e expôs o problema. O doutor aconselhou:

       – Ataque a empregada! Você não pode conter esse impulso sexual intenso! Vai lhe fazer mal.

       – Nós não temos empregada, doutor!

       – Sei lá, e uma vizinha?! Você não tem aí uma vizinha que possa lhe quebrar o galho?

       E o Nal, desesperado:

       – Porra, doutor! Se era pra comer a vizinha, eu não precisava  desse tal de Pirôncil!