Ailton Villanova

17 de novembro de 2015

O “sequestro” da Margarida

     “Um casal ímpar”! Era assim classificada, pelos amigos e por toda a vizinhança, a dupla de marido e mulher Epitânio e Margarida Correia, ele mais conhecido como “Correínha”. Diferentemente da mulher, cujo corpo era (e continua sendo, claro!) de arrepiar até cabelo de estátua, o Correia, sujeito baixinho, testa proeminente, sempre foi metido a arrochado (só metido), coisa que ninguém levava em conta. Ninguém, vírgula. A Magáu,  às vezes, dava a entender que o obedecia. Aí, ele ficava todo ancho! Já pensou dominar uma mulheraça daquelas? Vou lhe contar, caro leitor: a Magáu (já falei do corpo dela, não falei?) quando achava de desfilar sua pessoa perante a galera masculina, não importava aonde fosse, era negócio pra deixar o sujeito louco, de tanto tesão. Não sei se ainda hoje é assim, mas o seu requebrado, muitas vezes oferecia a impressão de que iria provocar o desabamento da bunda, a qualquer momento.

     Certo dia, o velhusco Miguel Dudé foi flagrado, pela empregada, escorado na janela de casa, em pleno ato se masturbatório, depois que assistiu ao desfile da Magáu pela sua porta, quando ela, de passagem, se dirigia à padaria.

     Com um desmentêlo de mulher desse nível, é claro que o marido tem que ter ciúme, considerando que o ciúme é um cuidado persistente que a gente tem pelas coisas que nos são caras e importantes, não é verdade? Mas o ciúme que o baixinho Correínha tinha da Magal, extrapolava o limite da normalidade. Era doentio. Se dependesse dele, Magáu jamais poria os pés na rua. Até dela com o boníssimo e quase santo padre Olívio, o Correínha tinha ciúme. Numa ocasião, criou o maior problema na igreja ao reparar a mulher falando baixinho no ouvido do sacerdote.

     – Êpa! O que é que vocês estão cochichando aí? Qualé a sua, padre? Tá “cantando” a minha mulher? Cuidado na sua vida, viu? – ameaçou em voz alta, perante um monte de fiéis, a maioria mulheres.

     Magáu respondeu, com sua voz melíflua:

     – Calma, amor! Eu estava apenas me confessando… Não estava, padre?

     O velhinho nem respondeu, mas o sacristão Valfrido, que é um cara parrudão, o colocou pra fora da igreja, puxando-o pela orelha.

     Esse episódio provocou em Margarida um sentimento de revolta a tal ponto, que ela chegou a prometer:

     – Outra vergonha dessa você nunca mais me fará passar, tá ouvindo, Correínha?

     E ele, ousado, estimulado pelo complexo de corno:

     – Pois fique sabendo que farei quantas vezes quiser!

     Acontece, caro leitor, que na jogada já havia o Serjão, um ex-militar bonitão do exército abarrotado de músculos por todos os lados, pelo qual Margarida caiu de amores, desde que o viu pela primeira vez, na parada de 7 de Setembro, na praia da Avenida da Paz. A partir daí, os dois passaram a ter encontros ardentes nos melhores motéis da cidade. Serjão apanhava a gostosura em casa, disfarçado de motorista de taxi. Pois bem, depois desse lance narrado linhas acima, Magáu decidiu viver definitivamente nos braços do amado fortão. Aí, bolou um plano prosaico para pular fora do casório com o Correínha: forjou o seu próprio sequestro.

     Correínha endoidou quando recebeu, no trabalho, um telefonema:

     – Alô, é o Correinha?

     – É! Quem tá falando? – respondeu, como sempre, cheio de direito.

     – Quem está falando, não importa. Estou só querendo lhe dizer que sequestramos a sua mulher e vamos ficar com ela, entendeu, seu corno?

     Correínha subiu nas tamancas:

     – Brincadeira tem hora! Você não seria homem suficiente para sequestrar a minha mulher. Deixe de papo furado!

     E a voz:

     – Quer a prova?

     – Quero!

     – Pois fique aí na porta do seu trabalho, porque vamos passar com ela por aí, pra você ver que não estamos brincando.

       – Pois venha!

     Correínha correu para a rua e ficou naquela expectativa, aguardando a passagem da suposta sequestrada. Ele quase expulsou o coração pela boca quando o taxi parou ao seu lado e o Serjão, ao volante, gritou:

      – Olhe aqui a sequestrada, tá vendo?

      Agarrada ao pescoço do grandalhão, Magáu abriu um sorriso de felicidade e deu um adeusinho pro marido. Correínha pinoteou na rua e ordenou:

      – Deixe de brincadeira e vá já pra casa, que eu estou chegando!

      A resposta da Magáu foi uma banana de braço, e a despedida:

      – Tchaaau!

      E sumiu no oco do mundo, abufelada com o Serjão.

 

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A mulher errada 

     Desconfiado da fidelidade da mulher, doutor Clobaldo resolveu contratar um detetive particular. Deu a dica de um motelonde ela poderia ser encontrada e andou o detetive ficar de olho para dar o flagrante.

     – Eu também vou junto, só pra ver a cara da safada!

     E o detetive:

     – Assim não dá, doutor. O senhor pode se emocionar… ou perder a estribeiras e o negócio pode complicar. Eu vou só.

     E o corno:

     – Nesse caso, eu fico de longe, na esquina, só pra constatar!

     – Assim tá certo. – concordou o detetive.

     Doutor Clobaldo ficou na expectativa por mais de uma hora. De repente, viu o detetive aplicando a maior surra numa mulher.

     – Ei, rapaz! Essa não é a minha mulher!

     – Mas é a minha! – respondeu o detetive.    

 

A língua do marido

     Voltando da missa mais cedo, dona Gasparina flagrou o marido na cama com a empregada, fazendo coisas que jamais fizera com ela nos dezoito anos de casados. Indignada, ela deu a bronca:

     – Mais o que é isso, Ariosvaldo?! Você não se envergonha?

     E o marido lá, caladão, com a cabeça enfiada no lençol. Dona Gasparina insistiu:

     – E então? Você não vai dizer nada, Ariosvaldo? Onde será que você enfiou a língua?

 

  A mulher também viu!

     Final de semana, dois amigos se encontram o barzinho de sempre:

     – Ô Júlio, você está sabendo que o Godofredo está hospitalizado?

     – Qualé, Chicão? Não pode ser! Ainda ontem eu o encontrei no restaurante Regina’s, jantando com uma loura incrível!…

     – Pois é. A mulher dele também encontrou!