Ailton Villanova

28 de novembro de 2015

Dois dedos, apenas…

     A crônica policial nos tem revelado histórias as mais escabrosas, os episódios mais pungentes, dolorosos, lancinantes. Também nos reserva casos hilários, como, por exemplo, o que vai contado linhas abaixo. Embora verdadeiro, dito acontecimento, verificado no finalzinho do ano de 1999, portanto, no século passado, é tido como uma anedota, dado o seu espírito inusitado.

     Mais da metade da minha vivência na segurança pública, como todos sabem, tem sido dedicada à perícia forense, particularmente no que se refere aos casos de morte violenta e crimes contra a pessoa. De modo que sou tão familiarizado com a cessação definitiva da vida, em circunstâncias dramáticas, que não me causa horror e nem me abala o fato de ter que lidar com a morte de caráter violento. Já disse, é o meu trabalho.

     A marca distintiva do óbito decorrente de uma ação impetuosa, brutal, intensa ou arrebatada ela é identificada pela perícia forense, a partir do exame que se define como “local de crime”, culminando com o “exame médico legal”. É um trabalho importante, empolgante, desafiante. Orgulho-me dele.

     Pois bem. O meu outro orgulho profissional, é o exercício da profissão de jornalista. Nesse âmbito, que me garantiu o sucesso que até hoje me acompanha, principiei, justo, cobrindo a área policial. Observador atento dos casos que desfilavam pelos bastidores da Polícia, descobri, por exemplo, que um caso de morte nunca é igual ao outro, nas suas nuances, na sua definição. Aí, mergulhei de cabeça nos mistérios da investigação criminal e na investigação forense.

      Enquanto, por exemplo, na redação do jornal-falado Gazeta de Alagoas no Ar – cuja equipe era inteligente e como consequência competente -, eu e demais redatores nos esmerávamos na feitura dos noticiosos, uma equipe de “focas” (repórteres principiantes) vasculhava a polícia e as ruas à cata de informações “quentes” para melhor informar aos nossos ouvintes.

     Um desses focas era o Gildo Almeida (eu já falei dele, noutra ocasião). O baixinho estava sempre atento à tudo e adorava “cobrir” o Instituto Médico Legal. Certa ocasião, ele entrou na redação, justo na hora em que eu redigia a sequência intitulada “Na Polícia e Nas Ruas”, que tinha a duração de 5 minutos e era encaixada na segunda audição de Gazeta de Alagoas No Ar, que era irradiada pontualmente às 12:30 horas. Olhe pra ele e perguntei:

     – Gabiru (era o seu apelido, inventado pelo Romildo Freitas), tem alguma novidade do IML?

     Na hora, ele respondeu:

     – Tenho, chefe! Mas acredito que para esse horário ela é impraticável!

     – Por quê? – perguntei curioso.

     – É uma coisa terrível! Altamente terrível. Eu mesmo não tive coragem de olhar…

     Aí, o fato me interessou. Deixei a conversa com o Gildo Almeida de lado e liguei para o IML. Atendeu lá o necropsista Genésio Rodrigues.

     – Genésio, aqui é o Villanova. Alguma novidade? – perguntei.

     E ele:

     – Só uma besteirinha, meu caro!

     – Besteirinha?!

     – Sim. Acho que não vai nem lhe interessar…

     – Mas me conte mesmo assim. Qual foi o caso?

     – Um atropelamento…

     – Bom, se o caso caiu aí, o IML, é grave!

     – Mais ou menos…

     – “Mais ou menos”, rapaz? Onde aconteceu esse atropelamento. Passe as coordenadas pra mim.

     Genésio sempre foi um cara tranquilo. Aliás, a palavra “frio” lhe assenta melhor. Destrinchar cadáver era com ele mesmo. Então, temperou a goela e mandou:

     – Você quer detalhes do atropelamento, não é?

     – Claro, rapaz! Me conte tudo sobre esse atropelamento. Primeiramente, me diga onde ocorreu.

     – Em frente a Igreja Batista da Levada. – ele explicou. – Um trem passou por cima de um velhinho. Acho que ele ou era cego ou era mouco!

     – A bagaceira deve ter sido grande, hein? Pelo visto, não deve ter sobrado muita coisa do coitado do velhinho…

     – Sobrou. Sobrou, sim. Na verdade, do velhinho vieram pra cá as partes principais, inteirinhas.

     – Ainda bem, né? Ô Genésio, me diz aí: que “partes principais” foram essas”?

     – Os dedos indicadores das duas mãos!

 

Vai ficar ligadão!

     Turbulência no vôo, a aflita comissária de bordo derrama café no colo do executivo.

     – Perdão, senhor. Posso fazer alguma coisa?

     – Só uma. Diga-me: o café era normal ou desafeinado?

     – Normal, senhor. – ela responde.

     – Então, tudo bem. – explica o passageiro. – Se é assim, ele vai ficar aceso a noite toda.

 

Geléia processada

     Uma madame bem antiga, visita uma amiga na mansão da referida.

     – Angelita, o que é aquilo naquele pote? Uma geléia de beterraba? – perguntou a amiga à dona da casa.

     – Geléia?! Que nada, Rosibalda! Aquilo é o pênis do meu marido: foi só cortar e passar no processador!

 

Ligação errada

     Ciumento pra burro, o Alderício ligou para casa à noite, já no primeiro dia de viagem. Atendeu uma voz estranha.

     – Quem está falando? – berrou ao telefone.

     – A empregada. – respondeu a própria.

     – Mas não temos empregada!

     – Bem, senhor, fui contratada hoje.

     – Está bem. Deixa eu falar com a patroa.

     – Não dá, senhor. Ela está no quarto com o namorado.

     Furioso, Alderício logo tem a ideia perfeita:

     – Quer ganhar 5.000 dólares agora?

     – Claro, senhor.

     – Então, vá até a estante do meu escritório, pegue aquela espingarda na parede e atire nos dois, na cama mesmo.

     Ele ficou na linha. Ouviu alguns passos. Silêncio. Dois tiros. A empregada voltou ao telefone:

     – Pronto, senhor. Tudo certo. Mas, e os corpos?

     – Jogue na piscina.

     – Mas, senhor, que piscina? Aqui não tem piscina!

     – Uhnnnnnn… aí não é o 555 7799?