Ailton Villanova

24 de novembro de 2015

O Malandro e a Vitalina

     Malandríssimo, o Oditelmo Leôncio só anda nos trinques. Cabeleira aprumada à custa de produtos brilhantinosos, bigode aparado, unhas bem cuidadas, sapatos lutrosos. Trabalho não é com ele. Mas, apesar disso, está sempre luxando vestimentalmente – troca de roupa duas vezes ao dia. Ninguém pode dizer que ele não é um cara elegante.

     Oditelmo vive de pequenos expedientes, nenhum dentro da legalidade. Melhor explicando: ele vive de trambiques e suas vítimas preferenciais são as mulheres, mormente as mais maduras. Há poucos dias, encaminhado ao meu laboratório de experiências criminológicas, ele me confessou:

     – Sou parado numa vitalina! Adorei quando, recentemente, um ilustre artista plástico resolveu prestar oportuna homenagem à essa categoria de mulher madura, num dos seus quadros…

     – Mas você é ligado em todo tipo de vitalina, rapaz? – especulei.

     – Negativo, meu mestre. Só aprecio vitalina bonita, gostosa e inteligente. Essas que escondem a cara, por exemplo, detrás de um par de óculos escuros, não estão com nada. São vazias e recalcadas, mas pensam que são sabidas. – explicou.

      – Realmente. Agora há pouco, eu tomei ciência da existência de uma vitalina que se considera o máximo. Você precisava conhecê-la! – zonei, e ele pensou que eu estava falando sério.

      – O senhor por acaso me apresentaria à essa criatura? A informação partindo do senhor, não tenho a menor dúvida de que ela é indiscutivelmente verdadeira. – entusiasmou-se o malandro.

      Completei:

      – Quando eu lhe falei dessa vitalina, eu não disse que era seu amigo. Disse apenas que “sabia da sua existência”. Posso lhe dar as coordenadas, se lhe interessar, claro.

      – Me interessa, e muito, professor. Até porque ando meio carente. Passe pra cá as coordenadas e depois lhe digo o resultado do meu papo com ela, certo?

     Passei-lhe as suficientes informações e o malandro caiu em campo. Dia seguinte, olha ele me ligando:

     – Doutor, embarquei numa canoa furada!

     – Como assim? – indaguei.

     – A vitalina só tem a casca. Quer dizer, não tem miolo nenhum, apesar de pretender parecer ser inteligente. Quer saber como foi o meu encontro com ela?

     – Quero!

     Oditelmo Leôncio me contou:

     – Quando observei a criatura de longe, resolvi usar os meus dotes psicológicos, tá me compreendendo? Aí, o que fiz? Dei uma de bandido, porque o meu raciocínio me sugeriu que ela é do tipo que adora essa gente. Então, eu me escondi de trás de uma banca de jornais e quando ela estava passando eu a abordei: “Seu dinheiro!” Ela deu um pinote de lado e respondeu: “Tenho dinheiro não, seu ladrão!” Insisti na maior ignorância: “Vamos, mulher! Passe o dinheiro!” Mas assustada do que já estava, ela garantiu que não tinha dinheiro nenhum e eu incrementei ainda mais o meu terrorzinho: “Olha, coroa, se você não me passar o dinheiro, eu vou ter que lhe revistar pra valer!” Então, ela disse: “Pode me revistar!” Peguei a vitalina, levei pra um escurinho e comecei a revista. Tirei-lhe toda a roupa e conclui que ela realmente estava mais lisa do que buraco de cobra. Quando eu estava indo embora, ela me puxou pelo braço e perguntou: “Ôxi, seu ladrão, e o senhor já vai embora? Vai parar assim… sem mais-nem-menos? Continue. Não tenho dinheiro mas posso lhe passar um cheque!”

       Oditelmo foi cruel na conclusão da narrativa:

       – Além de burra e fraquinha de corpo, ela tem um bafo capaz de matar milhares de urubus!

  

Um corno muquirana

     Até duas ou três semanas atrás, a fama do representante comercial intitulado Rolando Cordélio era a de ser apenas um sujeito extremamente pão duro. Depois desse período, passou a ser conhecido também como corno.

     Seguinte: casado com uma mulher sensacional, ele voltou pra casa no final da noite, um dia antes da data aprazada para o seu retorno de Aracaju. Entrou no quarto de dormir e o que foi que viu? Viu o vizinho Donizetti abufelado com sua mulher, os dois peladões, em cima da cama.

     Ao reparar na cena, Rolando Cordélio reagiu indignado:

     – Eu não acredito no que estou vendo! Minha mulher, minha cama, meu amigo. Só falta estar usando minhas camisinhas!

 

Vingança nipônica

     Perto do tal de Esperonaldo Quintino, nosso amigo Oditelmo é pinto. O cara é o rei da cafagestada. Determinado dia, ele levou uma turma de 21 amigos ao restaurante recém-inaugurado do chinês Ching Ling, pediu do bom e do melhor, achou tudo ruim, passou a mãos na bunda da garçonete (por sinal filha do Ling), quebrou uma dúzia de pratos, uma mesa, duas cadeiras, berrou na hora da conta e pagou com um cheque sem fundos. Uma madrugada, duas semanas depois, o cafajeste Esperonaldo acordou no seu apartamento com um barulho de janela quebrada. Acendeu a luz e, ao lado da cama, encontrou um paralelepípedo enrolado em um barbante e o seguinte bilhete: “Vingança de Chinês”.

     – Que vingança mais idiota! – resmungou ele.

     E atirou o paralelepípedo pela janela. Só então percebeu que a outra ponta do barbante entrava pela calça do pijama e estava amarrada justamente na cabeça do… pênis.

 

Acordo silencioso 

     Biritadíssimo, o Euclípedes chegou atrasado, aborrecido e um tanto confuso para o casamento da prima Ditinha, que residia no interior do estado.

     – Quem é aquele cara que faturou a noiva? – ele perguntou a um dos primos que se achava sentado ao seu lado.

     E o primo:

     – Bom, o negócio é que todos aqui faturaram, mas nós fizemos um acordo para manter a boca fechada.

 

A mãe, não. Mas o marido…

     Na saída do motel, o Lucindo interroga a garota que conhecera horas antes, no shopping:

     – Você conta à sua mãe tudo o que faz?

     Com ar juvenil, ela responde:

     – Eu não! Aliás, minha mãe não está nem aí para essas coisas. Meu marido é que fica louco de curiosidade!