Ailton Villanova

7 de outubro de 2015

Papou a sogra por engano

     Não vê três ovos dentro de uma meia? Pois o corpo de dona Conflízia, sogra do amigo Dionézio de Araújo é idêntico. Ele costuma dizer que “aquilo não é uma mulher, é uma obscuridade, um equívoco da natureza”.

      Baixinha, metro e trinta de tamanho, dona Conflízia é uma pessoa incerta. Não anda, rebola. Ninguém sabe dizer quando ela está indo ou voltando. Só olhando de pertinho. Mesmo assim, arrumou um casamento. Mas, não por espontânea vontade do sujeito que foi forçado leva-la à presença do juiz. Otoniel, o marido, um contumaz tomador de cana, na ocasião em que a deflorou – no final de uma farra sem precedentes e numa noite de blecaute total – estava mais embriagado do que nunca. Mas, pelo menos esse episódio serviu para alguma coisa, na vida do Otoniel: ele parou de beber para sempre, temendo cair noutra desgraça do gênero. E sumiu no oco do mundo.

     Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, desse casamento nasceu uma linda menina, a Margarida, com a qual, anos depois, Dionézio contraiu núpcias.

     Conflízia e o genro vivem em permanente conflito. Ele não a suporta, pelos motivos já expostos; ela não o tolera pelo fato de ter “roubado” sua filha de casa.

     Bom e dedicado marido, Dionézio nunca foi de participar de grandes farras, mas, sempre que pode, bebe a sua cervejinha com os amigos mais chegados. Certa madrugada, na comemoração de aniversário de um dos tais, no Bar do Duda, ele olhou para o relógio e desesperou-se:

     – Puta merda! Mas de uma hora da madrugada e eu ainda estou aqui! A minha mulher, sozinha em casa, não deve estar gostando, claro!

     Um dos colegas de bebedeira, experiente no assunto, aconselhou:

      – Não se aperreie, amigão. Faça como eu: chegue de mansinho, tire os sapatos, entre no quarto sem fazer barulho e se meta debaixo do cobertor. Em seguida, vá logo tirando a calcinha dela e caindo de boca na coisa, com gosto de gás, tá me entendendo?

     – Tô, tô!

     – Mande ver sem dó e nem piedade. Deixe sua mulher gemer de prazer. Quando ela se recuperar vai estar feliz e cansada. Vai virar pro lado e nem vai notar o horário!

     Dionézio se mandou pra casa e seguiu na íntegra o ensinamento do colega: entrou na surdina no quarto, ficou nuzão se meteu debaixo das cobertas, tirou a calçola da mulher e mandou a língua pra frente – chilep, chilep, chilep… Ela começou a gemer baixinho, desfrutando feliz os préstimos do cara, até adormecer.

      Satisfeitíssimo com a proeza, Dionézio se levantou e foi ao banheiro. Lá, encontrou o seguinte bilhete da esposa Margarida:

       “Amor, não faça barulho. A mamãe veio nos visitar e está dormindo na nossa cama. Vá dormir no quarto das crianças…”

 

Na espera do freguês

     Final de noite, a farmácia do amigão Paulo Nascimento permanecia aberta, como sempre. Em dado momento, parou na porta um carrão e dele desceu uma balzaquiana cheirando mais do que almoxarifado de perfumaria. Ele se dirigiu ao gerente da ocasião, o Laércio e indagou:

     – Boa noite, meu rapaz! Por acaso você tem aí camisinhas extragrandes… daquelas que, podem chegar a trinta centímetros de comprimento?

     Aí, o Paulo, dono da farmácia, muito do sacana, entrou na conversa:

     – Ah, madame… nós temos um lançamento de camisinhas…

     E a mulher, se assanhando toda:

     – Tem, é?

     – Temos. Ela chega até cinquenta centímetros de comprimento. Vai até o joelho do freguês!

     – Ooohhhh… E vende muito?

     – Demais, até! – mentiu o farmacista. – Vai querer algumas?

     – Não. Mas o senhor não se importa se eu esperar por aqui até aparecer alguém que queira comprar?

 

Fregueses complicados

        Bar do Juca, distrito da Vila Brejal. Freguesia de sempre. Muito nego bêbado, outros pegando o rango de sempre: candunda frita, sururu e maçunim ao coco, com feijão e arroz e farinha.

        Em dado momento, do meio do salão, um freguês levantou o braço e chama o garçom Eusébio:

        – Ô rapaz, faz favor…

        O garçom chegou junto e o freguês reclamou:

        – Pô! Essa comida tá com gosto de inseticida!

        E o garçom:

        – Cliente nunca tá satisfeito! Quando tem uma mosca, reclama! Quando a gente toma providência, reclama também… 

 

Argumento justificatório

     Autoridade policial do tipo que aprecia bastante uma publicidadezinha, cansada de receber porradas da mídia pela sua inércia e incompetência no combate ao crime e às contravenções, resolveu convocar a imprensa para uma coletiva.

      Reunido o pessoal da mídia – jornal, rádio e televisão, ela, a autoridade, pôs-se de pé perante a turma, ajeitou o nó da gravata e discursou:

     – Senhores… eu mandei chamá-los aqui para alguns esclarecimentos, os quais julgo de suma importância. Na verdade, vocês estão sendo injustos nas críticas à minha pessoa, e à minha administração.

     – Por que estamos sendo injustos, senhor secretário? – aparteou um repórter.

     E o indagado:

     – Diariamente tenho lido nos jornais, visto nas televisões e ouvido nas rádios que a criminalidade está crescendo…

     – E não está, senhor secretário? – intrometeu-se outro repórter.

     E o secretário:

     – Não, não está, meu caro jornalista! Historicamente, a criminalidade está diminuindo. Basta vocês observarem atentamente!…

     – A criminalidade está diminuindo, doutor? – insistiu outro jornalista.

     – Claro! Vejam bem, vocês: no tempo de Abel e Caim, a metade da população era criminosa!

 

  Só sendo cego!

     Final de semana, num barzinho da orla, uns amigos bebiam e papeavam. Em dado momento, um deles saiu com esta:

     – Alguém aqui me responda: o que faria pegasse a sua mulher em flagrante?

     – Ah, eu me divorciava! – respondeu o amigo chamado Agrício.

     – Eu lhe dava uma surra e depois a levava de volta para a casa dos pais. – disse outro, o Pacheco.

     – E você aí, Eufrísio, que fez a pergunta, o que faria?

     – Bom, se eu pegasse a minha mulher em flagrante, enfiava a bengala do cara no rabo dele! – respondeu o Eufrísio.

     – E como é você sabe que o cara que estaria comendo a sua mulher usa bengala? – perguntou um dos amigos da roda.

     – Pra comer a minha mulher, meus amigos, só sendo cego!…