Ailton Villanova

4 de dezembro de 2015

Marão, o amigão de fé!

      Cidadão decente, trabalhador, Antônio Quirino vivia do ofício de borracheiro desde os 20 anos de idade. Sua luta diária pela sobrevivência iniciava às seis e meia da manhã, quando saía para o trabalho, montado numa velha bicicleta Monark e só retornava ao lar tarde da noite. Ele possuía uma casinha bem arrumadinha no Alto da Borracheira, antigo distrito do bairro do Pinheiro e alguma grana na caderneta de poupança. Era um cara equilibrado, o Quirino. Entretanto, muito – mas muito, mesmo! – ingênuo.

       Em casa, ele tinha uma joia de mulher, dona Maria José. Belas pernas, corpo cheio de generosas curvas e uma cara bonita, ela chamava a atenção dos homens. Ligadão nela, o tal de Amaro Rosa, o Marão, tremendo cafajeste, andou bolando vários planos para comê-la. Um, deles, entretanto, ele conseguiu executá-lo com sucesso, porque, como diz o ditado, “a carne é fraca”.

        Duas semanas antes de aplicar o golpe fatal, o safado do Marão aproximou-se de Maria José, quando esta se encontrava debruçada na janela de casa, e jogou a cantada:

        – Com todo o respeito, dona Zezé, eu seria o homem mais feliz do mundo se a tivesse em meus braços…

        Muito dignamente, ela reagiu:

        – Mas o que é isso, seu Marão? Respeito é bom e eu gosto! Eu sou uma mulher casada!

        Cinicamente, ele retrucou:

        – Eu sei. A senhora é casada, mas não é morta!

        – Por favor, afaste-se de mim!

        – Calma! Eu lhe presentearei com trezentos…

        A mulher bateu-lhe a janela na cara. Entretanto, dia seguinte, o safado insistiu:

        – Quinhentinho… Topa?

        – Vá pra puta que o pariu, sujeito nojento!

        O malandro afastou-se sorrindo e desapareceu na primeira esquina. Mas voltou ao ataque em menos de vinte e quatro horas:

        – Olhe aqui, dona Zezé, eu estou disposto a lhe dar mil por apenas meia hora de trepada. Que tal?

        A resposta não poderia ser carregada de mais indignação:

        – Pegue o seu dinheiro e enfie no rabo, seu cafageste!

        Pensa que o canalha desistiu? Desistiu coisa nenhuma! O ataque final ele deu uma semana depois:

         – Proposta derradeira: três mil paus e nem um tostão a mais. É pegar ou largar! Por muito menos que isso, muita mulher boa, inclusive da alta sociedade, vai pra cama com qualquer um. Pense bem nisso.

         Zezé pensou. Afinal, três mil pilas por uma transadinha…

         – É só uma, não é?

         – Bom…

         – Uma só! Depois disso não me procure mais. Cadê o dinheiro?

         – Vou buscar. Volto nestante.

         O filho da puta voltou, com a grana na mão.

         Madame abriu a porta de casa, o canalha entrou, carregou-a nos braços até a cama e a possuiu selvagemente. Em seguida, se mandou, feliz da vida. De noite, quando o Quirino chegou em casa foi logo se dirigindo à mulher:

           – O Marão esteve aqui hoje à tarde?

           Madame gelou, mas se manteve firme:

           – É… esteve, sim.

           – Às três da tarde?

           – Mais ou menos…

           – Ele te deu três mil…?

           Crente que tinha se lascado de vez, Zezé não negou:

            – Deu, sim. Estão na gaveta da penteadeira.

            E o Quirino, aliviado:

            – Puxa… isso é que é um sujeito legal; um amigão de verdade! No começo da tarde ele me pediu emprestados três mil paus e prometeu que os devolveria às três horas. E cumpriu a palavra! Isso é que é homem de bem!

 

Se fosse mais durinho…

      Nos últimos tempos o relacionamento do Valclibaldo com a esposa Lucimeire esfriou completamente. A gota d’água começou a se formar quando ele aplicou um beliscão na barriga da mulher e zonou:

       – Se isso fosse mais durinho você poderia dispensar aquela cinta que anda usando.

       Dona Lucimeire não disse nada. No dia seguinte, o sacana do Valclibaldo voltou a tirar nova onda pra cima da mulher, depois de lhe apalpar os seios:

        – Se isso fosse durinho, você podia dispensar o sutiã. Rá, rá!

        Aí, a gota entornou o caldo. Lucimeire fuzilou o marido com o olhar, apontou na direção da sua braguilha e atacou:

        – E se esse negócio seu, aí, foi mais durinho, eu bem que podia dispensar o jardineiro, o encanador e o faxineiro. 

 

Comeu a sogra por engano!          

      Ao voltar pra casa depois de mais um dia de trabalho estafante, o contabilista Mauriolíndio Freitas entrou no quarto, às escuras, com a intenção de dormir, e encontrou uma mulher espichada na cama, enrolada em lençóis. Imaginando tratar-se de sua a esposa (e quem mais poderia ser?), esqueceu o cansaço e o sono, tirou a roupa, mergulhou debaixo dos panos e mandou ver. Foi uma trepada ferocíssima! Satisfeitíssimo, Mauriolíndio pulou da cama e correu até a cozinha para comer alguma coisa. Para sua surpresa, deu de cara com a esposa em frente ao fogão, preparando o almoço do dia seguinte:

       – Ué! Como foi que você conseguiu ser tão rápida?! Acabamos de transar nestante!

       – Oh, meu Deus! – gemeu a mulher. – Você comeu a mamãe!

       – Comi?

       – Mas é claro que comeu! Ela veio me visitar, não se sentiu bem e eu disse a ela que se deitasse um pouco  na nossa cama.

       Dito isto, a mulher do Mauriolíndio correu pro quarto e sapecou o maior esporro na velha:

        – Mãe! Eu não consigo acreditar no que acabou de acontecer nesta cama! Por que a senhora não mandou o Lindinho parar?

        – Essa é muito boa! Você sabe que eu não dirijo a palavra ao idiota do seu marido há mais de dez anos, não sabe?

 

Entretanto… tranquilo!

      Havia mais de uma semana que o Abrôncio se desmanchava pelo furico. Caganeira dos seiscentos diabos, antecipada de dores terríveis de barriga! Não suportando mais tanto sofrimento, ele correu pro hospital, o médico o examinou e o tranquilizou:

       – O senhor vai ficar bom. Tome aqui estas cápsulas e amanhã estará curado. Leve a caixinha. Qualquer dúvida, me telefone!

       Assim que o infeliz saiu, o doutor reparou na mancada que deu:

       – Puxa vida! Me confundi e dei pro paciente uma caixa de calmante em vez do remédio pra diarreia!

       Somente no dia seguinte foi que o médico conseguiu falar com o Abrôncio, pelo telefone: 

       – E então, como o senhor está se sentindo?

       – Todo cagado… mas muuuito tranquilo, doutor!

 

Um novo método anti-formiga

      O Federaldo Pimpo consegue ser mais doido que o irmão Fedúlcio. Ontem, ele me ligou:

       – Professor, gostaria que o senhor pedisse aí um repórter da Tribuna, para ele me entrevistar.

       – Você está brincando! Qual é a sua, cara?

       – O barato é o seguinte, professor: tenho um assunto de alta responsabilidade que dará uma matéria sensacional e que, certamente, terá repercussão nacional.

        – E que assunto é esse, rapaz, posso saber?

        – Claro que pode, professor! Resume-se, simplesmente, num método infalivelmente exterminador, entende?

        – E essa droga de método é destinado a matar o quê?

        – Formiga! É simples. A gente pega um punhado de sal, uma garrafa de cachaça, um palito de fósforo e uma pedra. Depois, coloca tudo isso na mesma ordem…

           – E aí?

           – E aí a formiga vai ver o sal e pensará que é açúcar, certo? Come o sal, fica morrendo de sede, vê a garrafa de cachaça e lasca o pau a beber, imaginando que é água. Aí, fica bêbada e tropeça. No que tropeça, bate com a cabeça na pedra e morrerá de traumatismo craniano! Não é uma invenção sensacional?

            Bati-lhe o telefone no ouvido.