Ailton Villanova

26 de setembro de 2015

A Emoção Foi Forte Demais!

     Neto e filho de portugueses, o Manoel Cícero Girão era torcedor doente do Vasco da Gama. Sua saúde começou a ficar por demais abalada quando o time começou a perder uma partida atrás da outra no Brasileirão. Piorou, quando tomou aqueles 6×0 do Internacional e teve ser removido em “edição extraordinária” para o HGE, onde ficou internado quatro dias. O médico que o assistiu foi enfático:

     – Olhe aqui, seu Manuel Cícero! De hoje em diante o senhor está proibido de acompanhar jogos do Vasco da Gama, tanto através do rádio quanto pela televisão, está me ouvindo?

     – Mas isso é cruel demais, doutor! – rebateu ele.

     – Cruel, no meu modo de entender, é permitir que o senhor continue torcendo por um time de futebol sem futuro!

     Ao lado do paciente, se achava dona Percilina, sua esposa, que entrou na conversa e, mesmo sem muita convicção, prometeu ao esculápio:

     – O senhor pode deixar, doutor, que de hoje em diante não mais permitirei que meu marido jamais chegue perto de um televisor, ou mesmo de um aparelho de rádio, quando esse tal de Vasco estiver jogando…

      E o Manuel Cícero, já na bronca:

      – Cala essa boca, mulher! Não fala besteira! Você não manda em mim!

      O médico interferiu na questão, acabou com o início de bate-boca entre marido e mulher, liberando o paciente.

       Coincidência é que, quando o vascaíno sentou a bunda no sofá da sala de casa, o televisor estava ligado na Globo, justo na hora do programa de esportes. Dizia o apresentador, em tom de mofa:

        – Amigos, escutem essa… o presidente do Vasco, Eurico Miranda, acaba de declarar que irá morar o Paquistão caso o seu time permaneça na série “B”. Quá, quá, quááá…

     Manuel Cícero não se conteve:

     – E eu irei com ele!

     Mal acabou de falar, atirou os sapatos no televisor. Aí, aconteceu o desastre: o televisor explodiu. Dona Percilina vibrou com o lance:

     – Essa foi a melhor coisa que você fez na vida, meu velho! Nós não precisamos mesmo de televisão, né não?

     – Mas é claro que precisamos! Amanhã mesmo vou ao comércio e compro outro televisor novinho, duas vezes maior que esse que acabo de destruir, para ver melhor o meu Vascão jogar!

      Dito e feito! Dia seguinte, finalzinho de tarde, Manuel Cícero entrou em casa, todo ancho, com uma caixa de papelão enorme na cabeça. Dentro dela, um televisor de 40 polegadas, zerinho.

       Depois que instalou na sala o novo aparelho, Manuel Cícero saiu pela vizinhança convidando os amigos para a inauguração da peça, que se daria na próxima partida do Vasco da Gama, no domingo, justo contra a Ponte Preta, no campo do adversário. 

        Pois bem, o televisor permaneceu desligado até a hora do início da partida.

        No domingo, a casa do Manuel Cícero estava entupida de gente. Enquanto a pelota não rolava na telinha da TV, a galera consumia doses e mais doses de uísque e enchia a cara com a tradicionalíssima cervejinha gelada, com tira-gostos os mais variados. 

        Bronqueadíssima, porque estava sendo utilizada como garçonete, dona Percilina rogava pragas, uma atrás da outra: “Tomara que esse televisor não funcione!” “Eu só queria que o infeliz desse Vasco apanhasse de 10×0”.

         Entre os convivas, um tal de Cupertino, também conhecido como “Boca Maldita”, entendeu de dar um pitaco, só para ser agradável ao dono da casa:

         – Eu tenho pra mim que o Vascão do amigo Manuel Cícero vai vencer esse jogo!

         No que o próprio anfitrião retrucou:

         – Ô Boca, você já está bêbado, é? Se não tá bêbado tá maluco! Meu Vascão não tem a menor condição de vencer a Ponte dentro da casa dela!

     – Pois vai vencer! Escreva aí!

     O palpite do Boca Maldita serviu de gozação para a turma; e o dono da casa, àquelas alturas preparado psicologicamente para contabilizar mais uma derrota do seu time do coração, ainda achou de tirar uma onda:

     – Tomara que a Ponte Preta só faça três gols. Outros seis, eu não aguentaria…

     – Considerando que tudo na vida é possível… e se o Vasco vencesse, meu caro Manuel Cícero? – esquadrinhou o Boca Maldita.

     – Eu acho que dessa vez eu morreria! – respondeu o vascaíno.

     Encerrado o papo, reinou silêncio no ambiente, porque o jogo havia começado. Manuel Cícero de olho grudado no televisor, chutava uma bola invisível a casa lance do seu Vascão. Até que…

      …Inesperada e inacreditavelmente, o locutor abriu o bocão:

      – Goooooooooolllllllllll do Vaaaasssscoooo!

      Manuel Cícero caiu estatelado no chão. Infartado. Morto. A emoção foi grande demais para ele.   

 

A peruca do ceguinho

     O ceguinho Cassimiro ficou careca. Vaidoso do jeito que é, ~passou a usar peruca, por sugestão do amigo Canetinha, apresentador de rádio e tv. Dia desses, ele estava na calçada, nas imediações da Praça do Centenário, esperando o sinal abrir para poder atravessar a rua. Ao seu lado, uma moça muito bonita usando minissaia. De repente, bateu um vento forte e derrubou a peruca do Cassimiro. Ele, coitado, começou a tatear no chão, procurando a peruca. Aí, encontrou o pé da moça e continuou fingindo não sabe o que estava fazendo. E a moça imóvel, só manjando na intenção dele. Ele apalpou a perna da garota, subindo pela canela, pela coxa… até chegar na parte pudenda. Então, a garota deu um pulo para trás e perguntou:

     – Encontrou a sua peruca?

     E ele:

     – Não! A minha tem o cabelo repartido para o lado…

 

Marido ocupado

     Fama de garanhão, o Eráclito se achava na cama com uma mulher fogosíssima. No meio da transa, o telefone tocou. A mulher levantou e foi atender. Conversou rápido, bateu o aparelho no gancho e voltou para cama.

     Preocupado, Eráclito perguntou:

     – Quem era?

     – Meu marido. Avisou que vai chegar tarde porque está no escritório fazendo serão com você…

 

Coitado o marido!

      O médico da família de dona Cordélia, acabou de recebe-la em seu consultório:

      – O seu marido está precisando urgentemente de repouso absoluto. Vou receitar um sonífero.

      – Ah, muito obrigada, doutor. E quando é que ele deve começar a tomá-lo?

      – Não, dona Cordélia! O sonífero não é para ele. É para a senhora!