Ailton Villanova

3 de outubro de 2015

E passaram por cima mesmo!

     Laudelino Pantaleão – o Lau – é um “caboco” fraquinho, amarelinho da fala fina, mas muito marrento. Não vê um siri dentro de uma lata? Pois o Lau é tal e qual. Seu físico de “Tarzan depois da gripe” é de causar preocupação e dó. De modo que não se admite que, alguém, mesmo o maior dos insensatos, seja capaz de aplicar-lhe um tabefe, sequer. Mas ele provoca.

      O chato do Laudelino acha que somente ele é o bom, o bacana, e que todas as garotas são caidíssimas por ele. O seu cérebro de ameba não produz inteligência suficiente, ou quase nenhuma, capaz de fazê-lo entender que é uma criatura limitada em todos os sentidos. Aliás, todos os idiotas se acham perfeitos, imbatíveis, maiorais, superiores. Diariamente convivemos que esse tipo de gente, não é verdade?

      Outro dia, ele caminhava pela rua quando foi abordado por um cidadão, que mantinha um cigarro apagado entre os dedos.

      – Ei, amigo, o senhor tem fogo?

      Laudelino parou e começou a se apalpar procurando o isqueiro. Passados alguns segundos, ele respondeu:

      – Olha, acho eu esqueci meu isqueiro em casa. Mas… nossa! Como eu sou gostoso!

      Devido a sua chatice, ele não para em emprego nenhum. O seu último trabalho ele conseguiu depois de ter enchido o saco de um amigo de infância. Então, ele foi exercer a função de porteiro de um clube social famoso de Maceió. Logo no primeiro dia, ele se deu mal e quase assentou os cabelos, definitivamente.

       O clube referido, muito cheio de normas e frescuras, programou uma festa para certo final de semana, sendo permitida a entrada à apenas associados e convidados especiais portando os respectivos cartões de acesso.

     A abertura dos portões fora determinada para às 22 horas mas, segundo iniciativa de última hora adotada pela diretoria, os referidos deveriam ser abertos meia hora antes. A decisão foi comunicada ao Laudelino por um funcionário do clube, através do interfone.

      A resposta do Laudelino:

      – Só abro os portões às 22 horas, em ponto. Está escrito nos convites, não está?

      E o funcionário do clube:

      – Mas rapaz, foi o presidente quem mandou avisar!

      – Por que ele próprio não me avisou? A esculhambação já começa pelo presidente! Não abro antes das 22 horas, pronto!

      E bateu o interfone no ouvido do portador do recado. Não demorou nem um minuto, o interfone voltou a tocar na portaria. Laudelino atendeu:

       – Ééélllôôôrrr! Quê qui é agora?

       O presidente respondeu:

       – Senhor Laudelino, aqui é o presidente (e disse o nome). Faça a gentileza de abrir os portões às 21 horas e 30, porque está chegando uma delegação de Penedo e eu quero acomodar essa gente mais cedo, tá legal?

       – Tá não, doutor. O senhor dá uma ordem e depois desfaz essa ordem! Onde já se viu isso? Cadê o expediente me comunicando a mudança de horário da abertura? Cadê?

       – E precisa, senhor Laudelino? Eu sou o presidente! Eu dou às ordens!

       – Cadê a ordem escrita no papel? Traga aqui!

       O presidente foi à loucura:

       – O senhor está demitido! Estou mandando uma pessoa para substituí-lo, está ouvindo?

       – Nem mande porque eu não passo o serviço!

       Acontece, que nessa discussão, o relógio marcou 21 horas e 30 minutos. Concidentemente, chegava ao portão principal de entrada a delegação de Penedo. Uns 50 jovens animados faziam aquela barulhada. Laudelino pôs-se de pé diante do grupo, tentando impedi-lo de entrar.

     – Êpa! Que esculhambação é essa? Vocês estão pensando que isto aqui é o quê? Estão pensando que isto aqui é zona? Façam meia-volta e se mandem pra casa, porque não vai ter mais festa!

     Aí, o líder da turma tomou a dianteira da rapaziada e avisou:

     – Não vamos voltar pra casa coisa nenhuma! Abra logo essa merda de portão porque a turma toda vai entrar, sim! O presidente do clube já autorizou. Por favor, saia da frente que queremos passar…

     – Passar? Hahahahaha! Só se for por cima do meu cadáver, cambada de maloqueiros!

     A turma recuou alguns passos, marcou carreira e – zuuuummmm – passou por cima do Laudelino. De quebra, levou o portão no peito.

     Laudelino não morreu, mas trabalho deu ao pessoal da ortopedia do Pronto Socorro, para emendar todos os seus ossos. Quebraram até a língua do infeliz.

 

Experiência gatífera

     O professor doutor Astricázio Madeira é um cientista singular. Pesquisa tudo o que lhe dá na telha. Sua última experiência foi com gatos. Curioso para descobrir se esses animais adquirem característica dos seus donos, ele passou a analisar felinos pertencentes a um grupo distinto de profissionais – jogador de futebol, psiquiatra e delegado de polícia.

     Primeiramente, ele colocou o gato do jogador de futebol numa sala, onde havia uma bola feita de ração, e ficou observando o animal de uma outra sala, através de um visor. Ao invés de comer a bola, o bichano ficou chutando a referida de um lado para o outro. Em seguida, ele introduziu na mesma sala o gato do psiquiatra. O parou num canto e ficou observando atentamente as reações do outro gato.

     Finalmente, doutor Astricázio pôs na sala o gato do delegado. Sem hesitação nenhuma, ele aplicou violenta surra nos outros dois gatos, comeu toda a comida e tirou uma soneca.

 

Tais pais, tais filhos  

     Cidadão bom e justo, o psiquiatra Clarindo Miranda flagrou três menores furtando mangas no seu sítio, localizado na parte alta da cidade. Com a ajuda de dois dos seus funcionários, ele pegou os três meninos e os levou aos seus respectivos pais, recomendando aos referidos que os levassem à sua residência, porque gostaria de ter uma conversa com os três, dia seguinte.

     No dia seguinte, as crianças retornaram à casa do doutor:

     – Minha mãe é uma mulher muito religiosa – falou a primeira -, e me disse eu Deus não gosta de ladrões. Eu prometo nunca mais furtar!

     – Meu pai é médico – disse a segunda criança –, e me disse nós podíamos ter nos machucado seriamente se caíssemos da árvore. Por isso, nunca mais vou roubar.

     – Meu pai é advogado – disse o terceiro garoto –, e nós vamos processar o senhor porque a sua mangueira rasgou a minha calça quando eu estava subindo nela.