Ailton Villanova

26 de novembro de 2015

Fazer sinal, como?

     Um certo Severino Frazão, mais conhecido como Biu Frazão, cuja residência era situada no bairro do Pinheiro, tinha a mania de querer tudo fácil, à tempo e à hora, segundo o seu cunhado José Alfredo, o Zé do Chá. Também “era meio agoniado”, garante ainda o parente.

     – Quando esse cara botava uma ideia na cabeça, só tirava quando a concretizava, nem que para isso representasse grandes sacrifícios! – completou o parente.

     Um pequeno exemplo do permanente estado de ânsia do Biu Frazão, ainda na conformidade do que relata Zé do Chá, e que, por sinal, virou anedota, vai contado linhas abaixo, sem tirar e nem pôr aquilo que possa descaracterizar a prova do fato.

     Pois bem. Comerciante do ramo de materiais de construção, Biu Frazão viajou ao Recife à negócios, prometendo à esposa, dona Algaróbia, que voltaria no mesmo dia. Fez o que tinha de fazer na capital pernambucana e, finalzinho de tarde, quando se preparava para retornar, eis que despencou das alturas celestiais o maior temporal deste mundo, previsto, inclusive, pela meteorologia, através das mídias eletrônicas. Mas ele, muito do teimoso, decidiu que voltaria para Maceió assim mesmo, isto é, com chuva a e tudo. Ao celular, quando aconselhado por dona Algaróbia a permanecer o Recife até que o tempo melhorasse, ele respondeu:

     – Se aperreie não, meu amor. Isso é bronca safada. Essa chuvinha eu tiro de letra. Fique fria!

     E a mulher:

     – Ficar fria, meu amor? Eu já estou é gelada de tanto medo! Não quero que você sofra nenhum acidente!

     – Vou me mandar daqui de pé topado. Pode contar os minutinhos…

     E desligou o celular.

     Biu Frazão caiu na estrada puxando “mais de mil por hora”. Aventura suicida. Entrava nas curvas e delas saia sem aliviar o pé.

     E a chuva castigando impiedosamente.

     Quanto mais o Frazão acionava o acelerador do carro, mais o aguaceiro engrossava. Chegou num ponto em que a rodovia sumiu de sua vista. O temporal já não era mais temporal. Era dilúvio.

     Nem um palmo além da venta, o obstinado Frazão estava enxergando. Estava dirigindo por instinto. Mas aí, se deparou com a salvação da lavoura. Metros adiante, divisou no meio da cerração, dois faroletes vermelhos na sua dianteira e logo imaginou: “Estou na traseira de um carro!” Estava.

      Feliz da vida, Frazão segurou o pedal do carro, de modo a se manter na distância adequada para continuar dirigindo tranquilo. “É só seguir o carro da frente!” – exultou.

      A escuridão era dominante. Quando o carro da frente diminuía a velocidade, ele diminuía a do seu também; quando acelerava, ele, idem.

     E, lá iam os dois veículos entrando em curvas, saindo de curvas, ultrapassando barreiras e quebra-molas. A certa altura, o veículo da frente diminuiu a velocidade e, em seguida, brecou repentinamente. O Frazão não teve tempo de frear o seu carro e… catabruuummm,  colidiu violentamente com a traseira do outro.

     Puto da vida, Frazão desceu do seu automóvel e foi alterar com o motorista do carro da frente:

     – Ô rapaz, você é muito irresponsável! Por que não sinalizou que ia entrar à esquerda, e foi adiante, parando bruscamente, desse jeito?

     O cara, respondendo a altura:

     – Irresponsável é você, que não prestou atenção na estrada e entrou na minha garagem, acabando com a traseira do meu carro!

  

Um amante muito folgado!

     Quem conhece o Correínha sabe muito bem que ele é gamadíssimo pela mulher, uma linda morena com tudo em cima. De sua parte, a sobredita não tem tanta empolgação pelo marido, um baixinho que se acha o bacana.

     Não se pode negar, também, que Correínha é chegado à uma facilitaçãozinha às aventuras de Margarida, a cara esposa. Um dos frequentadores dos seus braços (dela, Margarida), é o bonitão Ricardão, atleta e praticante de esportes radicais, mais importante deles, o de alcova. Aí, ele radicaliza mesmo.

     Certa noite, chuvosa, por sinal, encontrava-se Ricardão numa horizontal incrementadíssima com a Magáu, no leito conjugal, cuja propriedade Correínha faz questão de garantir é dele. De repente, a porta foi aberta e o corno, digo, o marido invadiu o aposento, cheio de bronca:

     – Aaahhh! Então é do bonitão aí o carro que está bloqueando a minha passagem?

 

Entendeu tudo errado!

     No quarto dia de lua-de-mel, a noivinha Maria Rita, na flor dos seus 21 aninhos, já não aguentava mais a extraordinária performance do marido de 77 anos. Para dar um tempo, aproveitou que ele foi ao banheiro e desceu até o bar do hotel onde o casal se achava hospedado.

     A garçonete que atendia marido e mulher desde o primeiro dia, ficou assustada com a aparência da moça:

     – Puxa! Você está com o aspecto terrível, meu bem! Muito diferente de quando chegou. Afinal, o que está acontecendo?

    – Nada, nada, apenas um mal entendido – suspirou a recém-casada. – Quando o Ernesto me disse que há cinquenta anos vinha economizando, eu pensei que ele estava falando de dinheiro.

 

Bem merecido!

     A morena alta, gostosíssima, metida numa minissaia espetacular, subiu no ônibus no centro da cidade. Os homens emudeceram, gelaram. De repente, o motorista sapecou uma freada brusca, a garota se desequilibrou, estirou o braço procurando apoio num dos bancos, mas errou o cálculo – acertou em cheio um sonoro tabefe na cara de um dos passageiros. Confusa, ele balbuciou uma desculpa:

     – Desculpe, moço, desculpe…

     E o passageiro:

     – Ora, minha querida, não há do que se desculpar. Pelo que eu estava pensando, o tapa foi merecidíssimo!

 

Incrível!

    Trânsito complicado em consequência de um acidente de tráfego, o motorista causador do fato se justificava perante o guarda que registrava a ocorrência:

    – A mulher fez sinal que ia dobrar à esquerda… e não é que dobrou mesmo!