Ailton Villanova

20 de novembro de 2015

O “pum” fatal do Dequinho!

     Com toda certeza, o pedreiro Melquizedéque Alves, o Dequinho, já nasceu sofrendo das tripas. Ainda menino, foi trazido para Maceió pelos pais Izaquias e Mirandolina, que viviam preocupados com os frequentes disparos anais emitidos pelo Dequinho. A intenção deles era encontrar, com a máxima urgência, na Capital, um médico bastante competente capaz de dar desse um jeito definitivo na anomalia intestinal do garoto. Tinha dias que os referidos disparos eram acompanhados de um fedor insuportável. Bastava que ele comesse uma carnezinha de porco, uma batatinha roxa ou um guisado de galinha. Quem estivesse por perto tinha que se mandar rapidinho, para não ter um problema sério de respiração.

     Pois bem, Izaquias e Mirandolina encontraram o médico pretendido: o competentíssimo (dele hoje só resta a saudade) doutor Carlos Augusto Carvalho, especializado na resolução dos mistérios provocados pela mistura produzida no tubo digestivo e expelida pela tripa gaiteira, conhecida popularmente como peido.

     Diante do esculápio, a mãe exibiu o menino e disse em tom de lamento:

     – Doutor, esse meu filhinho não faz mais outra coisa na vida a não comer e peidar! Eu e meu marido queremos que o senhor dê um jeito nessa infelicidade do coitadinho, porque os médicos de União dos Palmares, onde a gente mora, já fizeram de tudo e não conseguiram nada!

      Mal a mãe acabou de falar, Dequinho soltou um “rojão” – prrrááááááa – fedorendo pra mais da conta. Médico, pais, e o próprio peidão tiveram que pular fora da sala e ficaram aguardando na rua até que o fedor desapareceu por completo. Temerosos, todos voltaram à sala de consulta, e Carlos Augusto, que nunca primou pela diplomacia, perguntou à mãe, sem o menor constrangimento:

     – Fale a verdade, madame, esse garoto comeu alguma carniça no café da manhã? 

     E a infeliz, cheia de dedos:

     – Não, não, doutor. Meu filhinho só tomou uma xícara de café com um bolinho…

     – Ah, já sei! Foi o bolo! O que foi que a senhora botou nesse bolo? – insistiu o doutor.

     E a mãe:

     – Os ingredientes de sempre… leite, margarina, açúcar, um pouquinho de sal…

     A consulta ao médico, que foi a última desde que Dequinho se entende por gente, demorou a manhã inteira. O pequeno paciente e os pais saíram do consultório com uma quilométrica receita e um monte de “amostras grátis”, tendo o doutor Carlos Augusto acreditado que as providências que recomendara eliminariam o problema do menino. Qual o quê!

     Mais de vinte anos depois, Melquisedéque continua com o mesmíssimo problema. Aliás, com o problema quintuplicado. Frustrado, ele vive num isolamento de dar dó. Mora sozinho, porque seus genitores morreram – a mãe de desgosto e o pai de infarto – dado a que mulher nenhuma quer viver sob o mesmo teto com o coitado. De tanto expelir “puns”, Dequinho já tem incrustrada na pele uma “inhaca” danada. Incontáveis banhos de desinfetantes – até creolina – ele tem tomado. Perfumes, nem se fala! Dequinho continua fedorento. Por conta disso, é um cara complexado e agressivo. Dia desses, juntou todas essas infelicidades e levou à morte um baixinho chamado Antiógenes, dentro de um ônibus.

     Residente numa biboca chamada Curva do Urubu, localizada nas proximidades do Aeroporto Campo dos Palmares, Dequinho viajava de volta pra casa, depois de ter largado do trabalho numa construção no bairro do Farol, utilizando-se de um ônibus que faz a linha Rio Largo/Maceió.

     Dequinho viajava em pé, no final do corredor do coletivo, evitando causar constrangimento a algum passageiro, dada a sua catinga. Em dado momento, encostou nele o citado Antiógenes, que já foi reclamando:

      – Eita fedor da boba da peste! Alguém cagou dentro do ônibus?

     Ninguém respondeu e o baixinho continuou protestando:

     – Minha gente, será que vocês não estão sentindo esse cheiro desgraçado de carniça? Pelo amor de Deus!

    De repente, o baixinho Antiógenes encarou o Melquisedéque:

    – É você! É você que está cheirando mal! Minha gente, olhem aqui o urubu!

    – Cale a sua boca! – ordenou o pedreiro.

    – Calar a minha boca, por que, hein, seu fedorento? – provocou o baixinho. – E se eu não me calar, o que é que você vai fazer comigo?

    Melquisedéque, juntou ação à palavra: pegou o chato pela goela, puxou-o até encostar a venta dele na sua bunda e anunciou:

    – Vou fazer isso!

    E disparou o maior “petardo” já gerado por suas tripas em toda a sua existência – prrrrrooooouuuuurrroooaaarrrrr.

    Ao acusar o golpe, o baixinho Antiógenes foi acometido de um gravíssimo infarto e caiu já em óbito, no assoalho do ônibus, enquanto os demais passageiros gritavam por socorro…

    Por outro lado, o motorista do ônibus, desorientado, corria pelo asfalto pedindo a presença do Corpo de Bombeiros no local.

 

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Bastante sincero

     Tremendo gozador, o saudoso médico Aílton Rosalvo, que além de clínico era legista no IML de Maceió, frequentemente estava tirando uma onda com seus pacientes. Certo dia, ele pegou um desses cabras chatos e quase abreviou a existência do infeliz.

     O cara insistia em que o facultativo definisse logo o seu problema de saúde:

     – Como é que é, doutor, esses resultados dos meus exames dizem alguma coisa, ou o senhor não está sabendo definir o que está escrito nesse papel ?

     Dada a chatice do sujeito, o doutor Aílton resolveu calar a sua boca:

     – Na verdade, seu Policarpo, o diagnóstico da sua doença está muito difícil mesmo. Mas tenho certeza de que tudo ficará mais claro amanhã, depois da autópsia.

     O cara quase teve um infarto.

 

Hipocondria braba

     Preocupada com o estado de saúde do marido, dona Merlúsia procurou o médico, pela terceira vez.

    – Ele não tem nada!!! – garantiu o esculápio. – já fiz ml exames. Ele apenas pensa que está doente. É psicológico!

    Uma semana depois, dona Merlúsia encontrou o médico no shopping:

    – Então, madame, como está seu marido?

    – Ah, doutor, ele agora pensa que está morto!

 

Mas que porcaria!

     Arrasadíssimo, determinado radialista resolveu procurar renomado médico:

     – Doutor! Não dá mais pra viver assim! Morro de vergonha do tamanho ridículo do meu pênis!

     E o médico:

     – Calma, meu amigo! Não deixe que uma porcaria miúda como essa o leve assim ao desespero…