Ailton Villanova

17 de outubro de 2015

O Karateca Furado

     Negrinho “Tetéia”, que na pia batismal e nos assentamentos cartoriais recebeu o nome de Teobaldo dos Santos Filho, possui um defeito na fala, isto é, tem dificuldade de articular as palavras pela repetição das sílabas e pela dificuldade de pronunciar a sílaba seguinte. Em síntese, é gago. Ainda hoje, já entrado na idade, fica nervoso, irritado, quando tenta pronunciar uma palavra mais difícil – por exemplo: inconstitucionalissimamente – e aí se transforma num sujeito agressivo. Pior ainda quando alguém tira uma quarto-de-hora com a sua cara. Aí, vira fera de verdade.

     Negrinho Tetéia bem que poderia ter sido um grande “ás” do bate-bola, mas teve de jogar fora o seu promissor futuro como atleta, por causa da morte prematura do pai, seu Teobaldo, motorista de caminhão. Garoto, ainda, teve que arrumar um “quebra-galho” como lavador ambulante de automóveis, para sustentar a mãe, dona Juvenilia, que era meio cega e meio paraplégica.

     Mas Tetéia jamais reclamou desse golpe que o destino lhe havia imposto, porque ainda sonhava voltar a jogar futebol num time de expressão de Maceió, como seu adorado CSA, ou até mesmo o CRB um time adversário de respeito. Bastava apenas que algum “olheiro”, desses que costumam espiar as peladas suburbanas, o visse estraçalhando nos campinhos onde costumava exercitar as canelas e praticar o seu esporte predileto.

      O Natal se aproximando, a situação financeira periclitante e Tetéia sem perspectiva alguma de ganhar uma graninha que lhe possibilitasse comprar um presente para a adorada mãe. Aí, providencialmente, surgiu um amigo de fé que lhe deu a dica:

     – Olha, Tetéia, lá na Ponta Verde acabaram de inaugurar uma academia de ginástica, que tem um estacionamento enorme. Pelo que sei, tá faltando gente para tomar conta dos carros no estacionamento…

     – Oba! V-vou lá! Me d-dá o end… o endereço! – gaguejou como sempre.

     O amigo deu o endereço e Tetéia pintou no pedaço mais depressa do que imediatamente, garantindo o emprego temporário guardador de carros e, ainda, com possibilidade de ganhar uma graninha extra lavando os referidos.

     No primeiro dia de atividade no emprego, Tetéia, muito humilde e simpático, recebeu de alguns fregueses um dinheirinho extraordinário em razão de seu devotamento ao serviço. Todavia, um tal de professor Altenórbio, sujeito ominoso da cara de jumento, entendeu de pegar no pé do negrinho:

     – Olhe aqui, seu urubu! Não chegue perto do meu automóvel, para eu não ter o desprazer de lhe aplicar uns tabefes, está me ouvindo?

     – M-mas, d-doutor, eu s-sou o guar-guardador de ca-carros daqui do es-estacionamento…

     E o boçal:

     – Você é surdo, urubu? Não quero que você se aproxime do meu automóvel…

     – M-mas por que, d-doutor? Se e-eu e-estou to-tomando conta de todos os car-carros, eu te-tenho que passar por perto dele!…

     – Pois está proibido, urubu gago!

     – Mas que m-mal eu lhe fa-fiz, d-doutor?

     – Um mal terrível! Você é preto e eu não gosto de preto, apesar de carregar uma faixa preta no meu kimono de lutador de jiu-jitsu, karatê, tae-kuondo e outras mais. Não me provoque, porque serei capaz de mata-lo apenas com um golpe de karatê!

     Mas negrinho Tetéia, que nunca foi de correr do pau e nem abrir parada pra ninguém, foi trabalhar dia seguinte “escorado” com um revólver do calibre .38, que fora de seu finado pai.

      – Pra onde vai com essa arma, meu filho? – indagou a mãe, preocupada.

      E Tetéia:

      – N-não é p-pra n-nada não, m-maínha. É só p-pra brin-brincar de fazer sus-sustinho, viu?

      Mal chegou ao trabalho, Tetéia deu de cara com o valentão, que partiu pra cima dele de dedo em riste, acusando:

      – Negro safado! Você arranhou a pintura do meu carro e me deu um grande prejuízo! Não lhe falei pra não chegar perto dele?

      – Eeeuuu, doutor? Estou acabando de chegar…

      – Foi você! Por conta disso, vou lhe dar uma surra até todos os seus ossos!

      Mal acabou de falar, o valentão deu um pinote acrobático, colocou-se em posição de combate e atacou:

      – Iááááááááá…

      Muito calmamente, negrinho Tetéia deu um passo para trás, suspendeu a camisa, retirou o revólver que se achava preso ao cós da calça, empunhou-o e chamou o dedo o gatilho – pá, pá, pá, pá, pá, pá… – Deflagrou os seis tiros da arma na caixa dos peitos do valentão, que caiu no chão estrebuchando e chorando mais que bezerro desmamado:

       – Aaaaiiiii… Eu quero a minha maínha! Socorro! Alguém me acuda!

       Em seguida, esticou as canelas.

 

 

Bela saída!

     O Beltrázio tinha uma tara danada pela empregada doméstica de sua casa, a gostosíssima Expedita – Ditinha para o íntimos – cujos requebros eram provocativos demais. Certo começo de tarde, Beltrázio chegou do trabalho e percebeu que sua mulher Dolores não estava em casa. O que ele fez? Aproveitou a ocasião, agarrou a empregada por trás e, cobrindo-lhe os olhos com as mãos, falou:

     – Se em 10 segundos você não advinhar quem sou, te jogo na cama e te encho de beijos!

     E ela:

     – É o Pedro Álvares Cabral? É o Santos Dumont? É o Elvis Presley? É o Roberto Carlos?…

 

Que falta de consideração!

     Correínha voltou mais cedo do trabalho e encontrou a gostosíssima Margarida, sua mulher, na cama como seu melhor amigo. Aí, ficou muito puto:

     – Magalzinha! Guilherme! Como vocês são capazes de fazer uma coisa dessas? Você, Magalzinha, a quem sempre fui fiel durante todos estes anos! E você, Guilherme, a quem ajudei nos momentos mais difíceis e… Ei! Vocês querem parar com essa sacanagem e prestar atenção no que eu estou falando?

 

E o amigo na moita!

     O J. Lima chegou em casa e ficou surpreso ao encontrar a mulher, sempre muito conservadora, deitada na cama completamente sem roupa.

     – O que aconteceu, Clarice?

     – Nada, é que nenhum dos meus vestidos é confortável e estão todos velhos.

     – Como? – disse J. Lima, abrindo o armário. – Na semana passada você ainda comprou três modelos. E olha este vermelho, o azul, o estampado, o cinza-claro, o Alberto, o verde…