Ailton Villanova

25 de outubro de 2015

Primeiro, as visitas!

 Maria dos Santos nasceu na cidade alagoana de Maribondo, mas é potiguar de coração. Rapazinho, ele se mudou para Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde “assentou praça” na Polícia Militar.

      Apesar do nome de guerra – Santos –, a turma na corporação preferia chama-lo de “Marimbondo”, apelido do qual sempre se orgulhou. Um dia, ele foi designado para servir no gabinete do comandante-geral da PM, na qualidade de mordomo, embora preferisse continuar atuando como auxiliar de almoxarife do quartel.

      Certa ocasião, uma comissão de parlamentares com assento na Assembleia Legislativa norte-riograndense foi recebida pelo coronel comandante, em seu suntuoso gabinete. Visita de cortesia.

       Nessa ocasião, o chefão militar determinou que o soldado Marimbondo fizesse as honras da caserna aos visitantes, servindo-lhes sucos de frutas regionais e cafezinhos.

      – É pra já, meu comandante!

      Não demorou muito, eis que Marimbondo entrou no gabinete do chefão militar carregando uma bandeja que não tinha mais tamanho. Equilibrando-se nela, uma jarra de suco de caju e uma outra contendo suco de mangaba. Além do mais, copos, xícaras, açucareiro e um bule cheio de café. Tremenda mão-de-obra.

      O PM depositou a bagagem sobre a mesinha de centro, despejou uma porção de suco de caju num copo e entregou ao comandante, que o recebeu todo sem jeito. A seguir, agiu do mesmo modo em relação aos deputados.

      Assim que as visitas se foram o coronel pegou firme no soldado:

 

      – Ô Santos, porra, primeiro a gente serve as visitas, mesmo que elas sejam indesejáveis, entendeu?

      – Entendi, meu coronel. Garanto ao senhor que isso jamais voltará a acontecer – respondeu o soldado, todo perfilado.

      Na semana seguinte, um grupo de professores também achou de visitar o comandante, para pedir-lhe apoio à campanha de educação de trânsito.

      Na hora em que o praça, muito ancho, aproximou-se dos visitantes com a bandeja do cafezinho, aquele que parecia ser o líder deles levantou-se e ponderou:

      – Em absoluto, meu rapaz! Primeiro, o seu comandante!

      O PM, então, respondeu muito convicto:

      – Não senhor! Meu comandante me falou que primeiro a gente deve servir as visitas, mesmo que elas sejam indesejáveis!

 

Mas que ioiô?!

      Esta é do tempo em que existia o Desodorante 1010. Lembram dele?

      O freguês entrou na numa das filiais da Drogaria São Luiz, na Avenida João Davino, bairro de Mangabeiras, e pediu ao gerente Erasmo, hoje aposentado:

      – Ô meu chapa, me veja aí um desodorante “Ioiô”!

      Erasmo respondeu pro cara:

      – Desodorante “Ioiô”?!

      – Esse mesmo! Tem?

      – Não temos porque não existe esse tal de desodorante “Ioiô”!

      – Existe, sim! – teimou o cara.

      E começaram a discutir. Até que o freguês decidiu pôr termo à questão, provando que o desodorante “Ioiô” existia mesmo:

      – Peraí que eu vou lá em casa buscar um spray vazio!

      E foi. Não demorou muito, o cara voltou com o recipiente usado do Desodorante 1010.

 

Uma paciente muito doida!

      A balzaquiana entrou no consultório odontológico do saudoso doutor Paulo Carneiro Moura, no bairro do Farol, sentou-se na sala de espera e ficou aguardando a vez de ser atendida. Daí a pouco, o dentista chamou:

      – Pode entrar, minha senhora!

      – Senhorita!

      – Ah, desculpe, senhorita…

      – Asnóbria!

      – Sente-se naquela cadeira, senhorita Asnóbria.

      A balzaca sentou na cadeira e ficou olhando fixamente para o dentista:

      – Vai doer, doutor Paulo?

      E ele:

      – Não vai doer nadinha. Fique tranquila.

      Mas a coroa não ficou tranquila. Naquilo que Paulo Moura acionou a broca em direção à boca da mulher, ela agarrou no saco dele.

      – O que é isso, dona Asnóbria?! – reagiu o dentista, assustado.

      – Tô segurando os seus ovos, não está vendo? – ela respondeu.

      – Solte os meus testículos, por favor. A senhora ficou louca?

      – Louca coisa nenhuma! Estou me garantindo. Se doer aqui em cima, na minha boca, vai doer aí embaixo, nos seus quibas!

 

Promovido por merecimento

      O soldado PM Enoque Pereira, mais conhecido como Azogado, dava um trabalho danado aos seus superiores hierárquicos. Volta e meia estava aprontando. Sua ficha andava mais suja do que macacão de mecânico.

      Belo dia, coronel Cícero Argolo, seu comandante, que era meio gago, resolveu chamar-lhe às falas:

      – O-olhe a-aqui ra-ra-paz! Vo-você tá na bi-bica de ser ex-ex-pulso. Ma-mas vou lhe dar a úl-última oportunidade!

      – Brigado, meu coronel. O senhor é quem manda!

      E coronel Argolo mandou Azogado para Delmiro Gouveia, onde havia um certo Montanha, o brabão da cidade. Sua missão era prender o elemento.

      Quando Azogado se apresentou ao delegado municipal, sargento Aquino, este foi muito sincero com ele:

       – Olha, meu filho, essa é uma missão cruel. O Montanha é violento demais. Tenha muito cuidado quando for abordá-lo. Precisa levar a metralhadora…

       – Carece não, sargento. Vou pegá-lo com as mãos limpas. Pode deixar o xadrez aberto, porque daqui a meia hora ele vai chegar correndo para ser trancafiado…

      – Você ficou maluco, rapaz?

      – Verdade, sargento. Espere só pra ver.

      E lá se foi Azogado cumprir a missão.

      De posse do endereço do elemento, ele parou na porta deste, bateu palmas, o próprio veio atender. O cara era um negrão de dois metros de tamanho, cheio de músculos.

      Aí, Azogado falou:

      – É verdade que o amigo é campeão de corridas daqui?

      E o Montanha:

      – Qual foi o corno que disse isso?

      – O povo! Mas eu estou vendo que você não é de nada!

      – Quem não é de nada, seu fiadaputa?

      – Você! Pelo jeito, acho até que é viado!

      Ao escutar o comentário depreciativo à sua pessoa, Montanha pulou a porta e partiu pra cima do Azogado, que só fez girar o corpo e disparar na frente dele.  Na carreira que deu, entrou na delegacia puxando mil por hora, com o negrão nos seus calcanhares.

       Quando se aproximava da porta da carceragem, Azogado deu um drible de corpo e o negrão passou embalado, indo esborrachar-se no fundo do xilindró. Aí, então, o PM gritou pro carcereiro:

        – Fecha a porta que o passarinho tá na gaiola!

        Mês depois, Azogado era promovido a cabo, por merecimento.