Ailton Villanova

23 de outubro de 2015

Exagerou na dose!

     Morena cheia de curvas num corpo tentador, a Maria Cícera – Cicinha para os íntimos – nunca foi de enjeitar parada, mesmo quando a ocasião não lhe exigia um xamego mais incrementado. Cicinha adorava uma horizontal na companhia de alguém do sexo oposto. Quando não havia um exemplar masculino que a satisfizesse sexualmente, ela se virava mesmo com qualquer fêmea do time das adeptas dos sapatos do número 40. Ela só não apreciava boiola.

     Por outro lado, o distinto intitulado Altamiro Tamarindo, mais conhecido pelo apelido de Miro, era chegado a um xumbrego exagerado com qualquer tipo de mulher. Mas se lhe aparecesse uma morena do tipo da Cicinha, aí os encantos dobravam. O cabra era um tarado de marca maior.

     Cicinha e Miro nunca haviam se encontrado em parte nenhuma, até o dia em que se toparam num coletivo da linha Benedito Bentes/Centro. Ambos subiram no mesmo ônibus, quando ele parou num dos pontos da Rua do Sol. Coletivo lotadíssimo, eles foram obrigados a se arrochar num cantinho meio escuro do final do corredor.

      Ao reparar na apetitosa morena à sua frente, Miro não se conteve e chegou mais pra junto dela. A proporção que o ônibus ia parando nos pontos para a subida de novos passageiros, mais o Miro encoxava a Cicinha. Não demorou nadinha, os dois estavam excitadíssimos.

     – Arrocha mais, meu nego! – pediu a morena, revirando os olhos.

     E o Miro, com a maior cara de tarado:

     – Já arrochei até onde deu! Tá vendo não? Mas, que tal a gente procurar um cantinho bem fofinho, ao invés de ficar aqui em pé, gastando as nossas energias?

     – Só se a gente for para o banco de trás, que é maior e mais largo. Mas o ônibus tá lotado, meu nego! – falou a morena.

     O malandro soltou um riso maquiavélico e disse:

      – Eu acabo de ter uma ideia sensacional…

      – E que ideia é essa?

      Miro explicou:

      – Primeiro, tenho que fazer esses passageiros desocuparem a poltrona… Depois, com ela vazia, a gente fica à vontade pra se amar adoidado!

       – Ôxi! Que ideia mais maluca! Eu só quero ver como é que você vai fazer para esse pessoal desocupar os seus lugares na poltrona…

       – Pois se prepare. Se agarre bem, que o espetáculo vai começar…

       Miro acabou de falar, respirou fundo e deu o berro:

       – Fogo! Fogo! Socorrro! O ônibus tá pegando fogo! Corra, minha gente!

       Ah, pra quê! O alvoroço foi grande dentro do carro. Passageiros, uns atropelando os outros, tentavam sair pelas portas dianteira, traseira e de emergência. Outros se atiravam pelas janelas e se esborrachavam no asfalto.

        Enquanto o tumulto se generalizava dentro do coletivo, o motorista abandonava o veículo e mandava rua afora. O cobrador, um cabeludo abicharado, abria o maior berreiro:

        – Socorro! Socorro! Geeennnte, chamem os bombeiros! O ônibus tá pegando fogo!

        Muito cinicamente, Miro encarava a garota:

        – Viu, minha querida?

        – Vi, meu amor! – Você é realmente genial!

        – Agora – completou ele –, o ônibus é todo nosso!]

        No momento seguinte, o casal, muuuiiito à vontade, inclusive sem roupa nenhuma, curtia uma transa aloprada.

        Os dois só se desgrudaram com a chegada dos intrometidos bombeiros, que trataram de levá-los à presença da autoridade policial, para os procedimentos de praxe, pertinentes a quebra da compostura, da decência e do decoro…

Ligação errada

     Dona Esterlina ligou para o escritório do marido Oscar, para lhe pedir uma informação. Ele atendeu e ela indagou:

     – Quem está falando?

     Reconhecendo a voz da própria mulher, Oscar resolveu fazer uma média:

     – Aqui fala o melhor amante de todo esse insensato mundo.

     – Ah, desculpa, sim? Foi engano.

 

Seria insensatez!  

     À noite, enquanto o marido lia o jornal, dona Eunápia, a esposa, comentou:

     – Ô Juarez, você já percebeu como vive   o casal que mora aqui em frente? Parecem dois namorados! Todos os dias, quando chega em casa, ele traz flores para ela, abraça-a e os dois ficam se beijando apaixonadamente. Por que você não faz o mesmo?

     – Mas, minha filha, eu mal conheço aquela mulher!

 

Vazio grande demais!

     A noite foi trágica e, na manhã seguinte, a mulher do Petrolino resolveu, corajosamente, reclamar:

     – Sinto dizer, Petrolino, mas você não correspondeu às minhas expectativas no que diz respeito ao sexo.

     – Eu sei, eu sei, Margarida, você tem razão – desculpou-se ele. – Mas quando eu jurei que iria preencher o vazio da sua vida, nunca pensei que ele fosse tão grande!  

 

Nunca mais o marido!

     Madame Antuérpia abria seu coração para uma amiga, a respeito dos seus planos para as férias de dezembro:

     – No ano passado fomos para Campina Grande e meu marido se divertiu como um louco. Um ano antes, as férias tinham sido em Salvador e ele disse que nunca na vida tinha tido um período tão maravilhoso. Este ano estou pensando em ir para Porto Alegre, mas não levo meu marido de jeito nenhum!

 

A cortina e os vizinhos

     O Alfredo Zeferino se mudou com a mulher para um novo apartamento. Ela não tinha visto o imóvel antes da compra. Quando entrou no banheiro, a madame se deparou com uma enorme janela e, preocupada, alertou o marido:

      – Alfredo, não gostei nem um pouco dessa janela. Os vizinhos vão querer me ver tomar banho todos os dias. É melhor você comprar uma cortina.

      E ele:

      – Não se preocupe, meu amor! Depois que a virem nua pela primeira vez, eles é que vão comprar a cortina.

 

Desejo atendido!

     Voltando de viagem, o Galisteu, morrendo de saudade da mulher, puxou-a para a cama. Mas ela se pôs a reclamar do custo de vida:

     – Esse governo Dilma Rousseff lascou a gente! Subiu o preço da carne, subiu o preço do feijão, subiu o preço do arroz, das roupas, do cabeleireiro… subiu tudo! Eu queria ver alguma coisa baixar!

      Com voz triste, o Galisteu respondeu, olhando pra baixo:

      – O seu desejo já foi atendido!