Ailton Villanova

27 de novembro de 2015

Fantasia econômica

     No carnaval de 2014, o delicado Augerlóbrio Pinto se esbaldou tanto, mas tanto, que quebrou uma das canelas. Folião desde os tempos de criança no bairro do Prado, essa distinta figura pretendeu que neste ano de 2015 não exageraria tanto nos rebolados. De modo que munindo-se de todos os cuidados do mundo, Lobrinho (ele era assim chamado) ingressou no mês de janeiro prometendo praticar uma folia moderada, quando fevereiro chegasse. Temia sofrer outro acidente tal qual aquele.

     Escorando-se numa bengala, Lobrinho descolou-se até o comércio à procura  de uma fantasia para usar no carnaval deste 2015. Entrou numa loja que exibia tudo quanto era produtos carnavalescos e pediu ao gerente, um sujeito baixinho e narigudo:

     – Cidadão, por obséquio, eu gostaria que o senhor me mostrasse as  fantasias mais funcionais, para este carnaval… por favor.

     O gerente espiou a figura de alto a baixo e respondeu:

     – Olha, eu tenho aqui uma fantasia jóia, que lhe cairá muito bem. Inclusive, exigirá que as pessoas o olhem com muito respeito!…

     – Ótimo! – respondeu Augerlóbrio. – Quanto custa?

     – Cinco mil reais!

     – Ui! Cinco miiilll?! É muita cara. O senhor não tem uma mais barata?

     E o baixinho:

     – Tenho. De monge. O senhor pode ir fantasiado de monge. O hábito franciscano lhe cairá muito bem!

     – De monge seria uma boa. Quanto custa?

     – Dois mil e quinhentos reais.

     – Ainda tá cara prá mim. Não tem outra um pouco mais baratinha?

     – Que tal uma fantasia de surfista? – sugeriu o gerente. – Um bermudão finíssimo… uma camiseta de seda pura, óculos escuros de grife…Linda!

     – E o preço?

     – Mil e quinhentos reais!

     – Afe! Tudo aqui é caro! Será que não tem fantasia daquelas baratinhas, baratinhas?

     Aí, o vendedor se mordeu. Mas não deu mancada. Foi lá dentro e voltou com um pote na mão.

     – Toma! São cinco reais!

     O delicado freguês deu um pinote para trás e indagou, arregalando os olhos:

     – Ôxi! O que é isso?!

     – É calda de caramelo. Você despeja na cabeça, enfia a bengala no cu e sai fantasiado de “maçã do amor”!

 

Ignorante, mas não corno!

     Sujeito muito do boçal, o tal de Abinadabe é um chefe de obras de determinada construtora que aprecia bastante humilhar as pessoas. Ele se  acha o fino da inteligência. Certo dia, entendeu de tirar um quarto-de-hora com o auxiliar de pedreiro, José Severino, homem humilde e sério, que não tem papas na língua.

     – Ô Severino, me responda uma pergunta facilzinha – indagou ao auxiliar. – Tu sabe quem foi Pedro Álvares Cabral?

     – Num seio não, seu Abinadabe…

     – E você não sabe quem foi Cristóvão Colombo?

     – Também não.

     – Tá vendo seu burro? É isso que dá não estudar. Vira burro!

     Humilhado, Severino partiu para a desforra:

     – E por acaso o senhor sabe quem é o dr. Ricardão?

     – Ricardão?! Ôxi, sei não! Quem é esse cara?

     – É o engenheiro que trepa com a sua mulher enquanto o senhor tá trabalhando e estudando.

 

Os segredos deles

     Numa mesa de bar (pode ser o do Misso, em Bebedouro), três amigos, já altamente biritados, resolveram curtir um barato diferente das bebidas. Por sugestão de um deles, cada um dos três tinha que contar uma história verdadeira que nunca tinha contado a ninguém.

     – Tudo bem – concordou o primeiro –, eu nunca revelei à ninguém que sou homossexual.

     O segundo confessou:

     – Estou tendo um caso quentíssimo com a mulher do meu chefe.

     – Bem – começou o terceiro –, eu não como dizer isso…

     – Ah, coragem! Vá em frente! – incentivaram os amigos.

     – Bem… eu não consigo guardar um segredo.

 

A casa era dele mesmo!

     Um guarda noturno flagrou um bêbado entrando numa casa. Aí, partiu firme pra cima dele:

     – Êêpa! Está querendo roubar, seu ladrão?

     – Quêisso, seu guarda?! A casa é minha!

     – Sua coisa nenhuma! Está preso!

     – Mas seu guarda… eu moro aqui! A casa é minha, o senhor quer ver?

     – Quero!

     – Pois vamos ver! Entre!

     O bêbado foi entrando e mostrando os cômodos ao guarda:

     – Aqui é a sala… alí é o quarto dos meninos, que estão dormindo… aqui é o meu quarto…

     Na cama, estavam, dormindo, sua mulher e outro homem. Animado, o bêbado apontou:

     – Aquela é minha mulher e aquele sou eu!

 

Corpo dividido

     Tremendo dum cretino, o Batrúcio obrigou a mulher Deolinda a fazer sacrifícios enormes, na administração da casa. Cansada de tanto economizar, ela resolveu recorrer ao marido pão-duro. O sacana pegou uma nota de 10 reais, colocou na frente e disse:

     – Olhe aqui. Tá vendo o dinheiro no espelho? É seu. E este – disse, guardando a nota – é meu!

     Dois dias depois, ele chegou para jantar e encontrou a mesa posta com três diferentes tipos de carne.

     – Onde você conseguiu dinheiro para tudo isso, mulher? – perguntou o Batrúcio.

      Deolinda o levou até o espelho e tirou a roupa.

      – Tá vendo aquele corpo no espelho? É seu. E este – completou ela – é do açougueiro.

 

“Arbusto” salvador

     Finalmente, o Bartolomeu conseguiu passar a primeira noite com a noiva. Depois de várias e incrementadíssimas sessões de amor, o casal adormeceu. De madrugada, ele começou a gritar. A noiva o acordou e ele, com voz trêmula, explicou que teve um pesadelo. Disse que sonhou que estava dependurado na beira de um precipício e que só não caiu porque se agarrou desesperadamente a um arbusto.

     – Agora já passou, meu amor – disse ela, confortando-o. – Fique tranquilo e volte a dormir.

    E ele:

    – Já estou mais calmo. Durma também, querida.

    – Tá, meu amor. Só estou esperando você tirar a mão do arbusto.