Ailton Villanova

18 de dezembro de 2015

Se tem mais uma, bota no outro lado!

     Durante mais de vinte anos de casado, jamais havia passado pela cabeça do Reostato a idéia de chifrar dona Telúrcia, uma mulher dedicadíssima à ele e ao lar. Mas o Reostato chifrou! Armada do cão, só pode ter sido.

     Com mais de 50 janeiros na corcunda, ele achou de se apaixonar por uma garota de vinte, justo a recepcionista da empresa para a qual trabalhava na função de gerente-geral.

     Reostato gamou pela Ditinha assim que botou os olhos no corpo tentador da garota que, por incrível possa parecer, também caiu de amores pelo chefe. Não foi mesmo armada do cão?

     Angustiado por ter assumido a condição de corneador, Reostato resolveu desabafar com o amigo Cremildo:

     – Pois é, Créo… estou num dilema danado. Não quero magoar a Teté, uma esposa tão boa! Afinal, são quase 25 anos de vida em comum, sem que eu tenha cometido qualquer deslize!

     – Acontece, bicho!

     – Como é que eu vou falar pra ela que estou de caso com a Ditinha? Me dá uma dica, rapaz!

     Cremildo botou a cachola pra funcionar e, ao cabo de alguns segundos, saltou com a idéia luminosa:

     – Faz o seguinte, cara… leve ela pra jantar num restaurante bacana, depois para um motel e, no meio da transa, você revela: “Amor, eu tenho outra!”. No momento ela não vai dar muita importância. Depois, quando cair em si, o pior já passou!

     Na mesma noite, Reostato vestiu a sua melhor roupa, comprou flores para a mulher e, a seguir, a levou para jantar num restaurante finório da beira-mar. Vinho francês, lagostas, camarões… Na sequência, motel regado a champanhe.

     Reostato começou a despir a esposa lentamente. Beijos nas zonas erógenas, sussurros, música romântica. Madame foi se entregando toda e o marido incrementando ainda mais as carícias. Ela gemia, se contorcia de prazer…

     – Ai, que delícia, meu amor! Você hoje está demais! Continua… Ui! Ui! Aaahhh… Vai fundo, coração… Acho que vou…

     Reostado aproveitou o momento. Criou coragem e sapecou:

     – Amor, eu tenho outra!

     E Telúrcia, extasiada:

     – Tem outra? Que maravilha, Reozinho! Então bota no outro lado!

 

 

Espaguete, salsicha e almôndega demais!

 

     Doutor Genibaldo Moaclides era um médico discreto e bastante competente. Casado com uma mulher braba virada no cão, não tinha filho nenhum com ela, defeito da madame, segundo a própria medicina. Um dia, o simpático esculápio apaixonou-se por uma enfermeira do hospital onde tirava plantão e não houve como evitar uma gravidez. Também pudera! A garota era que nem um barril de pólvora na alcova. É claro que Genibaldo ficou preocupado com a situação, tanto mais por causa da brabice da esposa.

     – Quando a Violanta descobrir… Ave Maria! Não quero nem pensar! – comentou ele com a amante.

     – A criança eu não tiro! – avisou a enfermeira.

     – Eu não permitiria uma coisa dessas… – retrucou o doutor, que era muito ético e religioso.

     – E o que é que a gente faz? – indagou a enfermeira.

     – Bem, terei que mandá-la passar uns tempos fora, até o nascimento do bebê, o que você acha?

     – É… tá bom. E pra onde é que eu vou?

     – Vai para a Itália. Tenho grandes amigos lá, desde o tempo em que fiz doutorado…

     Tudo providenciado, chegou o dia da partida da enfermeira.  Genibaldo beijou-a e disse:

     – Não se preocupe com as despesas. Quando o dinheiro estiver acabando, é só me telefonar. Outra coisa: vamos bolar uma senha para quando o bebê nascer. Basta que você me mande um cartão-postal escrevendo no verso a palavra “espaguete”, combinado?

     A moça voou para a Itália. Meses depois, e numa bela manhã, a esposa do médico ligou para o consultório dele:

     – Olha, chegou um cartão postal pra você, da Europa. Eu não consigo entender o significado da mensagem!

     Imediatamente, o doutor se ligou no barato. Preocupado, ele disse:

     – Aguarde até que eu chegue em casa, que eu explico pra você.

    À noite, quando voltou pra casa, doutor Genibaldo pegou o cartão, leu o que estava escrito nele e, em seguida, caiu estatelado no chão, vitimado por violento ataque do coração. Transportado para o hospital, foi remanejado para a UTI. Enquanto tentava confortar a mulher do Genibaldo, o cardiologista de plantão perguntou pra ela qual o trauma que teria causado o ataque cardíaco no colega:

     Então, a madame pegou o cartão e leu:

     “Espaguete, espaguete, espaguete, espaguete. Dois com salsichas e almôndegas e dois sem”.

 

 

Ladrão tremendamente azarado

 

     No intervalo para o cafezinho na repartição onde o Anoíldo Pinto trabalha, o papo estava animado. Em dado momento, tomando a palavra de um colega, ele falou com indisfarçável satisfação:

     – Ah, turma, ontem aconteceu um caso engraçado, lá em casa…    

     – Conta, conta, conta! – pediu, em coro, a rapaziada.

     – Minha casa foi invadida por um ladrão, hoje de madrugada…

     – E levou alguma coisa? – aparteou um colega ao seu lado.

     – Levou!

     – Levou o quê?

     – Levou um pau filho da mãe da minha mulher! Ela pensou que era eu que estava chegando!

 

 

Se for duro, tudo bem!

 

     O falecido radialista José Bartolomeu, o Babá, foi um tremendo boêmio. Quando estava perto de embarcar para as paragens celestiais, se transformou praticamente num santo, curtindo apenas o seu harém de cabrochas sexagenárias, mas sem deixar de ser galanteador.

     Belo dia, ele entrou num elevador, apertou o botão do andar onde deveria desembarcar e, quando recolhia o braço, tocou, sem querer, nos seios de uma balzaquiana que se achava ao lado. Imediatamente, se desculpou pelo incidente:

     – Se o seu coração for mole quanto o que guarda no sutiã, sei que estarei perdoado…

      E a coroa, no mesmo tom:

     – Sem dúvida. Aliás, se o que você guarda na cueca for tão duro quanto o seu cotovelo, eu moro no apartamento 501…     

 

 

Cachorro brabo e infiel

 

     Contava o Ciríaco ao colega de copo Cizino, numa mesa de bar:

      – Eu possuí um cachorro que era bom demais!

      – Era brabo?

      – Se era? Brabo e inteligente. Sabia distinguir um malandro de uma pessoa normal.

      – E o que foi feito dele?

      – Fui obrigado a me desfazer dele. O fiadaputa me mordeu um monte de vezes!

 

 

Sangue demais no álcool

 

      O pinguço Alcolídio Etanólio voltou ao médico José Ulysses para saber do resultado do exame de sangue a que havia sido submetido. De posse da papelada, o facultativo resumiu pro paciente:

     – Olha, diz aqui a análise que existe muito sangue na sua corrente alcoólica!