Ailton Villanova

23 de setembro de 2015

O Baixinho Avantajado

     Ao vir ao mundo há quase 50 anos, o Agatirno quase matou de susto a parteira, dona Antuérpia. Aguardado na maior expectativa pelos pais Agajoel e Bisantina Raposo, mal acabou de pular fora do ventre da mãe, a obstetriz abriu o bocão:

     – Valei-me minha Nossa Senhora do Bom Parto! O bebê tem três ,

     E caiu desmaiada. A parturiente também perdeu os sentidos. O pai, que aguardava na sala, roendo as unhas, a chegada do seu primeiro rebento, disparou para o quarto, onde se deparou com o desmantelo – a esposa e a parteira sem sentidos e o recém-nascido o maior berreiro.

      Agajoel chegou mais pra perto da criança, observou bem e concluiu que Agatirno era perfeito, mas com um detalhe assustador: sua pecinha genital era descomunal. Tão descomunal, a ponto de ser confundida com uma perninha adicional.

     Agatirno só cresceu em tamanho – e muito pouco – até atingir a adolescência. Estacionou quando media 1 metro e meio de altura. De modo que na escola ganhou vários apelidos, a saber: “escada de pintar roda-pé”, “puleiro de pato”, “escada de tirar maxixe”… Mas, dado o incomum tamanho do seu genital, ele não usava cueca, a não ser feita sob encomenda, situação que o incomodava; e bermuda só se permitia usar daquelas que chegavam até o meio da canela.

     Namoradas, o Agá encontrava dificuldade em tê-las por causa da impropriedade da altura e do inconvenientíssimo e exagerado pênis. Quando ocorria a raríssima ocasião de encontrar uma mulher disposta a cair com ele na horizontal e esta reparava no “instrumental”, corria do pau, na hora.

     Antes de falecer, sua adorada genitora o chamou num canto para uma conversa séria:

     – Agazinho, meu filho, eu acho que vou morrer sem ter o prazer e a felicidade de ver um netinho correndo aqui pela casa… Por que você não arruma um casamento?

     Ele respondeu:

     – Mas casar com quem, mãe? Com uma anã? E ainda tem o detalhe dessa deficiência, né?

     E a mãe, persistindo:

     – Vamos pedir a Deus que lhe ponha no caminho a mulher ideal. Amanhã mesmo iremos à igreja rezar nesse sentido, tá certo?

     – Tá certo, mãe. A senhora quer e eu também quero.

     Dia seguinte, de manhã logo cedo Agatirno e a genitora foram à missa na sede da paróquia, que ficava pertinho de casa. Chegaram lá, encontraram a igreja entupida de fiéis.  Mesmo assim, driblando as pessoas, saíram procurando um lugarzinho para se acomodarem. Acharam um emprensadinho bem próximo do altar principal. Dona Bisantina ajoelhou-se, persignou-se e falou para o filho:

      – Chegue mais pra perto, Agazinho. Ajoelhe-se e reze.

      Bom filho, ele tentou ajoelhar-se. No que dobrou as pernas e começou a se movimentar de cima para baixo, ele perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos…

       O berro que soltou estrondou na igreja inteira. O padre parou de rezar, os fiéis, idem e ele gemendo de dor. É que, quando arriou de vez, foi em cima da cabeça do pênis. Eita dor infeliz!

       Depois desse episódio, que comoveu a mãe e alguns fiéis, Agatirno resolveu ir à luta, inclusive aconselhado por um amigo chamado Antiógenes, sujeito degenerado, que tinha a fama de tarado de marca maior.

        – O seu tamanho não recomenda uma abordagem normal. – disse o tal Antiógenes. – Você vai ter, então, que apelar para malandragem, meu amigo!

       – Como assim?

       – Seguinte… Você vai ter que agir ou na praia ou numa praça pública, onde o mulherio gosta de se exibir. Aí, você se exibe pra elas, também. É só mostrar essa monstruosidade que tem entre as pernas.

       – Dá certo não, meu irmão. Elas vão correr…

       – …pra cima de você. Vá por mim! Vou ficar de longe só observando.

       Os dois amigos bolaram o esquema para a noite seguinte, numa determinada praça pública, justo a mais movimentada. Completamente despido, encoberto apenas por uma capa de chuva, Agatirno se pôs de pé sob a luz de um poste, pronto para o primeiro ataque. De repente, surgiram duas mocinhas bonitinhas e alegrezinhas. Quando se aproximavam dele, escutaram o chamado:

     – Alô, bonecas!

     Uma delas olhou com ar de desprezo e respondeu:

     – Procura o teu lugar, Nanico enxerido!

     E a outra, em tom de gozação:

     – Será que está chovendo? Por que está vestindo essa capa numa noite quente como esta?

     Aí, Agatirno abriu a capa e mostrou a monstruosidade:

     – A capa é para proteger esta pecinha aqui, ó! Que tal a gente se divertir com ela?

     Ao repararem no gigantesco “pirulito” do cara, as mocinhas fizeram meia-volta, aos gritos:

      – Socooorrrooo! Aqui tem um tarado com uma tromba de elefante, querendo estuprar a gente! Políííciiiaaa!

      A PM motorizada pintou na hora. Até os bravos e corajosos soldados da RP se assustaram quando repararam na “peça” do baixinho! 

 

Igual a uma criancinha

     Depois de muito tempo gasto em paqueras, namoricos e outras enrolações, finalmente o casal acaba indo a um motel. Quando ainda estão nos beijos e abraços, a garota temendo causar uma grande decepção ao namorado, resolve alertá-lo:

     – Olha, Mauricio, eu quero confessar que os meus seios são do tamanho dos seios de uma menina de dez anos de idade.

     Já bastante excitado, o cara diz que não liga para esse detalhe tolo e resolve também fazer uma confissão:

     – Bom, já que é para abrir o jogo, eu também tenho ima confissão: o meu pênis é do tamanho de um recém-nascido!

     É claro que que ela fica frustrada com a notícia. Mas segue em frente com os “amassos”. Quando, porém, começa a apalpá-lo na parte baixa, ela soltou um grito de horror. Mais que depressa abre o zíper da calça dele e não acredita no que vê: uma “peça” mais descomunal de que já se teve notícia. Aí, ele começa a bronquear:

     – Mas o que e isso, Maurício?!

     – Isso o que, Sandra Rosa?

     – Que pênis mais enorme! Você me enganou! Falou que era do tamanho de um bebê recém-nascido!

     E o Maurício:

     – E é mesmo! Pesa 3 quilos e tem 48 centímetros de comprimento!