Ailton Villanova

6 de outubro de 2015

Uma comidinha fraca

     Apesar dos seus 45 anos de idade, o delegado de polícia civil Antônio Rosalvo Cardoso, o proverbial Mamão, nunca tinha viajado de avião. A primeira vez que montou num bicho desses foi numa viagem que, a princípio, se destinaria à Foz do Iguaçu, onde participaria de um congresso nacional da categoria funcional a qual pertence. Deu vexame e quase matou de vergonha os colegas de Alagoas que com ele embarcaram no aeroporto Zumbi dos Palmares. Começou por aí.

     – Esse negócio tem freio, moça? – indagou à linda e simpática comissária de bordo.

      – Tem sim, senhor. E muito bons, por sinal. – respondeu a jovem. – Por que quer saber, senhor?

      – Por nada não. Apenas por curiosidade. Só queria saber como ele faz para parar os ares…

      E a aeromoça:

      – Nos ares só param os helicópteros.

      Ao seu lado, o colega Jorge Barbosa, também chamado Zé Colméia, cutucou-lhe as costelas:

      – Não fala besteira, Mamão! Acho bom você viajar calado!

      Dessa ponderação do parceiro, nasceu uma pequena discussão.

      – Você quer mandar em mim, Zé Colméia? A boca é minha e eu falo o que quero! – disparou o mamão.

       – Fale as suas besteiras, mas não perto de mim, porque não quero morrer de vergonha… – rebateu o Colméia.

       A discussão foi suspensa com o surgimento no cenário, de outra bela empurrando um carrinho com chás, cafés e bolachinhas – mordomia hoje banida das viagens aéreas.

       – O senhor vai querer chá ou café com rosquinhas açucaradas? – inquiriu a comissária.

     E o Mamão:

     – Vou querer um café bem forte com pão torrado. Esse negócio de chá é pra velho!

     Nova cutucada do Jorge Barbosa, nas costelas do Mamão:

     – Olha a educação, rapaz! O cafezinho é uma cortesia da empresa aérea. Pegue o seu café e a sua rosquinha e feche a boca!

     – Tá maluco? Como é que eu vou poder tomar café e comer rosquinha com aboca fechada, me diga?!

     Servido o lanchinho, a comissária de bordo seguiu em frente. Não demorou muito, encostou outro carrinho de bordo, desta feita conduzido por um comissário:

      – Uísque ou vinho, senhor? – quis saber o rapaz.

      – Nem uma coisa e nem outra. – replicou Mamão – Minha bebida predileta é vinho de jurubeba. Se não tiver, serve vinho de jenipapo. Tem?

      – Infelizmente não temos, senhor. Não servimos esse tipo de bebida exótica…

      – Então, trate de arrumar, pra quando eu estiver voltando…

      Aeronave cortando os ares, passageiros uns cochilando, outros lendo uma revistinha ou um livrinho e outros mais papeando descontraidamente. Minutos depois, os alto-falantes do avião anunciaram:

       – Atenção senhores passageiros, boa tarde. Aqui fala o comissário-chefe Praxinsky. Dentro de instantes, começaremos a servir o almoço. Bom apetite!

       Mamão esfregou as mãos de contentamento e comentou:

       – Finalmente, vão servir o rango! Tomara que seja um rango legal!

       Acontece, que o rango liberado pela copa do avião, não foi o rango pretendido pelo ilustre passageiro, acostumado a comer pratos extremamente gordurosos e fora dos padrões normais. A comida de bordo, conforme o leitor conhece, foi aquela comida padrão, servida num pratinho de plástico. Constava do seguinte: um bifezinho de 4 centímetros, uma folha minúscula de alface, uma colher de arroz sem sal e um ovinho de codorna estrelado. Mais: meio copo de água mineral.

     Ao reparar na alimentação, Mamão fez uma careta e interrogou à comissária:

     – Minha filha, isso aqui é o almoço?

     – É sim, senhor. – respondeu a jovem. – Algum problema?

     – Você deve estar de gozação comigo. Esse é mesmo o almoço?

     – Já falei que é…

     – Pois leve essa porcaria de volta e me traga uma feijoada com bastante charque gordo, carne de boi, carne de porco, linguiça de porco defumada, arroz e farinha do Sertão nordestino, pra fazer a misturada! Me traga tudo isso em duas tijelas que caibam 3 quilos de comida, cada uma. Pra beber, já que vocês não têm vinho de jurubeba e nem vinho de jenipapo, me traga uma garrafa de cachaça e meia dúzia de cerveja. Tá bom? Ah, e me traga a conta, por favor!

       Gentil e educadamente, a comissária respondeu:

       – Lamento muito, senhor. Esse tipo de refeição não servimos a bordo. Ou o senhor opta por essa que acabamos de liberar, ou por nenhuma outra.

       Diante da resposta que considerou insultuosa, Mamão se pôs de pé e bradou:

       – Então, mande parar o avião que eu quero descer!

       Mamão desceu em Salvador e voltou para Maceió de ônibus, depois de ter rangado uma baita feijoada no restaurante da rodoviária. O congresso de delegados sequer notou a sua ausência.

 

Cadeira desligada

     Um nigeriano, um coreano e um português foram condenados à morte, por cadeira elétrica.

     Primeiro, foi a vez do nigeriano. O carrasco, sujeito ignorantão, chegou pra ele e falou:

     – Você tem direito a falar alguma coisa pra tentar ficar livre da cadeira elétrica:

     O nigeriano animou-se e mandou o plá:

      – Okuandasundoregu Cabassunumtemprega!

      Os executores não entenderam bulhufas e colocaram o negão na cadeira para a descarga fatal. Mas a cadeira não funcionou e o nigeriano foi liberado.

       Chegou a vez do coreano tentar se safar da execução. Aí, ele sapecou:

       – Subanacadeira esacuda akamisa!

       O coreano também não convenceu. Mas, na hora de ser executado, a cadeira também mão funcionou. Mistério!

        Aí, veio a vez do português. O carrasco mandou ele falar e ele:

       – Ó, raios! Pode chameire de volta os dois! A cadeira está desligada da tomada, ó pá!

 

Um baixinho invocado

     Antônio Carlos, um baixinho mais conhecido como Toínho, sempre foi abusado. Virou brabo depois que perdeu um dos braços num acidente de moto. Ficou só com o toquinho. Uma coisa chamava a atenção nele: O relógio ele usava, justo, no cotoco.

     Belo dia, numa rodinha de amigos, um deles, chamado Valdemar, querendo ser gentil com o baixinho, resolveu lhe apresentar uma sugestão:

      – Ô Toínho, você não acha que é melhor colocar o relógio no outro braço, que é perfeito?

      E o baixinho, se sentindo ofendido:

      – Só se você trouxer a sua mãe pra vir dar corda!