Ailton Villanova

19 de novembro de 2015

A “Espada” do Treinador

     Sujeito bom, trabalhador ao extremo, o baixinho Clemente Madureira, popularizado como Clecléo, tem uma mulher que é a coisa mais linda do mundo! Metro e setenta de altura, corpo perfeitíssimo, ela é dona de um rebolado de capaz de provocar tesão até em frade franciscano. Clecléo vive para a Odileusa – esse é o nome dela. Mas, Odileusa, que ele carinhosamente chama – ele só, não, os íntimos também chamam – de Lelêu, não tá aí nem pro infeliz. A vida de Lelêu é bater pernas nos shopping’s, esbanjando o dinheiro da mesada que o coitado lhe dá quase que diariamente. Quando não é isso, está passeando de carro com os amigos, pelas quebradas da cidade.

     Lelêu possui um par de pernas que é uma coisa de louco. Para exibí-las melhormente perante a galera, só usa minissaias ou vestidos curtíssimos. De modo que, por não gostar, também, de usar calcinha, ela possibilita à galera observar à vontade a sua bastante vistosa, apetitosa e rechonchuda parte pudenda.

      E Clecléo se matando de trabalhar para manter o luxo e a safadeza da mulher. Viajante-propagandista de produtos farmacêuticos, Clecléo só vive no oco do mundo. Quanto mais viajar, melhor pra ele, porque recebe um bom dinheiro extra à título de gratificação, ajuda-de-custo e adicional noturno.

     Belo dia, ou melhor, bela noite, Clecléo voltou pra casa cansado de andar pra cima e pra baixo, oferecendo à classe médica os produtos que representa. Arriou-se no sofá, respirou fundo e falou para a mulher que se achava praticamente nua, espichada numa poltrona ao lado:

     – Amor, estou com uma viagem extraordinária, programada para o próximo fim de semana!

     Vibrando intimamente, Lelêu fingiu que não estava gostando da ideia:

     – Mas que viagem danada é essa, meu baixinho adorado? A gente não pode nem ficar a sós um finalzinho de semana, sequer? Você vai viajar pra onde?  

     – Vou pra Buenos Aires, meu amor. Mas, escute: essa pode ser a viagem da minha libertação. Só de gratificação e comissões vou receber uma grana preta. Na volta, poderei até largar o emprego!

     A mulher assustou-se:

     – Não, meu adorado! Não faça isso! Viaje, ganhe o seu dinheiro e, quando você voltar, vamos pensar em coisa melhor, tá certo, meu coração? Vai viajar quando mesmo? Amanhã?

     – Não, amor. No próximo final de semana, conforme eu já disse…

     E como o final de semana demorou a chegar, para a Lelêu!

     Na hora da despedida, ela ainda fez uma média com o baixinho:

     – Olhe, vou ficar aqui morrendo de saudade… Mas não se apresse em voltar, viu? Faça o seu trabalho bem direitinho!

     – Se preocupe não, amor. Quando estiver voltando, aviso, tá certo?

     Clecléo partiu com lágrimas nos olhos. A primeira coisa que a mulher fez, assim que teve a garantia de que o marido estava longe, foi ligar para o Serjão, um garotão de muitos músculos, praticante de todos os tipos de esportes radicais:

     – Alô, meu brutamontes! Estamos livres! Meu marido viajou para Buenos Aires. Venha correndo!

     E o atleta:

     – Se segure aí, minha gostosura! Vamos botar pra quebrar!

     – Vamos sim, meu campeão!

     O casal de adúlteros passou pelo menos uns quinze dias chamando na grande. Os dois só saíam da cama para comer alguma coisa e, depois, retomar a batalha na horizontal.

      Passado esse tempão, Serjão e Lelêu mandavam uma brasa firme na alcova quando escutou uma voz bastante conhecida ressoar no aposento:

     – Eu não posso acreditar no que estou vendo!!! Lelêu, o que você está fazendo em cima desta cama, nua desse jeito e, ainda por cima, abufelada com esse rapaz?

     Muito segura de si, e demonstrando possuir boa presença de espírito, a mulher respondeu:

     – Tá vendo não? Este é o meu treinador Serjão, que está me ensinando uns golpes de jiu-jitsu!

     – Aaaahhh, bom. E precisam ficar nus desse jeito? – indagou Clecléo .

     – Mas é claro! Você não vai querer que a gente suje o lençol da cama, ou vai querer? – rebateu a gostosa.

     O marido baixou a vista para o Serjão e reagiu espantado:

     – Ôxi! E esse cara com esse “negócio” enorme aí, armado?

     – Que “negócio”?

     – O pênis dele!

     – Aaaahhhh! – ela foi cínica ao extremo – Isso aí é só um detalhe, meu baixnho adorado. O treinamento de jiu-jitsu exige que eu me defenda de um ataque de espada. Como a gente não dispunha de uma espada no momento, o meu treinador aqui, que é muito criativo, optou por usar o pênis dele, que é um pouco maiorzinho que a arma, entendeu?

 

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Um tremendo vendedor

     O nome dele é Abilênio. Seu patrão, o perfumarista Odulfo Lima, o tem na conta do maior vendedor de todos os tempos. De modo que o nomeou gerente da loja que acabara de inaugurar em determinado shopping da cidade.

     Então, encontrava-se o Abilênio apreciando o movimento dos fregueses na loja quando chegou junto uma balzaquiana toda sofisticada e pediu:

     – Meu rapaz, me indique, por favor, um perfume de fragrância bem provocante.

     Abilênio procurou na prateleira, escolheu um exemplar e o estendeu à cliente:

     – Aqui está, madame…

     – Senhorita! – corrigiu a balzaca. 

      – Ah, desculpe! Aqui está o seu perfume. É um pouco caro, mas a senhorita vai ver que nenhum homem consegue resistir…

      E ela:

      – Bem, se é tão provocante assim, vou experimentar um pouco agora mesmo.

      – Se eu fosse a senhorita, não faria isso.

      – Ué, por que não?

      – A última moça que experimentou me deixou tão excitado que acabei fazendo amor ela ali mesmo, no provador!

 

Remédio para insônia

     A doméstica que trabalha na residência da jornalista Fátima Vasconcellos, se queixou à ela:

     – Doutora, eu não estou conseguido dormir à noite. Acho que estou trabalhando demais. Qualquer som me acorda. Até o barulho do gato andando no miro me desperta.   

     E a Fatinha:

     – Pegue este remédio. Com certeza ele irá solucionar o seu problema.

     – Quando eu devo tomar, doutora Fátima?

     – Você? Nunca! Ponha no leite do gato!