Ailton Villanova

12 de dezembro de 2015

O pênalti garantido

      Por obra da “Providência Divina”, o delegado Jorge Barbosa de Almeida, o indefectível “Zé Colméia”, evitou uma tragédia sem precedentes, na localidade de Várzea de Dona Joana, município de Poço das Trincheiras.

      Era domingo. Preliavam amistosamente no acidentado campo de futebol do lugar, o time da casa intitulado Varzense Futebol Clube e o Santos Esporte Clube, equipe baseada em Santana do Ipanema, cujo presidente era o comerciante chamado Manuel Jovelino Monteiro.

      O time varzense tinha sob o seu comando um certo José Clarindo, mais conhecido como Zeca da Raimunda, que era considerado o terror da localidade. Nunca largava uma faca-peixeira de 12 polegadas.

      Enquanto os jogadores corriam pra cima e pra baixo disputando a pelota, as respectivas torcidas trocavam insultos e pedradas. O palavrão mais leve que se ouvia era “fidaégua”.

      De repente, um pênalti!

      O zagueiro Tonho Pezão, do Varzense, tinha pulado com os dois pés na caixa dos peitos do atacante adversário Zé Bodinho – isso dentro da pequena área. Enquanto o infeliz do atacante cuspia sangue, o “juiz” Sebastião Honório corria para a marca da cal, trilando o apito. Era o mínimo que podia fazer.

      Ao ver aquilo, Zeca da Raimunda pinoteou dentro do campo, de faca na mão. Correu pra cima do árbitro e perguntou em tom belicoso:

      – Vosmicê maicô o quê, seu corno?

      E o árbitro, em tom desafiador:

      – Maiquei quique!

      – Apoios entonce num bate! Se vosmicê mandá batê o quique, vosmicê morre!

      O árbitro começou a tremer de medo e exagerou no tratamento:

      – Mai incelença, o sinhô num viu qui o jogadô do seu time cáje matô o adêvelsáro?

      – Mum vi nada! Uqui vi foi manha do safado! Parece inté qui ele e trêis-vêis-oito!

      Nesse momento, o campo foi invadido pelo presidente Jovelino, do time santanense, que se cercava de mais de dez sujeitos, todos também empunhando peixeiras:

      – Possa manda batê, seu juiz, qui nóis agarante!

      – Num bate! – teimou Zeca da Raimunda.

      – Bate!

      Àquelas alturas o árbitro já tinha se borrado todo e os torcedores de ambos os lados, alguns entrincheirados e outros trepados nos pés de pau, se preparavam para a guerra.

       É quando ingressa no povoado o delegado Jorge Barbosa, que se encontrava em diligência a fim de capturar famigerado marginal fugado da cadeia de Santana do Ipanema. Com ele, meia dúzia de valentes policiais, todos fortemente armados.

        Naquilo que a autoridade policial apeou-se da viatura e assentou o solado dos pés no chão varzense, um popular, muito nervoso, correu até ele:

      – Dotô, se avexe pro campo de futebó, pruquê vai havê a maió tragéida!

      Não demorou um minuto e eis que o nosso herói adentrou no estádio exibindo uma espingarda do calibre 12. No seu rastro, os tiras de metralhadoras destravadas, prontas para cuspirem fogo.

      – O que é que está havendo aqui? – bradou o delegado. – Todos de mãos para o alto!

      Minutos depois, situação sob absoluto controle, o delegado Zé Colméia determinava:

      – Juiz, manda bater o pênalti, que eu quero ver o puto que vai impedir! Aquele que se meter a besta, engole fogo!

       Bateram dois pênaltis, um de quebra. O Santos venceu de 2×0.

 

Cachorro na bronca

O auxiliar de pedreiro José Cícero Vicente convidou o colega João Luiz para almoçar em sua casa. Antes porém, passaram no quiosque do Pedro “Mandim”, localizado no bairro da Levada, onde tomaram uns vinte grogues de cachaça. Saíram de lá bem “calibrados”.

      Comida na mesa, os amigos deram início à sessão de mastigação ranguífera. Rabinho balançando e linguinha de fora, o cachorrinho da casa não desgrudava as butucas do visitante João Luiz. Cabreiro, ele perguntou ao anfitrião:

      – Ô Zé Ciço, porque esse cachorro num tira os olhos de mim?

      – Por nada não, Lula. É que você está comendo no prato dele.

 

Que cachorro que nada!

      A viúva  Artemísia Argemiro é uma mulher bastante vivida. De tola não tem nada. Mora num sítio bacana, cheio de fruteiras, aves e animais, em companhia de uma neta adolescente, que tem um namorado muito do safado.

      Noite dessas, cansada da lida, dona Artemísia foi dormir mais cedo, deixando a casa entregue a garota. Lá pelas tantas ela acordou para ir ao banheiro quando escutou um barulho esquisito na sala – pleft, pleft, pleft… Desconfiada, gritou para a neta:

      – Que barulhinho é esse aí fora, Neuzinha?

      Surpresa, a garota respondeu:

      – Não é nada não, vó. É só o cachorro coçando as orelhas.

      No que a velha retrucou:

      – Que cachorro que nada, menina! Você acha que com essa idade eu não conheço baque de culhões?

 

Cerveja erótica

      Padre Jota era um homem vivão. De santo não tinha nada. Bonitão, cabeleira brilhantinada, vivia arrancando suspiros das paroquianas. Sempre que podia, fazia uma “caridadezinha” às mais “necessitadas”.

      Belo dia, foi pra cama com uma paroquiana de “utilidade pública” e o resultado é contraiu uma doença sexualmente transmissível daquelas bem invocadas. Apavorado, mas tentando não aparentar, procurou um clínico conhecido. Contou à ele o problema e concluiu disfarçando:

      – Pois é, doutor… Não sei como peguei um incômodo desses. Acho que foi uma cerveja gelada que bebi na semana passada…

      O médico abriu um sorriso e respondeu ao reverendo, cheio de ironia:

      – É, deve ter sido, padre. Mas, da próxima vez que for tomar outra cervejinha gelada, ponha uma camisinha no gargalo, tá certo?