Ailton Villanova

1 de dezembro de 2015

Concorrente desistente

      Na década de 60, o saudoso José Barbosa de Oliveira importou do Recife o radialista pernambucano Rudy Barbosa (também de saudosa memória e que apesar do sobrenome não era seu parente), para reforçar o “cast” da Rádio Gazeta que, a época, funcionava nos primeiro e segundo andares do prédio número 515 da rua do Comércio, centro de Maceió.

      Tínhamos, então, na emissora líder em audiência no estado, uma equipe competentíssima  de locutores e apresentadores. Sua principal concorrente, a Difusora, não ficava atrás. A Progresso e a Palmares se engalfinhavam pela fatia de ouvintes que escapavam das duas maiores. Era uma disputa bonita, honesta, onde todos se respeitavam. Os apresentadores faziam rádio para os ouvintes, não para eles próprios. Cada emissora caprichava nas suas respectivas programações, que eram planejadas por equipes de produção escolhidas a dedo.

      O galego Rudy Barbosa, irreverente como ele só, produzia um programa de auditório patrocinado pelos biscoitos Cipape, que eram fabricados no Recife. Dito programa ia ao ar aos sábados, no meio da tarde. Era cheio de atrações, incluindo aí brincadeiras destinadas a ambos os sexos.

      Numa dessas audições, RB lançou um concurso inusitado intitulado “Quem entende mais de mulher?”, que se resumia num conjunto de perguntas e respostas. Os biscoitos Cipape só premiavam os três primeiros classificados. Ocorre que no lançamento desse concurso só quatro candidatos se inscreveram. Em assim sendo, sobraria um.

      Rudy chamou o primeiro concorrente:

      – O que as mulheres têm no meio das pernas?

      Maior burburinho no auditório. Envergonhada, uma madame passou  mal com a inconveniência da pergunta. O candidato indagado inflou o peito e mandou:

      – Os joelhos!

      A plateia foi ao delírio. O apresentador prosseguiu, chamando o candidato número dois:

      – Diga lá, meu amigo… o que as mulheres possuem que os homens procuram?

      E o cara:

      – Dê uma pista.

     – Vou dar. Começa com a letra B, termina com a letra X e tem três sílabas.

      Silêncio no auditório.

      Após alguns segundos de concentração o candidato respondeu:

      – Só pode ser “Beleza”, Rudy!

      Mais uma vez a galera aplaudiu de pé. No palco, Rudy Barbosa chamou o terceiro concorrente e foi objetivo:

      – Onde é que as mulheres têm o cabelo mais enrolado?

      O cabra não titubeou:

      – É na África!

      Mil palmas. Emoção no auditório.

      Instante final. Rudy Barbosa pôs a mão sobre o ombro do derradeiro concorrente e disparou:

     – E agora, distinto auditório, a última pergunta…

     O camarada interrompeu:

     – Pode parar, seu Rudy. Eu desisto!

      – Mas por que, meu amigo?

      – Porque todas as primeiras eu teria errado!

 

Combinação?

      Esta é do tempo em que o magnata Abdias Tavares, dono das famosas lojas Aby’s, espalhadas pelo Brasil inteiro, era gerente de A Radiante, uma das mais tradicionais sapatarias do comércio de Maceió.

     O sujeito chegou para o Abdias e falou com acentuado sotaque lusitano:

     – Oiça-me cá ó gajo… A Meria, minha mulheire, me presenteou com um belíssimo par de meias vermelhas, com detalhes em azul, verde, amarelo e um papagaio roxo bordado no cano. Que sapato devo compraire pra combinaire com elas?

     Abdias foi rápido e rasteiro que nem calango:

     – Botas. E de cano longo!

 

Deixa comigo!

      Os parceiros de copo Abedalardo Braga (Béo Titica) E Benito Cardoso (Cocada), encheram a cara em Barra de Santo Antônio e resolveram parar quando não se aguentavam mais em pé. Enfiaram-se num automóvel e se mandaram de volta pra casa, em Maceió.

      O carro corria horrores, puxando mais de 200 quilômetros. O que estava ao volante fazia barbeiragens incríveis, tirando verdadeiros “finos” nos postes e veículos, estrada afora. Nas curvas, então…

      Em dado momento, Benito Cocada sugeriu: 

      – Ô Béo, eu acho que estou menos biritado que você! Não é melhor eu dirigir?

      E Béo Titica, com voz arrastada:

      – Ôxi! E não é você quem tá dirigindo, rapaz?!

 

Pé frio

      Seu Manuel Porfírio, sujeito danado de batalhador, estava batendo na porta de entrada da “mansão da morte”. Poético, não?

      Seu Néco, conforme era mais conhecido, havia lutado muito na vida. Verdadeiro herói. Estirado no leito, segurou a mão da mulher e falou com esforço:

      – Quando eu voltei da guerra do Paraguai você estava ao meu lado… Aí, abrimos uma lojinha que faliu ligeirinho, tá lembrada?

      – Tô, meu velho…

      E você ao meu lado… Juntamos os nossos últimos trocados e compramos aquele velho caminhão, tá lembrada?

      – Se tô? Claro que tô!

      – O caminhão pegou fogo e, como a gente não tinha seguro, a gente ficou na mais absoluta miséria. E você do meu lado!

      – Verdade. E não era para estar, meu velho?

      Então, já nas últimas, seu Neco ainda conseguiu sussurrar:

      – Puxa, Odília…! Vá ser pé frio assim no inferno!