Ailton Villanova

29 de outubro de 2015

A roda triangular do Fedúlcio

    A piração do Fedúlcio Cunegundes Pimpo passou dos limites. Isso significa que o seu psicólogo Reinaldo Cavalcante vai ter trabalho triplicado. Isso, se também não ficar doido antes.

    Segundo o próprio Fedúlcio me garantiu “em primeira mão”, ele vem desenvolvendo febrilmente um barato que resolveu considerar “a maior descoberta de todos os séculos”: a roda triangular.

    Ao ter ciência da “descoberta” do Fedúlcio, Reinaldo Cavalcante quase caiu para trás:

     – Roda triangular!!! Que loucura é essa???

     Cheio de gomeirice, Fedúlcio fez mistério pro seu velho amigo e psicólogo:

     – Caminha aí, doutor Rei. Espere só para ver!

     E Reinaldo:

     – E eu pensando que…

     – Não pense, doutor! De pensar morreu um burro!

     – Agora eu não tenho mais dúvida. Sua loucura voltou! Olha, amanhã passe lá no meu consultório… Vamos ter uma conversa séria. Quero ver como anda o seu juízo!

     E Fedúlcio, mais ousado ainda:

     – Olha, doutor, eu lhe garanto que o meu juízo tá mais legal  do que o seu!

     – Não pode estar, rapaz! Essa história de roda triangular é a maior prova de que você pirou definitivamente!

     – O senhor está falando isso porque ainda não está por dentro da minha invenção. A roda triangular não é simplesmente uma roda triangular. Ela tem a grande vantagem sobre a roda quadrada.

     – Roda quadrada?!

     – Tá vendo como o senhor anda por fora dos grandes inventos? A grande vantagem da roda triangular sobre a roda quadrada é que ela dá um solavanco a menos!

 

 

Explicação especialíssima

 

     O Quadrovaldo encontrou na rua o velho amigo Ospernúbio, cuja cara não era das melhores. Preocupado, ele perguntou:

     – Quê que há com você, meu camarada? Tá com uma cara de assustar!

     – É que eu tô preocupado, sabe? – explicou Ospernúbio. – O meu chefe me mandou consultar um “biscólogo”!

     E o Quadrovaldo, dando uma de entendido:

     – Ih, mano velho! Tu tá mal mesmo, hein?

     – Sei não. Mas o que bubônica é “biscólogo”?

     – Você não sabe?

     – Tô por fora. Me explique aí…

     – Eu explico. “Biscólogo”… Bom, você imagina uma dona tirando a roupa num circo, certo?

     – Certo.

     – Aí, tem um monte de nego de olho vidrado nas partes dela, menos você. Aí, você tá precisando de ir a um “biscólogo”. É isso!

 

 

A diferença dos chifres deles

 

     Num terreno plano da parte mais elevada do Tabuleiro do Pinto, um pouco mais para adiante do aeroporto Zumbi dos Palmares, pousou um disco voador e dele desceu um baixinho esverdeado e cabeçudo, todo fora de esquadro, que se dirigiu ao caçador Aristarco Camaratuba, num perfeito português:

     – Que lugar é este, ô terráqueo?

     O caçador reparou naquela figura estranha e respondeu, cheio de didática, só pra esnobar:

     – Bom… aqui é o distrito de Tabuleiro do Pinto, Estado de Alagoas, Brasil, América do Sul. Um pedacinho dessas terras pertence a este seu criado, aqui. E você, de onde está vindo? E pra que serve essas antenazinhas na sua cabeça?

      E o baixinho:

     – Eu vim de Marte e isso aqui na minha testa, serve para manter contato permanente com os acontecimentos do meu planeta; saber o que está se passando por lá. Vocês não têm isso aqui?

     – Bem… ter a gente também tem por aqui. Mas quem tem isso na cabeça é o último a ficar sabendo das coisas, tá me compreendendo?

 

 

Tudo bem, mas com massas separadas!

 

     Rigoroso na defesa dos bons costumes, padre Odilon Barroso foi convidado para ensinar a matéria Religião no Colégio do Divino Coração de Jesus, localizado no interior de Pernambuco. Logo no primeiro dia aulas, ele definiu:

     – Meninas de um lado e meninos do outro.

     E assim ficou sendo até que, um belo dia, em função da sua aposentadoria foi nomeado, pelo Bispo, um  outro sacerdote para substituí-lo no comando da paróquia. De quebra, o padre substituto, cujo nome era Nildo, e um pouco mais moderno, também tomou o seu lugar na cadeira de Religião do colégio.

      Padre Nildo assumou a paróquia numa boa. Mas assim que  entrou na classe, ele estranhou aquele tipo de arrumação (meninos de um lado, meninas do outro):

     – Mas, por que isso, padre Odilon? Afinal de contas, somos todos da feitos da mesma massa!

      E o velho sacerdote:

     – Por isso mesmo, meu filho! Massa com ovo de um lado  e massa sem ovo do outro!

 

 

Morreu com muita saúde!

 

     Hospital do interior. Duas técnicas de enfermagem se cruzam no corredor e uma delas pergunta à outra:

     – Juridelma, você está lembrada daquele paciente… o seu Coriolano?

     – Aquele tem diabetes, cirrose, pressão alta e câncer?

     – Ele mesmo!

     – Também sofria de gota e cálculo renal…

     – O próprio! Pois é… ele morreu!

     – Coitado. Tão cheio de saúde!

 

 

Coitadinho do cão azulino!

 

     Num barzinho localizado naquela parte alta do Mutange, dois amigos biritavam de leve e papeavam sobre banalidades. Em dado momento, a conversa girou sobre animais de estimação e o que se chamava Aricanduva, disse pro outro:

     – Sabe, Crisantino, eu comecei a desconfiar que o meu cachorro de estimação é azulino!

     – Azulino? Por que você acha que ele é azulino?

     – Porque quando o CSA perde, ele vai para a casinha, fica lá todo quieto, não late, não faz nada. Quando o CSA empata, ele não sabe se fica na sala, se vai para a casinha, fica meio sem graça…

     – E quando o CSA ganha?

     – Não sei ainda. Só tenho esse cachorro há vinte anos!