Ailton Villanova

13 de novembro de 2015

Marido irresponsável

 Exemplo de mulher, esposa e mãe, dona Coríntia contraiu núpcias com o impoluto Juribaldo Jequitibá, exatamente aos 37 anos de idade. É que lhe faltou tempo para fazer isso antes. Ela vivia cuidando de suas rezas e penitências, porque sempre foi extremamente religiosa.

     Coríntia e Juribaldo tiveram duas filhas – uma puxou a mãe e a outra, igualzinha ao pai, caboco treloso. As duas garotas, diferentemente da genitora, casaram cedo e foram morar perto dos pais, no bairro do Farol. Das meninas a mais festejada era a caçula Dulce, aquela que herdera o gênio do pai.

     Anos e anos se passaram e, bela tarde, dona Coríntia encontrou-se com uma velha amiga, quando dava um passeio na praça do Centenário:

     – Mas que surprêsa, Coríntia! – exultou a amiga.

     – Pois é, Percilina. Nem imaginava encontrá-la por aqui!

     As duas sentaram num banco da praça e iniciaram o papo. Primeiro, falou Percilina, olhinho brilhando:

     – Me conte as novidades, mulher. Como vai a família?

     – Vai bem, graças a Deus e a Santíssima Virgem! – persignou-se Coríntia.

     – As suas garotas devem estar bem bonitas, não é?

     – Estão lindíssimas. Casaram!

     – Casaram?! As duas estão bem casadinhas e felizes?

     – Bem, Perci, a mais velha, Isabel, está maravilhosamente bem. Casou-se com um empresário, dono de uma rede de farmácias. Ele a adora e lhe dá tudo do bom e do melhor. Você sabe, eu eduquei aquelas meninas com todo amor, todo carinho e muito cuidado…

      – Sei, sei. E a outra menina, a Dulcinha?

      – Ah, você sabe ela é a mais desinibida, graciosa, muito jeitosa, também. Mas, nem me fale da coitadinha…

      – Nossa, Coríntia! O que foi que aconteceu com ela?

      E a mãe, emocionada, com uma solitária lágrima rolando na face:

      – Nem me pergunte mais, Perci. Imagine que com menos de um ano de casamento, o irresponsável do marido da menina inventou de ser corno!

 

 

Bem atendido

 

     Mexendo no arquivo morto da sua repartição, o servidor público Adonezildo Praxedes encontrou uma lâmpada encantada, daquelas que tem um gênio guardado lá dentro. Curioso, deu uma esfregada na referida para tirar a poeira, e… ploft! Pulou um gênio, que falou com aquele bafo de três mil anos:

     – Você tem três desejos para eu atender.

     Apesar de não estar acreditando naquele papo, o Adonezildo arriscou:

     – Eu quero ser bonito e gostoso!

     Plim! O cara que era feio igual ao Frankenstein, ficou mais bonito que o Tom Cruise.

     – Agora eu quero estar numa praia chique, cercado de mulheres boazudas…

     Outro plim e olha lá o Adonezildo no Caribe, ao lado das mais belas e mais gostosas estrelas do cinema e do teatro mundiais.

     – Não quero mais trabalhar na minha vida! – comentou displicentemente.

     Mais um plim e o Adonezildo foi remetido de volta à sua mesa, na repartição pública.

 

 

Autocontrolada

 

     Puxando a filha menor pela mão, uma madame entrou no supermercado para fazer compras. Mal se acharam lá dentro, a garota livrou-se da mãe e correu para uma das prateleiras e tentou pegar todos os salgadinhos e doces que viu pela frente. A mãe exclamou:

     – Calma, Lúcia!

     Dali a pouco, depois que mãe e filha percorreram quase todo o estabelecimento e a madame apanhar tudo o que precisava, a garotinha voltou a atacar a prateleira de biscoitos.

     E a mãe:

     – Calma, Lúcia! Só faltam alguns minutinhos. Fica quieta!

     Em seguida, a garotinha inventou de querer um brinquedo novo.

     – Calma, Lúcia! Agora só falta passar no caixa, fazer o cheque, pegar o carro e ir pra casa.

     Na boca do caixa, a menina pegou uma revista e uns amendoins. Novamente, a madame:

     – Calma, Lúcia! Falta só um minutinho. Já estamos terminando.

     Quando a madame e a filha estavam saindo com as compras veio outra freguesa, e comentou:

     – Meus parabéns! Eu estava observando como você foi paciente com sua filha Lúcia…

     – Lúcia sou eu! Minha filha se chama Patrícia.

 

 

Solução pra chifrança

 

     O galego Álvaro Cleto encontrou um amigo andando pela rua, todo de branco:

     – Qualé, Isaías? Viraste enfermeiro?

     E o Isaías:

     – Não. Tô fazendo um curso para pai-de-santo.

     – Mas tu nunca te ligaste nesses babados, meu!

     – É necessário, sabe Álvaro? Um vizinho meu, o Semião, me falou que eu preciso tirar o “caboco” que vive em cima da minha mulher!

 

 

Na lata!

 

     Final de tarde, o parrudo conhecido pelo vulgo de “Ipiranga” – pelo fato de já ter morado na rua do mesmo nome, no Farol -, cumpria a rotina de sempre: passeava na praia da Jatiúca, com o seu rottweiler de estimação. Aí, chegou a vizinha Zildete, uma coroa chata pra cacete, que perguntou, cheia de autoridade:

     – Ô Ipiranga, esse seu cachorrinho feínho, aí, deixa a gente chegar perto?

     E o Ipiranga:

     – Claro, né dona Zildete? Senão, de que jeito ele vai poder morder a senhora?

 

 

Alho santo

 

     Colegas mais chegados do motorisa de ônibus chamado Alternóbrio Pinto, andam muito preocupados com ele. É que, ultimamente o indigitado inventou de curtir uns baratos estranhos. Acham, os rapazes, que o Aternóbio pegou um estresse filho da mãe, por causa desse trânsito caótico de Maceió.

     Dia desses o Alternóbrio foi flagrado enchendo de alho o tanque de combustível do coletivo que dirige. O colega que o surpreendeu, indagou:

     – Que diabo você está fazendo, rapaz?

     Alternóbio respondeu, meio invocado:

     – Agora eu quero ver se esta porra anda direito ou não anda. Disseram que alho é a melhor coisa que tem pra circulação!