Edmilson Teixeira

8 de outubro de 2015

O bafo fatal do Vavá

     Em certas pessoas, o ar que sai dos pulmões durante a expiração – popularmente conhecido como bafo – é insuportável. No caso do Valclípedes Aragão, o popular Vavá, é mais que isso. É insuportável e meio. Tanto que ganhou o apelido de Boca de Fossa, ou simplesmente Boca. Por conta disso, ele gastou uma nota preta num tratamento sofisticado de dentes em São Paulo e, mais ainda, submeteu-se a uma complicada cirurgia no estômago para aliviar o mau hálito. Resultado nenhum.

     Aqui pra nós, caro leitor, um bafo de boca malcheiroso é coisa perversa de carregar, não é? Cruel demais!

     Gente fina, bom papo – à distância, lógico! – Vavá carregava consigo enorme dificuldade de relacionamento. Primeiro, por conta do bafo e, segundo, porque ele próprio fazia questão de manter contato pessoal distante pelo menos um metro do interlocutor. Em assim sendo, como diabos poderia arrumar uma namorada? Namorar exige contato aproximativo, com beijo na boca, etc e tal. Vavá se considerava impedido até de cortejar uma garota, coisa inocente numa paquera.

     Valclípedes dedicava todo o seu tempo livre à Internet. E foi por intermédio desse instrumento que ele conheceu a Iraílda, jovem inteligente e contabilista como ele. A partir da primeira semana de conversas sobre temas os mais variados, os dois já começaram a perceber que estavam atraídos um pelo outro. Daí, veio o inevitável namoro. Horas e horas de papo, mil juras de amor. Até que, um dia, a apaixonada Iraílda tocou no ponto crucial:

     – Amor, não suporto mais essa nossa relação tão distante. Precisamos nos ver, o que você acha?

     E  o Vavá, meio sem jeito:

     – Eu… eu acho ótimo…

     – E por que você vacila tanto? Por acaso é casado?

     – Não, não, não, meu amor! Sou solteiríssimo!

     – E então? Pelas fotos que você tem postado no FaceBook, você é lindo! Talvez por isso eu tenha me apaixonado mais rapidamente por você!

     E ele:

     – Você é linda, também!

     A moça, então, resolveu jogar pesado:

     – Vamos fazer o seguinte, Vavá… ou a gente namora ao vivo, ou não namora mais! Resolva!

     Vavá apavorou-se:

     – Por que essa radicalização toda, meu amor? Olha…

     – Não olho nada! Se quer continuar comigo, me encontre amanhã às 7 horas da noite na Praça Deodoro! Tchau!

     E desligou o computador.

     O dia para o Vavá foi terrível. Na medida em que as horas corriam, mais ele se preocupava… com o bafo, claro. Uma hora antes do encontro, ele consumiu meia dúzia de creme dental na escovação dos mastigantes e bebeu um vidro de loção. Passou mal, por intoxicação, mas aguentou firme. Afinal, era um homem apaixonado e determinado.

      Sete da noite em ponto, Vavá estava plantado na Deodoro, na maior expectativa, aguardando a mulher amada. De repente, ele escutou um “psiu” bem atrás de sua pessoa. Virou-se e deu de cara com a visão mais linda do mundo: sua adorada Iraílda, com um sorriso encantador, de braços abertos aguardando o momento do amplexo.

        Aí, Vavá esqueceu o seu tormento (o bafo) e partiu firme, determinado, ao encontro da mulher dos seus sonhos. Ao chegar perto dela, abriu a boca e exclamou, emocionado:

        – Meu amooorrr!…

        Naquele momento de emoção, ao exprimir do seu âmago o sentimento mais puro de afeição, de ternura, de adoração, Vavá liberou um bafo de mil urubus em decomposição…

         Foi demais para a Iraílda. Ao acusar o golpe pútrido, ela não resistiu e caiu desmaiada, pedindo socorro.

     Dia seguinte, Vavá recebeu a última mensagem da amada:

     “NUNCA MAIS FALE COMIGO, SEU NOJENTO!” 

 

Fora do caco

     Voltando de uma viagem ao interior, ao volante de seu carro, o Vaneuso Tenório, subitamente, começou a sentir uma incontrolável vontade de “soltar um barro”. Não tendo mais como segurar a “onda”, ele parou num boteco de beira de estrada e, apertando o traseiro, perguntou ao gerente onde ficava o toalete. O cara indicou o fundo do quintal:

     – Ali atrás!

     O banheirinho era imundo demais. Vaneuso sentou no vaso e começou a ler aquelas frases idiotas que o pessoal rabisca na porta e nas paredes: “Lá fora você é valente, mas aqui você é cagão”; “Não caga cantando porque a merda sai dançando!”; “Olha só a merda que você está fazendo!”… “Se cu fosse ruim, Deus fazia ele quadrado e cheio de espinhos!” Aí, ele olhou para uma frase escrita com uma letra pequena demais. Tentou ler, não conseguiu. Chegou mais pra perto e nem assim conseguiu. Chegou muito mais pra perto ainda e… nada! Foi mais em frente a menos de um palmo do seu nariz e aí ele leu:

     “Senta que você tá cagando fora do vaso”.  

 

Enfie naquele lugar!

     Dois alagoanos, colegas de trabalho, pegaram a grana das férias e investiram numa viagem aos Estados Unidos, mais precisamente Nova Iorque. Chegaram lá, se hospedaram num hotelzinho “xerife” (uma estrela), e logo trataram de arrumar companhia feminina. Arrumaram. Os dois pegaram, cada um, uma prostituta e levaram para o hotel. Um dos caras descobriu que a garota que ficou com ele era uma brasileira. O colega dele, que ficou no quarto ao lado, ouviu a piranha conterrânea gritar a noite inteira:

     – Enfia no rabo! Enfia no rabo! Enfia no rabo!

     Na manhã seguinte, ele comentou com ele:

     – Pô! Que noite, hein, Zé Luiz? A mocinha berrava o tempo todo pra você botar o rabo! Por que você não queria comer o rabo dela?

     – Não foi nada disso, Pereira! Ela me mandou enfiar no rabo porque eu queria pagar em real!

 

Os problemas da mocinha

     Portadora de problemas cardíacos, Sarinha estava prestes a se casar com o Osvaldão, sujeito analfabeto e mais grosso do que porta de igreja. Muito preocupado porque ela não havia falado nada desse problema ao futuro marido, o seu pai (dela, Sarinha) na primeira oportunidade que lhe surgiu, chamou o noivo num canto, para uma conversa particularíssima:

     – Não sei se você sabe, Osvaldo, mas minha filha tem uma angina profunda…

     O noivo sorriu e respondeu:

     – Claro que eu sei, seu Ariosto. E o cu também!