Ailton Villanova

2 de dezembro de 2015

Apuros de um bêbado em Itu

      De tanto ouvir falar que em Itu – famoso município paulista -, tudo é exageradamente grande, o pontagrossense Crisanto Bonfim sentiu necessidade de ir até lá, para conferir direitinho essa história. De modo que, belo dia, com a grana folgada do 13° salário no bolso, ele pegou um ônibus no terminal rodoviário do Feitosa e se mandou pra Itú. A viagem foi cansativa.

      Assim que Crisanto se viu em terras ituanas, procurou um hotel e lhe indicaram aquele que tinha um barzinho logo na entrada. Sem mais delongas, ele aboletou-se numa cadeira do bar referido e, antes de rumar para o quarto, requisitou um chope, pra relaxar. Olha só o tamanho da caneca!

      – Putaquipariu! – assombrou-se o alagoano do bairro de Ponta Grossa. – Que maravilha! Dá até pro cara nadar aqui dentro!

      E chamou na bebida, sem dó e nem piedade.

      – Desce outro chope, garçom!

     E lá se foi o rapaz com outro caneco pro distinto freguês consumir, num piscar de olhos.

     – Que loucura, meu! Quando eu contar isso para a turma em Ponta Grossa, vão custar a acreditar! – disse pro garçom.

     Depois de uma rodada e uns trinta arrotos, Crisanto chamou o garçom mais uma vez:

     – Repita a dose, meu jovem! Olha, aproveite e me traga também um sanduíche, tá falado?

     E logo chegou o sanduíche, meio metro de diâmetro, instalado numa bandeja do tamanho de uma bacia de banho. E outro chope imenso. Não demorou muito, Crisanto já estava embriagado. Mais uma vez, abriu o bocão:

      – Garzzzommm, onde fica o banheiro?

      Educadamente o rapaz ensinou:

      – O senhor vai em frente e vira à direita…

      Crisanto levantou-se meio trôpego e seguiu trocando as pernas na direção indicada. Mas, bêbado do jeito que estava, virou à esquerda. Aí, deu de cara com uma piscina quase olímpica:

      – Não é possível!!! Tudo isso é uma privada, meu Deus?!

      Crisanto chegou mais pra perto da borda da piscina, puxou a chavasca pra fora e mandou ver aquela mijada, na maior felicidade. Terminou, deu a tradicional balançada e iniciou o movimento de meia-volta. Ao fazer isso, atrapalhou-se com as canelas, perdeu o equilíbrio e caiu dentro da piscina, aos berros:

      – Pelamordedeus, não puxem a cordinha da descarga!

      O porteiro do hotel, um negão que vestia farda marrom, manjou na situação do hóspede recém-chegado e não contou conversa: mergulhou na piscina para ajudá-lo a sair de lá. Naquilo que avistou aquele troço marrom nadando em sua direção, Crisanto apavorou-se:

      – Valei-me meu Padrinho Ciço! Que tamanho de cagalhão! Alguém me acuuuda!

      Naquele dia mesmo, pegou um avião e voltou pra Maceió.

 

Adivinhar, pra quê?

      Redinaldo Luzídio ganhou um belo presente no Dia dos Pais. Justo naquele dia, sua mulher Marolínea contratara uma empregada doméstica incrível! Assim que ele botou o olhão na criatura, teve logo um ereção, que disfarçou andando encurvado, quase acocorado. Maior presepada.

      – O que é que está havendo com você, que está caminhando desse jeito, Redinho? – perguntou a mulher, assustada.

      E ele, todo atrapalhado, sem tirar o olho da empregada:

      – É a coluna, meu amor! De repente me deu uma dor danada na coluna!

      Durante três dias, Redinaldo não teve sossego. Seu pensamento só girava em torno da empregada gostosona. Na sexta-feira seguinte, lá pelo meio da tarde, não segurando mais a tara pela doméstica, ele pegou o carro e se mandou pra casa, porque sabia que dona Marolínea encontrava-se ainda trabalhando na repartição…

      Mal chegou a porta de casa, Redinaldo pulou do carro, correu pra dentro, foi até a cozinha e abufelou-se com aquele monumento de mulher. Em seguida, cobriu-lhe os olhos com as mãos e disse, resfolegando:

      – Se em dez segundos você não adivinhar quem sou eu, lhe jogo na cama e lhe estupro!

      E a gostosura, esfregando o bundão na braguilha do patrão:

      – É o Ronaldo Fenômeno? É o Roberto Carlos? É o Fernando Henrique Cardoso? É o Pedro Álvares Cabral? É o Sílvio Santos? É…?

 

O amante injustiçado

      Bem que o Jurabanildo estava quietinho no cantinho dele, num barzinho pajuçarino, tomando sua cervejinha com tira-gosto de agulha frita. Tinha que a Cleonice ligar pro celular dele? Não tinha. Mas ela ligou:

      – Jurinha, meu tesão, o Diomedes acabou de viajar!

      – Seu marido viajou, foi?

      – Foi. Vem pra cá, vem! Eu te faço uma pizza…

      – E ele vai voltar quando?

      – Acho que amanhã de tarde. Você vem? Estou mooorta de saudade, amor. Você vem?

      – Vou!

      – Vê se não demora, viu?

      Dali a meia hora Jurabanildo encontrava-se confortavelmente instalado na alcova do Diomedes, desfrutando da gostosura da mulher do infeliz. Depois de sucessivas transadas, os adúlteros estavam tão cansados que logo caíram no sono. De repente, Cleonice acordou assustada:

       – Ai, meu Cristo, é o Dió! O Dió voltou! Por que esse fidapeste achou de chegar logo agora?!

       Imediatamente, Cleonice tratou de acordar o amante, que roncava mais que barrão chafurdando no lixo:

       – Levanta, Jurinha! Levanta, rápido!

       – Quê? A casa tá caindo?

       – Ainda não, mas pode cair! O Dió voltou e está guardando o carro na garagem. Depressa, pegue as suas roupas. Ai, meu Deus! Não vai dar tempo! Ele está subindo!

       – E onde bubônica eu me escondo?

       – No guarda-roupa!

       Mal Jurabanildo fechou a porta do guarda-roupa, o marido corneado entrou no quarto. A mulher fingiu acordar-se:

       – Hummmmpf… Já chegou, meu bem? E já é amanhã, é?

       E o Diomedes:

       – A porra da reunião com o chefão no Recife foi adiada para a próxima segunda-feira A filha da puta da sogra dele achou de morrer, só para atrapalhar o nosso serviço!

       Nesse momento, ouviu-se o tilintar de um telefone. Era o celular do Jurabanildo, dentro do guarda-roupa. O imbecil esquecera de desligá-lo.

       – Que telefone é esse que tá tocando? – indagou o marido, algo cismado.

       – Deve ser o do vizinho. – tentou disfarçar a mulher, maldizendo, intimamente, o amante pela mancada.

       – É não! É aqui dentro do quarto! – insistiu Diomedes. – O som parece vir do guarda-roupa!

       Lá dentro, todo atrapalhado, Jurabanildo achou de atender:

       – Alô?

       – Eu não disse? – exaltou-se o marido. – É dentro dele mesmo!

       Não tendo outra alternativa – era ela ou o amante -, Cleonice safou-se, teatralmente:

       – É um ladrão! É um ladrão, Dió! Chame a polícia!

       Dia seguinte, a cara do Jurabanildo aparecia em todos os jornais, inclusive os da televisão. Resumia, a matéria respectiva:

       “Capturado em Maceió, um dos mais audaciosos e perigosos gatunos de guarda-roupas dos últimos tempos…”