Olívia Cerqueira

5 de outubro de 2015

Sururu: bem imaterial gostoso, que enche o alagoano de orgulho

Transformar o sururu em um bem imaterial de nossa cultura é um gesto que engradece essa delícia de nossas lagoas. (Foto: Ailton Cruz)

 

Texto: Paula Nunes

Fotos: Ailton Cruz 

 

A comida é uma das primeiras expressões da cultura de um estado. O sururu, fruto do mar encontrado na Lagoa Mundaú, em Alagoas, está associado às diversas manifestações da cultura e às práticas do povo alagoano. A culinária e a gastronomia, das formas mais simples às mais elaboradas, faz parte desse processo cultural da identidade do estado.

 A maioria dos pescadores do estado faz a retirada e comercializam o fruto do mar em suas casas. É o caso de Derivaldo Gomes dos Santos, que há 15 anos vende a iguaria alagoana com a esposa, Maria Hortência dos Santos. Eles têm uma banca em frente a um ponto da Lagoa Mundaú, localizada no bairro Vergel do Lago, em Maceió.

 

 A regra na casa é a seguinte: Derivaldo cata o sururu na lagoa e, em seguida, a esposa, Maria Hortência limpa o sururu, tirando a lama de dentro do sururu, retira a casas e realiza o processo de peneirar com água, a partir daí, já se pode comercializar o fruto do mar.

 Derivaldo frisou a queda das vendes nos meses de Julho e Agosto e, segundo ele, para faturar ele precisa baixar o preço da iguaria alagoana. Um quilo custa no máximo R$ 10, já na alta temporada, na Semana Santa, o preço chega a R$ 15.

“Nossa barraca é a mais procurada na região, porque nós vendemos o sururu fresco, retiramos da lagoa e ele já está pronto para consumo, após a limpeza feita pela minha esposa”, contou o vendedor.

 e se emociona ao dizer que conseguiu educar os filhos vendendo sururu. “Nós criamos três filhos vendendo sururu, um deles vende conosco e esperamos que, assim como nós, possa ter orgulho do seu trabalho e conseguir educar seus filhos com o dinheiro do trabalho duro que é vender sururu”, disse Derivaldo.

 

 

No Mercado da Produção da capital alagoana, existe uma área especializada na venda de frutos do mar, a chamada “Área das Marisqueiras”. Lá, dona Ilza da Silva comercializa o sururu há cinco anos e segundo ela, sobreviver vendendo a iguaria é muito difícil.

 

“O nosso lucro e de R$ 1 por quilo, porque no meu caso, tenho um fornecedor que traz o sururu de Coqueiro Seco, mas mesmo assim me orgulho, vendo com minha mãe, irmã e cunhada e gosto do que eu faço”, disse dona Ilza.

 

 

Durante a reportagem, a equipe encontrou José Júlio Cavalcante, de 75 anos, morador do bairro da Pitanguinha, em Maceió, indo até a barraca de Derivaldo comprar sururu. Conhecido como Doca, ele disse que compra a iguaria lá há dez anos e toda semana vai até o local, levar no mínimo três quilos.

 

“Gosto muito de sururu, de todo jeito. Minha esposa prepara de todo jeito, faz caldinho de sururu, arroz de sururu, sururu no coco, é uma delícia e até enquanto vivo eu estiver, sairei do meu bairro para comprar meu sururu aqui, como bom alagoano que eu sou”, afirmou José Júlio.

 

Alagoana e também apaixonada por sururu, a nutricionista Cíntia Amorim conta que a iguaria é muito calórica e deve ser apreciada com moderação. Segundo ela, uma porção de sururu tem 107 calorias, entretanto, é rico em proteínas e quando consumido sem gordura, fica uma delícia.

 “As pessoas que querem perder peso, tem que tomar muito cuidado com o alimento, mesmo assim tenho muitos pacientes apaixonados por sururu e sempre sugiro uma receita mais leve”, contou.

 A professora Bárbara Santiago conta que o sururu é sempre bem-vindo em sua casa na Semana Santa. De acordo com ela, podem ser feitos diversos pratos com a iguaria, geralmente utilizando coco.

 “Nós costumamos comprar mais de oito quilos, porque só assim toda família pode saborear desse fruto do mar tão delicioso e que temos o orgulho de dizer é nosso, é alagoano”, finalizou.